Memorial

Companheiros de Pensamentos

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

E lá se vai mais um ano...



Tenho a mania de olhar para trás e ver o que acumulei ao longo dos anos.
Gosto de colocar numa balança as coisas positivas e negativas e ficar olhando qual o prato que pesa mais.
Já tive anos bem ruinzinhos e anos que trouxeram verdadeiros milagres:
- 1975: saí de uma terra onde vivia-se a felicidade, a alegria, a boa vizinhança, deixei de ver os pôr-do-sol fantásticos, deixei bons amigos, grandes colegas, dos quais perdi completamente o contacto, infelizmente.
- 1976: meu pai sofre um enfarte do miocárdio; os médicos não dão nenhuma chance e ele recupera.
- 1979: conheci uma amiga de loooooonga data (30 anos de amizade).
- 1982: concluo a minha formação em Patologia Clínica e começo a trabalhar em Laboratórios de Análises Clínicas. Conheci Bons Colegas de trabalho, mas também constatei que o ambiente de trabalho é bem diferente do ambiente de sala de aula, aliás, já tinha sido avisada pelo meu Professor Laurindo Chaves Neto.
- 1993: obtenho a minha Licenciatura em Pedagogia, juntamente com umas colegas fantásticas. Uma turma de lutadoras, de persistentes, de solidárias, onde a amizade nos unia. Graças à Internet, ainda mantenho contacto com elas.
- 1994: sou “contaminada” com o vírus do Ensino. Comecei a minha carreira de Professora e posso dizer que, apesar de tudo, ainda continuo apaixonada por esta profissão. E contrariando o que dizia o meu Professor Laurindo, tenho boas e grandes amigas nesta profissão.
- 1998: visitei a Expo 98. Um sonho realizado. Um reencontro com minha terra natal. Um reencontro com pessoas que não via há muito tempo. Um reencontro com um passado que guardava algumas feridas mas também algumas boas recordações. Neste ano também concluí a minha Pós-Graduação, onde conheci três irmãs maravilhosas que desde então vivem no meu coração.
- 1999: regresso de vez às minhas raízes e a algumas decepções.
- 2000: foi um ano muito triste e que gostaria que nunca tivesse existido. Perdi irmã, Pai, tio e tia. Mas também foi o ano onde “vi” a solidariedade dos vizinhos que nos conheciam há pouquíssimo tempo, foi o ano em que surgiram grandes amizades e que persistem até aos dias de hoje.
- 2002: perdi um tio muito querido.
- 2003: foi o ano em que recebi um grande presente, um Bom Marido. Um Marido que veio lembrar-me que o caminho é sempre para a frente; um Marido que tem uma sensibilidade “silenciosa” e uma valor “gritante”; um Marido que consegue “demonstrar” as palavras mais românticas deste mundo; um Marido que compartilha as tardes de chuva, os passeios mais inesperados, os bons petiscos…e as noites (claro); um Marido que conseguiu dar-me a força necessária para continuar a viver.
- 2004: outro ano para esquecer. Perdi minha mãe e meus filhos.
Todos os outros anos foram anos cheios de momentos felizes, com saúde e trabalho.
Este ano, que está quase a chegar ao fim, também foi um ano cheio de momentos muito felizes, com muita saúde e trabalho e com a grande oportunidade de cativar mais uma amizade.
E olhando bem para a balança, o que vejo?
Um dos pratos contêm todas as perdas que tive, todas as lágrimas que derramei, toda a revolta, mágoa, decepção que vivi.
O outro prato tem a saúde, o trabalho, o meu marido e os meus amigos e dá para perceber o quanto está pesado. Tão pesado que consegue levantar, facilmente, todas as tristezas sofridas. Graças a Deus… e que continue assim no Ano que vem (e com a companhia dos meus cãezitos).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL


Que a magia e o sentimento que se vive nesta época, possa estar presente todos os dias do próximo ano. É difícil mas não impossível. Basta querer.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Procurava-se (mais) um amigo


Não precisava ser homem ou mulher (mas é mulher), bastava ser humano, bastava ter sentimentos, bastava ter coração.
Precisava saber falar e saber calar, sobretudo saber ouvir.
Tinha que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e canção das liras.
Devia ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Devia amar o próximo e respeitar a dor que todos os passantes levam consigo.
Devia guardar segredo sem se sacrificar.
Não era preciso que fosse de primeira-mão, nem era imprescindível que fosse de segunda.
Podia já ter sido enganado, todos os amigos o são.
Não era preciso que fosse puro, nem que fosse de todo impuro, mas não devia ser vulgar.
Devia ter um ideal e medo de perdê-lo, e no caso de assim não ser, devia sentir o grande vácuo que isto deixa.
Tinha que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo devia ser o de ser amigo.
Devia sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Devia gostar de crianças, e de ter alegria delas terem nascido.
Procurava-se um amigo para gostar dos mesmos gostares, que se comovesse quando chamado de amigo.
Que soubesse conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e recordações.
Precisava-se de um amigo para não enlouquecer, para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Devia gostar de ruas desertas, de poças de chuva e de caminhos molhados, de beira de matos depois da chuva, de se deitar na relva.
Precisava-se de um amigo que dissesse que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tinha um amigo.
Precisava-se de um amigo para parar de chorar, para não se viver debruçado no passado, em buscas de memórias felizes.
Precisava-se de um amigo que acreditasse em nós.
Precisava-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se “Vive”.

Hoje, faz um ano que conheci alguém que tem contribuído muito para uma bela Amizade. Alguém que tem uma Família linda, com a qual meu marido e eu gostamos muito de conviver. Alguém que tem tudo a ver com este poema, que não é de minha autoria mas onde fiz umas “alteraçõezinhas”. Desejo, de coração, que este seja apenas o primeiro de muitos anos de Amizade. Obrigada, Carla, por existires e por fazeres parte daquele grupo, muito especial, que tenho a honra e o prazer de chamar de “AMIGOS”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

NATAL TODO O DIA

Um clima de sonho se espalha no ar.
Pessoas se olham com brilho no olhar.
A gente já sente chegando o Natal.
É tempo de amor, todo o mundo é igual.
Os velhos amigos irão se abraçar.
Os desconhecidos irão se falar.
E quem for criança vai olhar para o céu.
Fazendo um pedido para o velho Noel.
Se a gente é capaz de espalhar alegria,
Se a gente é capaz de toda essa magia,
Eu tenho certeza que a gente podia,
Fazer com que fosse Natal todo dia.
Um jeito mais manso de ser e falar,
Mais calma, mais tempo para a gente se dar,
Me diz porque só no Natal é assim?
Que bom se ele nunca tivesse mais fim.
Que o Natal comece no seu coração.
Que seja para todos sem ter distinção.
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for.
O melhor presente é sempre o amor.

(Maurício Gaetani)

Natal



Gosto muito do Natal.
E por quê?
Por algo que aprendi quando era bem criancinha. Todo o nascimento é motivo de alegria.
Para mim, nunca teve a ver nada com a oferta de prendas, pois meu pai era da opinião que toda a hora, todo o dia é apropriado para ofertar algo a alguém.
Porque temos que esperar até AQUELE dia para oferecer alguma coisa que vimos, que relacionámos com alguém e que tivemos a condição de adquirir? Por quê temos que esperar para ver seus olhos iluminarem-se ao abrir o presente?
Não; Natal, para mim, é muito mais.
Também não compreendo porque algumas pessoas só resolvem ser solidárias, "boazinhas" nesta altura. Sempre é altura para sermos solidários e "bonzinhos". (Pelo menos foi isso que sempre ouvi em minha casa.)
Não; Natal, para mim, é muito mais.
Outra coisa que nunca entendi é o facto de algumas famílias nunca se falarem durante o ano inteiro e quando chega o Natal... resolvem encontrar-se. Não eram família no resto do ano? Ou não tinham telefone, telemóvel, etc, nos outros dias, meses?
Não; Natal,para mim, é muito mais.
Para mim, é mais um momento, como muitos outros, para guardar boas recordações:
- o trabalho que minha mãe tinha ao montar nosso presépio (agora sei bem o que custava);
- a emoção de meu pai ao chegar-se perto do Menino Jesus e ficar uns momentos calado, ao mesmo tempo, que algumas lágrimas apareciam em seus olhos;
- (e como tudo era motivo para comer "coisinhas doces") as rabanadas, o pão-de-ló, o bolo-rei, as filhoses, tudo feito pela minha mãe;
- sempre depois do almoço de Natal, meu pai dizia à minha mãe (como dizia, igualmente, muitas e muitas vezes): "Que Deus te dê muita saúde e muitos anos de vida, como me soube bem esta comida!" E minha mãe sorria.
- e a magia... magia que sempre quis que continuasse todos os dias... mas que, infelizmente, não é assim.
Natal, para mim, é isso. Um momento de alegria e mais um momento em que faço força para acreditar que a Magia, que os Sonhos, que a Esperança, podem existir todos os dias...

"Quentes e boas"

Como foi um susto pequenino, já tudo voltou ao normal.


Gosto muito de castanhas e meu maridão, apesar de não ser um grande apreciador, lá se propôs a assar algumas.


Acredito que a vida é feita de pequenos prazeres e da arte de transformar pequenos momentos em momentos alegres e que possam deixar boas recordações. E assim foi. Mais um simples momento que foi recheado de risos, alegria e, claro, com a companhia dos meus anjos caninos.


O Kibon provou e aprovou logo a nova iguaria e até colocou-se de guarda para controlar quantas eu comia e quantas castanhas lhe eram oferecidas.


Já o Tejo... De início, rejeitou mas como começou a ver que todas as castanhas rejeitadas, eram aproveitadas pelo Kibon, resolveu provar uma. E também aprovou. De tal forma, que parecia impaciente com a demora do dono em descascá-las.
Com certeza que este texto não é um apelo filosófico, nem uma reflexão sociológica, muito menos um tratado de literatura.
É apenas a minha forma de pensar que se pode ser feliz com "muito pouco".
É apenas a minha forma de pensar que, apesar de tudo o que já passei, tenho o direito de reservar-me momentos alegres e de apreciar tudo de bom que a vida me ofereça... nem que seja umas belas castanhas assadas por um grande e bom marido, na companhia de dois cães únicos e especiais (pelo menos, para mim).

domingo, 18 de outubro de 2009

Num dia 22 de Outubro...


Quando vi este filme, estava acompanhada de minha mãe. Meu pai tinha ficado em casa, não era um grande amante de ir ao cinema.
É claro que nós duas fartámo-nos de chorar ao ver este filme, talvez pensando se algo assim acontecesse, um dia, connosco. Minha mãe sempre acreditou que um amor pode ser PARA SEMPRE.
Quando meu pai partiu para a Grande Viagem, minha mãe voltou a comentar que, às vezes, sentia a "presença" de meu pai. Foi um casamento de 50 anos, um namoro de 19 meses, sempre com muita cumplicidade, companheirismo, humor e amor.
Quando casei, minha mãe convenceu-se que já podia ir ter com meu pai. Acredito que ela queria muito continuar a "viver" com a sua outra metade...
Mais uma vez, Deus fez-lhe a vontade.
Hoje, muitas vezes, ao recordar o casamento de meus pais, aprendo os segredos (simples) para viver uma relação feliz, apesar das dificuldades e das tristezas que a vida teima em oferecer-nos.
Enfim, meus pais casaram num dia 22 de Outubro, uma cerimônia simples, apenas no Civil mas, como mandei escrever na pedra: Um Amor Para Sempre.
Basta querer, basta acreditar, basta saber cultivar Um Amor Para Sempre a 4 mãos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

maitê proença - em minúsculas, pois assim merece

RECEBI ESTE VÍDEO DE UMA COLEGA E FIQUEI INDIGNADA. NÃO ESTRANHEI A ATITUDE DESSA "FIGURA" PORQUE, TENDO VIVIDO TANTOS ANOS NO BRASIL, SEI BEM COMO É A MENTALIDADE DE CERTOS BRASILEIROS.
ALIÁS, CERTOS IGNORANTES POIS OS BRASILEIROS QUE CONHECEM O SUFICIENTE DE HISTÓRIA DO BRASIL SABEM RECONHECER A GRANDE OBRA QUE FOI FEITA PELOS PORTUGUESES NAQUELA TERRA.
OS BRASILEIROS QUE SÃO VERDADEIRAMENTE CULTOS E INTELIGENTES NÃO SÃO INVEJOSOS E CONSEGUEM ENFATIZAR O QUANTO OS PORTUGUESES TRABALHARAM PARA FAZER DO BRASIL A POTÊNCIA QUE ELE SE TORNOU. E SE O BRASIL AINDA NÃO "MANDA" NO MUNDO, É PORQUE "ALGUNS" BRASILEIROS NÃO TIVERAM A CAPACIDADE DE CONTINUAR A OBRA FEITA PELOS PORTUGUESES.
PEÇO DESCULPAS PELO MEU DESABAFO MAS, COMO LUSO-BRASILEIRA, SINTO-ME DUPLAMENTE REVOLTADA COM O QUE OUVI NESSE VÍDEO E, COMO DIZ O DITADO "QUEM NÃO SE SENTE NÃO É FILHO DE BOA GENTE" E EU SEI QUE SOU FILHA DE MUITO BOA GENTE; FILHA DE BRASILEIRO E DE PORTUGUESA.

Este vídeo foi para o ar no programa Saia Justa. A atriz (?) e escritora (?) Maitê Proença estava em Portugal por causa de uma peça teatral e aproveitou o seu momentos de horas vagas (?) para fazer algumas imagens para o quadro do semanal do canal GNT. A pergunta é: como isso foi para o ar? O tema? Aquele mesmo assunto pobre de sempre: gozar com os portugueses. Como isso ainda não basta, ela terminou o vídeo cuspindo. A pergunta é novamente: para quê? Será um laboratório para ela ser "o próximo chafariz" da nova novela da TV Record?Todo o vídeo é uma ofensa a Portugal e aos portugueses. Começa por ir a Sintra para mostrar uma porta de uma casa aparentemente comum com o 3 virado para a direita e, sem perceber o significado esotérico, zoa com os portugueses, pois diz que aquilo demonstra que está em Portugal - os caras nem sabem colocar direito um algarismo numa porta! Só vai a Sintra, que tem imensos monumentos, castelos e palácios, para gozar com aquilo.Depois goza com o Tejo ser, para os portugueses, o mar, quando na realidade ela está junto ao Estuário do Tejo, onde o rio deságua no mar e ambos se confundem. Fala também no Salazar, de que ela não sabe nada, imaginando que, por ter sido um ditador, foi igual a Hitler ou a Mussolini. Goza com o túmulo de Camões, com o estilo arquitectónico manuelino, enfâtisando o Manuel, nome injuriado no Brasil nas piadas de português e fala também no epísódio no Hotel com o seu PC, quando o Hotel tem áreas de Internet e se tinha problemas com o seu Computador pessoal, deveria usar o equipamento disponível no Hotel para os clientes. O Hotel não tem obrigação de reparar os equipamentos pessoais dos clientes, sejam PC's ou carros ou máquinas de barbear ou sei lá o quê.Eu acho que ela vai ter muita vergonha quando souber das reações dos portugueses ao vídeo e vai pensar duas vezes antes de voltar a falar do país e dos seus habitantes. Infame, só revelou ignorância e rancor, talvez dor de cotovelo.Quem deveria ter acesso a este vídeo eram os milhares de portugueses que gastaram muitos euros para assistir às suas peças de teatro em Portugal. O que lhe vale é que o povo português é o mais simpático e sereno do mundo.Enfim... vejam o vídeo e, por favor, divulguem: http://www.youtube.com/watch?v=1GCAnuZD7bkEssa mulherzinha quando voltar a Portugal para, cinicamente, dizer maravilhas muito simpáticas, terá explicações a dar...é favor fazer circular para que bem conste...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fado


Se há 20 anos, alguém me convidasse para ir a uma Noite de Fados, com certeza que arranjaria uma boa e educada desculpa para esquivar-me a tal programa.
Sim, há 20 anos eu dizia que não gostava de fado, que não gostava de Amália Rodrigues; apenas ouvia, um pouco, Carlos de Carmo e Francisco José.
Meu pai não era um grande apreciador de Fado, ao contrário de minha mãe que era uma fã de Amália Rodrigues, Ermínia Silva, Fernanda Baptista, Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo e de muitos outros nomes marcantes da nossa música.
Hoje, acho que meu pai não gostava dos fados que faziam nascer algumas lágrimas nos olhos de minha mãe… Se calhar, talvez fosse por isso que eu também não gostava…
Há 10 anos fui à minha primeira Noite de Fados, apenas para agradar minha mãe e lá vi, novamente, algumas lágrimas nascerem nos seus olhos quando ouvia determinados fados. Mas, ao contrário do que imaginava que poderia sentir, entendi perfeitamente o porquê dessas lágrimas pois elas também apareceram nos meus olhos.
Lágrimas que traduziam saudade de alguém muito querido: meu pai.
Nessa noite, comecei a gostar de Fado. Comecei a apreciar os diversos estilos de Fadistas. Comecei a aprender a ouvir Amália Rodrigues e não só.
Há dois dias fui a mais uma Noite de Fados (já tenho ido a várias), com meu marido que também é um bom apreciador.
Foi uma Noite de Fados linda, com uma mistura de melancolia, saudade, tristeza, mas também muita alegria e com vozes magníficas.
Não sou uma entendida em Fado, apenas sei dizer se gosto ou não de ouvir certos Fados ou certos Fadistas mas acho que Fado rima com Saudade.
Uma Saudade que gostamos de sentir, apesar de fazer-nos chorar, uma Saudade que procuramos reviver, uma Saudade que, no fim, faz-nos sorrir.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tributo aos meus Professores


Há Professores e professores. Diria melhor, há Professores e pessoas que têm o emprego de professor.
Posso dizer que tive ambos. A minha primeira Professora, Profª Angélica Martins Garcia, foi marcante pela sua atenção permanente com seus alunos. Não era de dar miminhos nem beijinhos mas estava sempre atenta às nossas dificuldades. Nunca a vi usar a palmatória, nunca a ouvi desprezar alguém. Foi um bom exemplo para mim.
Depois tive algumas pessoas que tinham o emprego de professora e não vou perder tempo a escrever sobre elas. Não compreendo como pode--se tratar os alunos levando em conta a situação financeira dos respectivos pais. Enfim...
Nos 6º, 7º e 8º anos, tive a grande oportunidade de ser aluna da Profª Terezinha Campos, leccionava História e Geografia do Brasil. Que Professora! Que sabedoria, que cultura, que psicologia! Ela agigantava-se quando ensinava-nos factos históricos. As aulas dela eram puro prazer. E quando era necessário repreender algum aluno, por mau comportamento, sua voz baixava de tom mas a força da razão fazia-se ouvir bem alto dentro de nossas cabeças e corações.
Depois, no antigo Liceu São Paulo, tive Professores com características bem distintas:
- Profª Laura (Matemática): tinha o dom de apresentar os conteúdos com uma facilidade, que descobríamos todos os "segredos" das fórmulas matemáticas.
- Prof. Waldemar (Química): sabia muito mas não tinha muita paciência para ensinar. Mas, devido ao seu valor, foi escolhido para ser o Padrinho da Turma.
- Profª Rosely (Inglês): foi a única Professora que conseguiu que gostasse de inglês.
- Prof. Laurindo Chaves Neto (Hematologia, Biologia): ensinou-nos muito mais do que conteúdos necessários para o mercado de trabalho, ensinou-os como seria o próprio ambiente de trabalho.
- Profª Solange (Educação Física): preocupava-se com cada aluno, dentro das suas habilidades (ou não, como no meu caso).
- Prof. Paixão (O.S.P.B.=Organização Social e Política do Brasil): apenas tenho a dizer que foi um GRANDE PROFESSOR.
Depois veio a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade Católica de Santos, onde tive Bons Professores e Boas Professoras. Todos merecem o meu mais profundo respeito e admiração mas... há uma Professora que sempre se destacou para mim: Professora Doutora Conceição Neves Gmeiner.
Destacou-se pela sua enorme cultura, grande sabedoria e pela grande Pedagoga que é. Ensinou-me que o fato de ser autoridade não tem nada a ver com ser autoritária. Ensinou-me que a verdadeira Professora conhece, a fundo, seus alunos e deve ter o cuidado de direccionar suas aulas para TODOS eles. Ensinou-me que o bom humor deve estar presente nas aulas mas que não deve ser vulgar. Ensinou-me que nós somos o que pensamos. Ensinou-me que a discussão é enriquecedora quando baseada em argumentos válidos. Ensinou-me que sempre devemos reflectir no que queremos, realmente, para nossas vidas. Ensinou-me que, na vida, há sempre prioridades e devemos saber classificá-las. Ensinou-me que a verdadeira Professora toma conhecimento dos problemas de seus alunos (quaisquer que sejam) e tenta apontar para possivéis soluções.
Lembro quando ela obteve o seu Doutoramento em Filosofia com nota máxima e menção honrosa.
Nós, enquanto alunas, ficámos a saber, não por ela. Quando ela apresentou-se para a aula, nós dissemos-lhe: "-Agora temos que passar a tratá-la por Doutora."
E ela, parou imediatamente na entrada da sala, virou-se para nós e disse: "- Antes de ser Doutora, fui, sou e sempre serei Professora."
Uma Professora que deixou-me uma profunda marca.
E, para finalizar, o meu grande tributo aos meus primeiros Mestres: os meus Pais, que ensinaram-me tudo o que sou.

domingo, 4 de outubro de 2009

Dia Mundial dos Animais


Hoje é Dia Mundial dos Animais, menos para mim.
Para mim, todos os dias são dias mundiais dos animais. Em todos os dias, os animais devem ser respeitados, cuidados, lembrados.
As pessoas não são obrigadas a gostar de todos os animais mas têm a obrigação de não fazer-lhes mal, de deixá-los em paz. Se os deixarem em paz, já estarão a fazer um enorme bem.
Ainda não consigo perceber porque existem pessoas que maltratam os animais. Não entendo como conseguem abandoná-los, não percebo qual o prazer de tentar, deliberadamente, atropelá-los, não aceito que os desprezem quando mais eles necessitam de cuidados e atenção. Aliás, não acho que seres assim, possam ser classificados como “pessoas”. Para mim, são “coisas”. “Coisas” não têm sentimentos.
Se deixar cair uma caneta, ela não sentirá dor, se esquecer um lápis no fundo de uma gaveta, não sentirá solidão, se colocar uma borracha dentro de um estojo completamente cheio, não sofrerá por falta de espaço. São coisas, desprovidas de sentimentos. Exactamente como essas “coisas” que não entendem que os animais são bem diferentes delas; os animais têm sentimentos, sofrem, ficam doentes, precisam de cuidados, de protecção, de atenção, de carinho.
Será que essas “coisas” acham que são superiores aos animais?
Grande erro! Mas, tenho a certeza que, um dia, sentirão na pele toda a dor que provocaram nesses seres tão especiais, os Animais.

sábado, 3 de outubro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Reencontro Virtual


Uma amizade pode acabar?
Um dia li a seguinte frase: "Se perdeste um amigo, é porque não era teu amigo."
Hoje tive a prova da veracidade dessa frase.
Uma amizade de 20 anos ficou "incontactável" por 10 anos.
Hoje, houve um novo contacto e, quando alguém perguntou há quanto tempo eramos amigas, a resposta foi: há 30 anos. Exactamente, quem tem uma amizade forte, não a perde. Pode ficar em stand-bye, mas basta um contacto (mesmo que virtual) para ela se reacender.
Agradeço à internet, por ter proporcionado esse contacto.
Fiquei feliz pelo nosso "reencontro", Amiga Márcia.
Nesses anos rimos muito, fizemos a outra rir quando só derramava lágrimas, passeámos, trocámos tantas confidências (confidências de adolescentes... e não só). Tive o privilégio de conhecer os teus Pais, maravilhosas pessoas.
Sinto saudades dos tempos que vivemos, das amigas com que convivemos...
Este mundo dá tantas voltas... a vida prega-nos tantas surpresas...
Como diz Toquinho: o destino é uma astronave que muda nosso destino e depois convida a rir ou chorar.
Hoje, tive vontade de fazer o tempo voltar atrás...
Tantas recordações passaram pela minha cabeça... fui a primeira "passageira" quando compraste o teu primeiro carro... tantas peripécias vividas... as "paqueras"... nossa... tantas lembranças... sem falar do teu aniversário, que eu lembrava o ano inteiro, menos no dia do teu aniversário e quando tu ligavas-me no meu aniversário, NO DIA SEGUINTE, e eu ouvia a tua voz a dar-me os parabéns... bem... eu só queria "sumir", desaparecer de tanta vergonha.
Mas tu sempre conseguias rir. Não sei se eu agiria da mesma maneira.
Ao menos isso eu resolvi pois passei a mandar-te um cartão de aniversário, dias antes, para não passar esquecido.
E a nossa luta para conseguir trabalho?
Entrevistas, trabalhos diferentes da nossa formação técnica e, depois de tantas voltas, exercemos a mesma profissão.
Enfim...
Gostei mesmo muito de te ter "reencontrado" e agradeço por continuares a ser minha Amiga.

sábado, 19 de setembro de 2009

Desisto!


Estava a pensar escrever algo aqui neste meu cantinho...
E então comecei mas... o que acontece???
Eis que surge algo entre mim e o computador!
Tento afastar para o lado.
Volta a surgir, algo bem pesado e volumoso.
Volto a afastar para o lado.
Mas, volta a aparecer algo bem pesado, volumoso e peludo.
Então, desisto!
"Ok, você venceu, vamos lá fora brincar um pouco."
O que não fazemos para alegrar o nosso amigo inseparável?
O que não faço, por ti, meu anjo canino?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Augusto Cury



Duas leituras interessantes.
Algumas passagens:
"Nas sociedades modernas, o normal é ser doente e stressado, o anormal é ser saudável, ter tempo para amar, sonhar, contemplar as coisas simples."
"É necessário que os professores sejam valorizados e aliviados. Nunca uma classe tão nobre foi tão desprestigiada profissionalmente. Eles deveriam trabalhar menos e ganhar mais."
"Os professores educam a emoção e trabalham nos solos da inteligência para que os jovens não adoeçam na sua mente, não se sentem nos bancos dos réus, não façam guerras."
"O caos da humanidade é reflexo do desprezo que as sociedades modernas têm pela educação. Nos discursos políticos, a educação está em primeiro lugar, na acção concreta está em último.
As sociedades que desprezam os educadores (professores) desprezam os seus jovens, asfixiam o seu futuro. De facto, a juventude tem sido massacrada pelo sistema. Os nossos filhos estão a perder a sua identidade, são tratados como consumidores, um número de cartão de crédito.
O índice de agressividade, ansiedade, depressão, farmacodependência e alienação social entre os jovens aumenta cada vez mais. Os professores estão stressados e os alunos ansiosos. Quando vamos acordar?"
"Os pais não percebem que as crianças precisam ter infância, necessitam de inventar, correr riscos, decepcionar-se, divertir-se, encantar-se com as pequenas coisas simples da vida. Não imaginam que as funções mais importantes da inteligência dependem das aventuras da criança."

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Andorinhas


Elas estão de malas prontas para mais uma viagem.
Todos os anos é assim.
Pelo fim da Primavera, começam a chegar aos pouquinhos. Primeiro, aparecem duas, depois outras duas e, alguns dias a seguir, as últimas duas. Ocupam os ninhos que deixaram no ano anterior. Limpam-nos e reconstroem, se for o caso disso; aliás, desta vez tiveram que o fazer, pois um dos ninhos tinha sido ocupado por um casal de pardais que fez um grande rombo na “casa”.
A partir daí, é lindo acordar ouvindo as suas “conversas” e observar o seu voo rápido. Ao entardecer, assistimos ao bailado próximo aos ninhos. Será que elas “contam” de suas “viagens”?
Os dias vão passando, até que começamos a ver cascas de ovos pelo chão. Pronto, nasceram os filhotes. Já sei que, em breve, também vou ver o que não gosto: alguns filhotes aparecem mortos. Porquê? Será que caem do ninho? Será que são empurrados pelos irmãos? Meu marido diz que são os pais que eliminam os mais fracos ou doentes. Não sei; só sei que não gosto nada de ver, logo que saio de casa, algum filhotinho morto no chão.
E o Verão continua e continuo a ter a companhia dessas avezitas que eu adoro.
Elas transmitem-me renovação, coragem, trabalho e alegria.
Depois de certo tempo, observamos novas cabecitas a espreitar dos ninhos. Os filhotes estão a crescer e até a sua “voz” já se ouve melhor. Exigem alimento e os pais não param de os atender.
Logo vão começar as lições de voo. E o carrossel tem início. Voos curtos, rápidos, que, aos poucos, vão aumentando a sua trajectória.
Enfim, chegam os entardeceres em que vemos muito mais andorinhas perto de nosso telhado. É lindo.
Perco-me a vê-las, admiro a graça do voo, a “conversa” entre elas. Pode ser uma grande estupidez, não me importo do que possam pensar (pois nunca ouvi nenhum comentário sobre a minha admiração), só sei que sempre que as vejo, fico a pensar nas grandes viagens que fazem. Aves tão pequenas, com tanta força, tenacidade. Simplesmente, admiro-as.
É claro que há pessoas que SÓ olham para a sujeira que elas fazem. Será que essas pessoas já pararam para pensar na sujeira que os seres humanos fazem por todo este Planeta? Muitas das pessoas que reclamam, são aquelas que jogam o cigarro ou o papel do rebuçado pela janela do carro, ou deixam o papel que envolvia a sandes na areia da praia, ou jogam o lenço de papel no meio da rua, ou varrem a sujeira da frente da casa para o lado do vizinho. Hipocrisia!
Bem, mas voltando às “minhas” andorinhas… elas já partiram. Já não ouvimos as suas “conversas” e “histórias” ao pôr-do-sol. Já não vemos os seus voos rasantes. Já não há o “carrossel” de andorinhas. Já estão a viajar para outras terras…
Mas os pardais continuam a fazer-me companhia, enquanto elas não regressam na próxima Primavera.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Obrigada, Amiga.


Há dias menos bons que outros…
Hoje, o dia começou menos bom. Fui fazer algo que nunca tinha feito. Era uma actividade que a minha mãe fazia questão de fazer regularmente: cuidar da campa do meu pai. Ela sempre fez questão de cuidar das dos meus avós e, depois, da do meu pai.
Foi algo que sempre me custou…
Hoje, fui cuidar da campa onde, agora, estão os meus pais e da outra campazinha, dos meus bebés.
Para mim, meus pais não estão naquele lugar. Minha existência com eles sempre foi muito rica, muito feliz (apesar de todas as dificuldades que passámos), recheada de imensos momentos e situações óptimos para relembrar. Para mim, eles foram fazer uma longa viagem, para lugares onde não existem telefones, telemóveis e internet, por isso, não podemos entrar em contacto; mas, um dia, voltaremos e nos reencontrar.
Já com meus bebés…a existência foi extremamente curta…
Bem, não voltei daquele lugar nada bem. Apesar de tentar ter sempre uma visão positiva da vida, às vezes, é difícil manter o sorriso na cara.
Mas (há sempre um “mas”), alguém ligou para mim. E depois de ter derrubado algumas lágrimas ao telefone, bastou 5 minutos de conversa para que o meu sorriso voltasse.
É incrível como algumas pessoas nos fazem tanto bem à alma!
Muitas vezes, conhecemos pessoas que parecem simpáticas, espiritualistas mas, com o tempo, percebemos que só se tratava de um “verniz” (como dizia minha mãe) e, a qualquer momento, estala, mostrando toda a “sujidade” que sempre esteve lá.
Em contrapartida, há pessoas que cruzam nosso caminho só para fazer-nos sentir bem e com as quais começa a crescer algo muito precioso: a Amizade. E quanto mais o tempo vai passando, quanto mais vamos convivendo, quanto mais vamos conhecendo nossos defeitos e feitios, mais forte vai ficando esse sentimento. Essas pessoas são Verdadeiramente Simpáticas, Educadas, Espiritualistas, Humanas, Sinceras.
Obrigada, Amiga, por teres aparecido (tu e toda essa família linda) nas nossas vidas.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Liberdade


Recebi este vídeo de uma amiga e amei. Este vídeo mostra o que eu sempre queria ver nos cavalos (e não só): Liberdade.

"Timbuktu" - Paul Auster


Como ainda estou de férias (e o dinheiro não é muito), tenho praticado a minha actividade favorita: ler.
Desde que tenho lembrança da minha existência, sempre tive a companhia de livros. Quando mal sabia segurar o livro, meus pais deram-me livros de pano. Pois, já fazem parte do outro século. Livros feitos de pano, sem texto, apenas gravuras. Minha mãe ia folheando as poucas páginas e inventado histórias. Outras vezes, era eu que as inventava. (Ainda tenho esses livrinhos.)
Depois, quando comecei a aprender a ler, fui recebendo livros fininhos com poucas frases e grandes ilustrações.
Veio a fase da "Anita" (adorava).
Tive a fase dos Almanaques do Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, etc.
Ao entrar nos meus 10 anos, vieram os clássicos, em versão juvenil: A Ilha Do Tesouro, Os Três Mosqueteiros, Oliver Twist, As Aventuras de Tom Sawyer, Mulherzinhas, e tantos outros.
Depois, instalaram-se os livros a sério (como eu chamava), os livros que poucas, ou nenhumas, ilustrações tinham.
Sempre gostei de ler, sempre sentia-me bem na companhia de um livro.
Meus pais também gostavam de ler; claro que cada um tinha as suas preferências, mas havia sempre tema para as nossas conversas. "Então, o que estás a ler? Fala sobre o quê? Gostas? Por quê? Concordas com o autor?" E sem perceber, meus pais estavam a formar uma leitora crítica, não apenas "devorava" livros, mas reflectia sobre a leitura, tirava minhas próprias conclusões e ensinamentos.
Quando entrei na Faculdade e tinha que ler uma média de 11 livros por ano, apenas numa cadeira... estava no céu (para algumas das minhas colegas era, precisamente, o inferno).
E agora estou a ler "Timbuktu". No início, tive uma certa relutância em adquirir este livro. Confesso que o comprei devido a uma dica de um colega "virtual". Até ao momento, estou a gostar da leitura. Um texto muito interessante pois vai mostrando uma "fotografia" da vida real, com todas as suas hipocrisias e simplicidades, também. Algo que nos rodeia a todo o momento.
Estou ansiosa pelo desfecho (apesar de já saber de um detalhe).
Mas, no fim das contas, um livro é sempre um bom companheiro.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

"Porque é que os cães bebem àgua da sanita?" - Marty Becker e Gina Spadafori


Um livro que fornece muitas informações de uma forma divertida, leve, informal.
"Mas quando o Quixote e a Scooter nos lambem a cara, nos deliciam com as suas brincadeiras e se agitam todos contentes, nós sorrimos o «sorriso» - aquele que apenas os amantes de animais conseguem apreciar." (Dr. Marty Becker)
Há também a versão "gatos".

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ruas Floridas de Redondo


Um trabalho impressionante.
Fiquei maravilhada.
Agora, só falta conhecer as ruas floridas de Campo Maior.
"As Ruas Floridas são um evento bienal de base popular, cuja tradição remonta ao século XIX e consiste na decoração das ruas da vila de Redondo com flores e outros objectos elaborados em papel colorido. Os residentes de cada rua organizam-se e escolhem um tema, cabendo a coordenação geral ao Município de Redondo. "
(ver site da Câmara de Redondo)

Vila Viçosa


Gostei muito de visitar Vila Viçosa.
A visita ao Palácio Ducal teve um excelente guia que explicou, calmamente, todo o seu interior.
O Museu das carruagens também é interessante mas não podemos ver a carruagem em que o Rei D. Carlos foi assassinado pois estava numa exposição em Lisboa.
Vale a pena visitar Vila Viçosa, assim como todo este País.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mais Belezas


É incrível como um País tão pequeno tem tanta diversidade de paisagens, de aldeias, de gentes. Sem falar na gastronomia, claro, principalmente dos doces (tão bons!!!)
Em 1999, a bordo de um avião da TAP, lia uma carta de um Grande Amiga e estava escrito:
"Ah! Vê se você aproveita para conhecer, a partir de agora um pouco mais desse país MARAVILHOSO!!! Não vai de "mocorozar" em casa e fazer crochê a vida inteira. Aproveite para respirar um pouco mais os ares da nossa história."
Tenho seguido essa orientação, com um enorme prazer. E para ajudar, casei com um Bom Companheiro de Viagens e da Vida, que também adora "perder-se" por estes caminhos.
Estamos sempre a "descobrir" lugares lindos e com muita História, paisagens espectaculares, doces divinos e pessoas especiais.
Perante todas estas Belezes, ainda não fiz crochê.

Tomar


O Convento de Cristo, em Tomar, pertenceu à Ordem dos Templários. Fundado em 1162 pelo Grão-Mestre dos Templários, dom Gualdim Pais o Convento de Cristo ainda conserva recordações desses monges cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede.
A Ordem dos Templários prestou um grande auxílio a Portugal, durante os séculos XII e XIII, na luta contra os mouros. Como recompensa, os seus membros foram contemplados com bens e poder político. Mas, no início do século XIV, as suspeitas que recaíam sobre a Ordem levaram a que a mesma fosse extinta pelo Papa Clemente V. A extinção teve efeito em vários países da Europa e os bens da Ordem foram confiscados pelos Estados. Contudo, em Portugal, nem tudo se passou da mesma forma – a questão foi contornada pelo rei D. Dinis, que converteu a Ordem dos Templários em Ordem de Cristo, mantendo os seus membros todos os privilégios adquiridos.
O emblema da Ordem de Cristo, a cruz vermelha e branca, sulcou os mares de todo o mundo nas velas das caravelas e naus portuguesas, durante a época dos Descobrimentos.
A Charola de Tomar baseou-se no tipo de mesquitas sírias, gosto adquirido pelos cavaleiros da Ordem do Templo durante as lides orientais, e por eles aplicada no Ocidente.
É um raríssimo santuário da Alta Idade Média que segue o protótipo da Ermida de Omar (Jerusalém), modelo igualmente aplicado nas Capelas de Eunate (Navarra) e Vera Cruz (Segóvia). No princípio do século XVI, a Charola, oratório dos Templários, foi adoptada como capela-mor do novo templo que então se erigiu, o Convento de Cristo. Nas paredes da Charola subsiste ainda grande série de pinturas sobre madeira, constituídas pelos painéis 'A Entrada de Jesus em Jerusalém', 'O Pedido do Centurião', 'A Ressurreição de Lázaro', 'A Ressurreição, A Ascensão', 'O Baptismo de Cristo' (incompleto) e possivelmente 'A Confissão de Santa Rita'.
Recentemente na tentativa de restaurar estas imagens foram descobertas outras por debaixo, mais antigas. Foi aqui, na Charola de Tomar que foi aclamado o Rei D. Afonso V, em 10 de Setembro de 1438.

Fonte:
“Percursos de Evasão, por terras de Portugal”; e internet.

Sortelha


Coroada por um castelo assente num formidável conjunto rochoso, Sortelha mantém intacta a sua feição medieval na arquitectura das suas casas rurais em granito.
Fazia parte da importante linha defensiva de castelos fronteiriços, edificados ou reconstruídos na sua maior parte sobre castros das antigas civilizações ibéricas. O seu nome deriva da configuração do terreno em rochedos escarpados que envolvem a aldeia em forma de um anel (sortija, em castelhano).
A entrada faz-se por uma porta gótica sobre a qual vê-se um balcão (Varanda de Pilatos), com aberturas por onde os habitantes lançavam na Idade Média toda a espécie de simpáticos projécteis contra os atacantes, incluindo azeite a ferver. Repare ainda no bonito pelourinho, rematado pela esfera armilar, símbolo de D.
Manuel I, e no edifício que foi dos Paços do Concelho, também do tempo daquele rei.
O encanto desta aldeia reside na sua atmosfera medieval, onde as casas todas construídas em granito e geralmente de um só andar, se alicerçam na rocha e acompanham a topografia do terreno.

Fonte:
VisitPortugal (internet)

Monsanto


Monsanto é uma das 17 freguesias do concelho de Idanha-a-Nova. Possui uma área de cerca de 18 hectares. Está localizada na encosta de uma elevação escarpada - o cabeço de Monsanto (Mons Sanctus, como era chamada há muitos anos) - que irrompe abruptamente na campina de Idanha e que, no ponto mais elevado, atinge os 758 metros acima do nível do mar. Nas várias vertentes da encosta e no sopé do monte existem vários lugarejos dispersos, atestando a deslocação da população em direcção à planície.
Na aldeia de Monsanto, a natureza agreste e a construção humana interligam-se com harmonia. Os enormes penedos de granito e as grutas que estes formam, integram-se nas casas, ora servindo-lhes de chão, ora de paredes ou mesmo de tecto.
Perto da Igreja da Misericórdia pode-se apreciar a Torre do Relógio ou Torre de Lucano (séc. XIV), torre sineira onde foi colocada uma réplica do Galo de Prata (troféu atribuído a Monsanto por ter conquistado o título de «a aldeia mais portuguesa de Portugal» num concurso promovido pelo SNI em 1938).
A 3 de Maio realiza-se a Festa das Cruzes que celebra a vitória dos monsantinos num dos muitos cercos, dizem uns que dos romanos, outros dos mouros. As mulheres sobem até ao castelo tocando adufes e cantando. Do alto das muralhas deitam um pote florido, simbolizando o gesto do século passado, quando um vitelo foi lançado aos sitiantes para mostrar a que ponto os sitiados estavam bem providos de víveres. Outra tradição curiosa desta aldeia tem a ver com as “marafonas”, bonecas de pano, e às quais é atribuído o poder de proteger a casa dos seus possuidores contra o mal causado pelas trovoadas, devendo, para tal, ficar deitadas nas camas. São confeccionadas a partir de uma cruz revestida com trajes coloridos. As “marafonas” não têm bocas nem olhos e estão associadas ao culto da fertilidade. Devem ser colocadas debaixo da cama dos recém-casados (como não têm olhos nem boca, nada vêem e nada podem contar). São também usadas pelas mulheres de Monsanto na Festa das Cruzes. Esta festa tem ainda uma particularidade. Quando o 3 de Maio não calha a um Domingo, a data é assinalada por uma cerimónia simples. A grande celebração fica para o Domingo seguinte.

Fonte:
“Portugal: guia de viagens”.

Piódão


A Aldeia de Piódão é considerada uma das mais bonitas do País, classificada como “Aldeia Histórica de Portugal”.
Situada no Centro do País, pertencente ao concelho de Arganil, na encosta da bonita Serra do Açor, é uma das mais antigas aldeias serranas de Portugal.
As suas típicas casas de xisto e lousa, com janelas em madeira de azul pintadas, descem graciosamente a encosta da serra, formando um anfiteatro nesta íngreme serra, sendo por muitos apelidada de “aldeia presépio”. Segundo se diz, a cor azul das portas deve-se ao isolamento da aldeia pois na Loja da aldeia só se vendia a cor azul, pelo que todos os habitantes não tinham de se chatear em escolher a cor.
Piódão é uma aldeia serrana, de feição rural, e acessos difíceis, um excelente exemplo de como o ser humano se adaptou ao longo dos séculos aos mais inóspitos locais.
Nela pode observar-se não só a particularidade da construção e os pormenores das ruas estreitas, com várias fontes de água, mas também a bela Igreja Matriz e a Capela de São Pedro. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição parece tirada do Portugal dos Pequenitos.
A natureza envolvente está quase que em estado puro, observando-se pela região diversas espécies de fauna e flora típicas do local.

Fonte:
“Portugal: guia de viagens” e internet.

sábado, 18 de julho de 2009

"Mágoas da Escola" - Daniel Pennac


"A idéia de que é possível ensinar sem dificuldade deve-se a uma representação etérea do aluno. A sabedoria pedagógica deveria representar-nos o cábula como um aluno tão normal quanto possível: o que justifica plenamente a função do professor uma vez que temos tudo a ensinar-lhe, a começar pela própria necessidade de aprender."
Durante a minha formação acadêmica, sempre questionei meus professores com respeito a este assunto. A nossa formação está direccionada para o aluno "ideal". O aluno que tem uma família estruturada, equilibrada, harmoniosa, com acesso a apoio individualizado e a toda a informação e materiais necessários, que não tem a mínima dificuldade de compreensão, de concentração e de raciocínio e que é completamente bem educado e respeitador das regras.
Será que a nossa formação não devia levar em conta, principalmente, o outro universo de alunos? Aqueles que têm grandes dificuldades de compreensão, de concentração, de raciocínio; já para não falar de todas as outras questões a nível de família (ou a falta de) e tudo o resto.
Mas a realidade tem sido essa. Somos formados para ensinar um ideal de aluno, em vez de sermos preparados para levar os nossos alunos a um IDEAL.
E o que acontece, então, quando entramos numa sala de aula e constatamos que aquele ideal de aluno não se encontra à nossa frente? O que fazemos?
Simples.
-Simples? -pensarão alguns.
Sim, simples. Como num passe de mágica, unimos três pontos: começamos por tentar compreender o que se passa, o que pensa, o que sente esse nosso aluno, tentamos sentir as suas frustações, as suas revoltas; juntamos com tudo o que sabemos, com tudo o que vivemos enquanto professor E ser humano; e, o principal, CONTINUAMOS a estudar, a aprender, a aplicar tudo o que possa contribuir para CHEGAR a esse aluno e transformá-lo num belo IDEAL.
Pois, está bem: mágica! Bela palavra.
Claro que não há mágica nenhuma.
O que há, simplesmente, é muito trabalho, muita dedicação, muito afecto para com todos os alunos e acreditar, fortemente, que eles são os MEUS ALUNOS IDEAIS.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

in "O Vendedor de Sonhos"


Certa vez, houve uma inundação numa floresta imensa. O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os animais grandes bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás. Devastavam tudo o que estava à frente. Os animais mais pequenos seguiam os seus rastos. De repente, uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na direcção oposta procurando a quem salvar.
As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram: “És louca! O que poderás fazer com um corpo tão frágil?” Os abutres bradaram: “Utópica! Vê se enxergas a tua pequenez!” Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. As suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase a desistir… Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, atirou-se à água e com muito esforço pegou no diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote no bico.
Ao regressar, encontrou outras hienas, que não tardaram em declarar: “Maluca! Quer ser uma heroína!” Mas não parou; muito cansada, só descansou depois de deixar o pequeno beija-flor num local seguro. Horas depois, encontrou as hienas debaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: “Só me sinto digna das minhas asas se as utilizar para fazer os outros voarem.”
(Augusto Cury)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Outra vez...


Outra vez, a mesma mistura de sentimentos.
Outra vez, a alegria de receber uma boa notícia.
Outra vez, a tristeza de saber que aquele nosso colega vai para longe de nós.
Outra vez, a angústia da nossa amiga não saber nem para onde vai.
Outra vez, temos sentimentos tão diferentes dentro de nós.
Outra vez, a expectativa de conhecer novos colegas.
Outra vez, a experiência de reiniciar novos relacionamentos.
Outra vez... tudo ... outra vez...
Até quando... outra vez?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Querido Ollie" - Stephen Foster


Eu sei que alguém diria: "Puxa vida, agora andam a aparecer um monte de livros a falar de cães!"

Pessoalmente, já li:

"Marley & Eu", de John Grogan;

"Quill - A vida de um cão-guia", de Kengo Ishiguro;

"Amados Cães", de José Jorge Letria;

"Uma vida de cão", de Kim Levin;

"A encantadora de cães", "O melhor amigo do cão" e "As setes idades do seu cão", de Jan Fennel.


"Querido Ollie é a história real de um homem que não gosta de cães, de um cão que não gosta de homens, de uma luta e de uma conquista."


E é uma história sobre um cão que não tem pedigree. Uma história alegre, feliz, hilariante, bonita.

Gosto de cães mas, aqueles que são chamados de: viralatas, rafeiros, cruzados, arraçados, enfim, aqueles que recebem a sigla SRD = Sem Raça Definida; têm algo especial.

Cada cão é único no seu temperamento, na sua personalidade mas os SRD também são únicos nas suas características físicas... e na sua "malandrice".

Eles têm um certo "ar" de malandros, de traquinas, de espertalhões.

Já tive cães com raça definida e ocupam um lugar no meu coração, como todos os outros que tive.

Afinal, desde bebê que sempre tive a companhia de anjos de 4 patas.

Independentemente, de ter ou não pedigree, os cães são basicamente isso: anjos caninos.

"A Profecia Celestina" - James Redfield


Uma leitura interessante que daria tema para muitas horas de boa conversa.


"Quando alguém se cruza no nosso caminho, traz sempre uma mensagem para nós. Encontros fortuitos são coisa que não existe. Mas o modo como respondemos a esses encontros determina se estamos à altura de recebermos a mensagem."


Li, certa vez, que "O Acaso não existe. O Acaso é o pseudônimo que Deus usa quando não quer assinar."

Tenho passado por muitas situações dificéis na minha vida em que sempre aparece alguém, ou acontece algo, que muda o rumo das coisas e, na maior parte delas, para algo melhor.

Alguns diriam que são puras coincidências...

Não sei. Tenho cá minhas dúvidas...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tudo que se quer...


Mais uma vez, agradeço a Deus, pela pessoa tão especial que tenho ao meu lado: meu marido.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As Baleias


Tomara que nunca desistam de salvá-las...

terça-feira, 16 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Sem vergonha de ser e estar Feliz"


Ando um pouco cansada e com falta de paciência para determinados tipos de coisas.
Eu já passei por tanta coisa…
Já passei por uma guerra, por grandes decepções, já perdi pais, filhos, tios e avós e muita gente conhecida…
Sim, muita gente que significava algo para mim.
Meus colegas de escola, companheiros de brincadeiras, colegas de meus pais, meus colegas de trabalho, vizinhos que o curso da vida fez com que não nos encontremos mais.
Sou do tempo em que só podíamos contar com o carteiro para trocar notícias com as pessoas que não viviam perto de nós. Bastava uma ou duas cartas extraviarem-se que, pronto, perdíamos completamente o contacto.
Era uma pena. E o que passava pela nossa cabeça? Teriam mudado de casa, viajado para outro país ou morrido?
Agora, tocando nesse assunto, nunca nos passava pela cabeça que tinham deixado de gostar de nós. Afinal, o que sentíamos, o que vivíamos, o que partilhávamos, o que confidenciávamos, tudo isso era o que mantinha os laços de afectuosidade que nos unia. E, por incrível que possa parecer, essa afectuosidade continuava e continua viva em nossos corações e as memórias desses tempos continuam a ser sempre recordadas com melancolia e saudade.
Quando gosto de alguém, significa que existe algo especial nessa pessoa. O quê? Tanta coisa…
Quando gosto, não importa a distância, a idade, o sexo, o peso, a altura, o gosto, duvidoso ou não, pela moda ou gastronomia, nem a quantidade de vezes que estou com essa pessoa.
Em todos os momentos que estou com pessoas de quem gosto, o mais importante é a qualidade desses momentos.
Quando gosto é, principalmente, porque em momentos alegres, descontraídos, delicados, difíceis, conturbados, (de ambos os lados), houve sempre uma mão estendida, um ombro encostado, um ouvido atento, um gesto único. Momentos de grande qualidade.
E depois? E depois de passar os tempos difíceis? Coloca-se de lado essa pessoa? Arruma-se na prateleira para quando for preciso usá-la noutra situação?
Há, realmente, quem faça isso. E é exactamente com isso que estou cansada e sem paciência para ficar na prateleira.
A partir de agora, vou virar uma página nos meus afectos.
Não. Não quero e não vou ficar sentada numa prateleira à espera de ser novamente usada.
Chega. Basta.
E, apesar de tudo pelo que já passei, não tenho vergonha de viver momentos felizes.

domingo, 7 de junho de 2009

"Felicidade é sentir-se rico."

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.
A sua cama estava junto da única janela do quarto.
O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias...
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.
Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia apassar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou um corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.
Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem...


Moral da História:

Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.

A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens que o dinheiro não pode comprar.

" O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente."

(desconheço quem é o autor deste texto; recebi de uma amiga e colega de trabalho e ressolvi partilhar)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Será que eu é que estou fora de contexto?


Algumas vezes tiro certos momentos para reflectir em determinadas atitudes dos seres humanos.

Sei que isso não vai mudar em nada tais atitudes mas continuo a tentar entendê-las.

Já tenho percebido que algumas pessoas exigem dos outros certas "respostas", quando elas próprias não fornecem essas "respostas".

Exigem atenção mas não dão atenção.

Exigem carinho mas não são carinhosas.

Exigem dedicação a tempo inteiro mas só se dedicam quando existe algum interesse.

Porquê são assim?

Quando olho para os meus cães (nossa, quanta diferença!), primeiro dão-me toda a atenção e depois esperam que eu lance os brinquedos deles.

Atiram-se sobre mim, lambendo-me as mãos e depois ficam à espera de uma simples festa.

Dedicam-se totalmente a mim e esperam (claro) que eu possa dedicar-lhes tudo o que merecem.

Mas nesta relação, não há cobranças; simplesmente, os seres vivos possuem um respeito mútuo.

Seria muito bom que as pessoas aprendessem com os animais irracionais...

Só tenho receio que as atitudes dessas pessoas, possam "brutalizar-me".

Será? Não sei.

Espero bem que não mas, por outro lado, cada vez mais vou descrendo da raça humana.

No entanto, há algo positivo nisso tudo.

De repente, conhecemos pessoas que parecem possuir os mesmos ressentimentos e sentimentos. E quando cruzamos com esses HUMANOS, temos a sensação que não estamos fora do contexto.

Quando começamos a conviver com esses HUMANOS voltamos a acreditar na raça humana e que a AMIZADE é algo precioso e que "NOS FAZ UM BEM DANADO".

E cada momento que partilhamos faz-nos acreditar que é possível existir respeito mútuo, carinho mútuo, atenção mútua, dedicação mútua; e que tudo isto torna estes momentos em algo muito especial.

Que bom que ainda existem Pessoas HUMANAS e é óptimo quando cruzamos com elas...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dia da Espiga


“Esta quinta-feira, assinalada no calendário cristão como a da Ascensão - em que a Igreja comemora a ascensão de Jesus Cristo ao Céu -, é igualmente o dia em que tradicionalmente se ia ao campo colher um ramo, no qual a espiga de trigo era o elemento mais simbólico. Compunham igualmente o ramo, um malmequer, uma papoila, um ramo de oliveira, um ramo de parreira e um pé de alecrim. Simbologia associada a cada elemento: Espiga – Pão; Malmequer – Ouro e prata; Papoila – Amor e vida; Oliveira – Azeite e paz; Videira – Vinho e alegria; Alecrim – Saúde e força.Manda a tradição que no “Dia da Espiga” os jagozes saiam da sua terra para animadamente “povoar” zonas mais saloias e, em jeito de passeio, levem a sua família e amigos para um alegre piquenique. São vários os petiscos típicos para este dia. Se uns escolhem a churrascada, outros preferem o coelho com ervilhas, o arroz de pato ou até o ensopado de borrego, entre outras iguarias. O que não pode faltar é a rega vinícola, seja branca, tinta ou verde, muita alegria e boa música para dar cor à festa.De há uns anos para cá, os mais jovens reúnem-se na noite de quarta-feira na Foz do Lizandro onde acampam até o dia nascer. As fogueiras dão o tom quente à noite, de onde vem também o aroma inconfundível dos grelhados. No fundo, é uma festa típica portuguesa. Come-se, bebe-se e emerge a diversão por entre várias gerações naquilo que os jagozes, e não só, mais gostam: uma boa festa!”


(Texto de César Moreira)

domingo, 10 de maio de 2009

GRANDE PROFESSOR



Meu Professsor, grande Amigo, excelente Maestro.
Tive uma agradável surpresa em ver estes vídeos. Parece que um filme desenrolou-se na minha memória: as aulas, os ensaios, as apresentações, os ensinamentos, as lições de simplicidade, o exemplo de um Amante da Música; tanta coisa...

Maestro Antonio Manzione



Parabéns, Maestro. Que seu trabalho seja sempre bem reconhecido.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Amor à Mãe" (desconheço o autor)


"Ama a tua mãe, enquanto a tens e enquanto
O teu sorriso é o seu deslumbramento,
Porque nunca acharás quem te ame tanto
Assim, quem tanto sinta o teu tormento!

Que nunca a deixes ao esquecimento...
Lembra-te sempre, na existencia, o quanto
Ela chora contigo este teu pranto,
E sofre muito mais teu sofrimento!

Ama-a, que um dia sentirás, por certo,
A ausência dela e, de saudades mudo(a),
Sofrerás na aflição deste deserto...

E chamarás, em vão, na estrada agreste
A quem te deu seu sangue, a vida, tudo,
Em troca dos trabalhos que lhe deste!"


Não existem palavras suficientes para descrever o que sinto pela minha Mãe...

Minha grande e muito sábia Amiga, meu colo, minha cura, minha conselheira, meu TUDO...
Conhecia-me como ninguém...
Lia a minha alma...
Tinha sempre a palavra certa para toda e qualquer situação, por mais difícil que fosse...
Era o alicerce da nossa casa (como meu pai costumava sempre dizer)...
Possuía uma grande Fé; fé em Deus e no ser humano. Para ela, todas as pessoas mereciam uma segunda, terceira, quarta,..., oportunidade...
Nunca desistia; de nada e de ninguém...
Transmitia uma calma, uma serenidade, que todos gostavam de estar na sua companhia...
Minhas colegas de estudo preferiam ir para a minha casa, porque lá "sentiam paz"...
Os animais sempre a procuravam (era incrível); os nossos cãezitos, quando estavam doentes ou sentiam dores, era para ela que corriam...
Gostava muito do meu marido e, pela primeira vez na vida, não lutou contra a dor... Sentiu que ele iria me fazer feliz e ... partiu ... Como ela mesma dizia, foi encontrar-se com o amor da vida dela, meu pai.
Como sempre, ela estava certa...
A vida da minha mãe foi uma permanente lição: lição de como viver, como amar, como ser feliz, como fazer os outros felizes...
Mas ela não me ensinou como fazer para que ela fosse eterna... apesar de ser eterna nas minhas lembranças...
Deixou uma grande saudade...
Fazes-me falta...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Consigo vêr o que eu quiser!!!"


"Na minha cozinha tenho uma janela, e nela vejo o que me apetecer. Consigo vêr as ondas do mar e ao longe o passar de um navio que se confunde no horizonte como um leve rabisco que atravessa o sol na sua plenitude, naquela côr que só o sol tem num quente mas fresco entardecer. Consigo sentir o cheiro de uma manhã fresca que a noite deixou marcas, como pequeninas gotas de orvalhada...hummm e que cheiro inconfundível... Embaciados ficam os vidros da minha janela, porque cá dentro a lareira está acesa, mas lá fora, uma noite fria mas um céu estrelado daqueles que nos fazem sonhar com fadas de encantar... ...consigo vêr tanta coisa da minha janela...sentir, cheirar, vêr...enfim, sonhar. A minha janela não é de ouro nem de prata, ainda está a ser construída mas, é feita essencialmente de carinho, muita cumplicidade, respeito e sobretudo de sonhos, tantos quanto nela couberem ou, tantos quanto "nós" quisermos sonhar!"



Ao ler este texto, senti-me a ser transportada através de uma janela que se abre para tantas sensações, sentimentos, recordações.



Obrigada, Carla, pelo texto que tu, gentilmente, me ofereceste.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu posso...


Que lição para muitos de nós que desistimos ao primeiro obstáculo...

domingo, 26 de abril de 2009

Natural

Existe algo mais lindo do que as obras que a Natureza nos dá?
Existe algo mais lindo do que os gestos que transmitem carinho, atenção, cuidado, bem-querer?
Existe algo mais lindo do que olhar o céu, observar o movimento das marés, reparar no vôo dos pássaros, rir com o riso das crianças?
Existe algo mais lindo do que saborear uma refeição confeccionada com alegria?
Existe algo mais lindo do que ter Amigos?
Existe algo mais lindo do que ter um grande companheiro?
Existe algo mais lindo do que viver a Vida?
Existe algo mais lindo do que, apesar de tudo, SER FELIZ?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Como um mar...


Sempre tive a mania de dizer que a minha vida era como um mar: cheio de ondas.
Já tive que enfrentar ondas muito altas, fortes, mas que também proporcionavam um diferente ângulo de visão. Já naveguei num mar calmo, com ondas bem pequenas que criavam um ambiente óptimo para a reflexão, para o vôo do pensamento...
Enfim, gosto do mar; da sua plenitude, das suas surpresas, dos seus segredos, da sua força, da sua beleza; apesar de, às vezes, sentir medo. Mas, acima de tudo, tenho um profundo respeito por ele.
Pois é, respeito. No fim das contas, é exactamente isso que devemos ter com tudo, com todos: RESPEITO.
Respeito pela vida, pelos outros, pelos animais, por nós.
Respeito pelos nossos sentimentos. Vivê-los intensamente, sem prender lágrimas nem sorrisos.
Só assim, poderemos "curtir" a nossa Viagem.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pastilhas Elásticas


Embrulhe as pastilhas elásticas antes de as deitar fora! Atraídos pelo cheiro adocicado e pelo sabor de fruta, os passarinhos tentam comer restos de pastilhas elásticas deixadas, irresponsavelmente, em qualquer lugar. Ao sentirem a pastilha colada no seu bico, tentam, desesperados, retirá-lo com os pés… E aí, acontece o pior: acabam sufocados. Por favor, embrulhe a pastilha num pedaço de papel e deite-o no lixo.

Divulgue esta mensagem! Seja você também consciente e ajude a Natureza! Há tanta coisa simples que podemos fazer para evitar tanta coisa assustadora! Esta é uma delas…

Quercus

Retirado do blogue de Nuno Anjos Pereira

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pensamentos

"Os animais, como o homem, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento." (Charles Darwin)

sábado, 11 de abril de 2009

Se Anjos existem...

Se anjos existem,
encontramo-los nas amizades que persistem...
Cada amizade encontrada ao léu,
é como um anjo que desceu do céu...

Amizades que surgem para nos ajudar,
para nos fazer a vida melhor apreciar,
que nos fazem agora e sempre acreditar
que tudo sempre pode melhorar...

Se todos no mundo entendessem
o valor de uma amizade verdadeira,
não fariam tanta besteira,
e não deixariam que tantas
coisas acontecessem...

Amigos não enxergam apenas as qualidades,
embora delas todos tenham necessidade...
Amigos convivem com nossos defeitos,
porque somos humanos,
portanto, imperfeitos...

Aceitam-nos, e nos aceitam,
como os seus aceitamos,
e os aceitamos também...

Esses anjos não dispõe de asas,
nem tampouco caminham sobre brasas,
mas tem em sua alma um doce sentimento
que nos conforta em momentos de lamento,
e lhes damos toda essa reciprocidade,
sempre querendo sua felicidade...

Assim, todos somos anjos,
pois não creio que possa haver alguém
que não tenha uma amizade sequer,
em cujo ombro possa se consolar,
em cujo coração possa habitar...

Todos somos anjos neste mundo,
bastando-nos desenvolver
esse sentimento profundo...
UMA TERNA E ETERNA AMIZADE.

Marcial Salaverry

Se anjos existem...(Marcial Salaverry)

"Segredos de Família"; Kim Edwards


Recebi este livro das mãos de uma aluna; escolha feita pelos seus pais. Confesso que quando li a contracapa, senti um leve aperto no coração. Pensei que talvez fosse uma leitura que iria deixar-me deprimida. Mesmo com um pouco de receio, comecei a ler. De repente, estava tão envolvida na "trama" que não conseguia parar. Uma história muito bonita. Aqui vai o que li na contracapa:

"A história deste romance notável começa numa noite de Inverno de 1964, quando uma tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto dos seus filhos gêmeos. O filho, o primogênito, é perfeitamente saudável, mas David apercebe-se de imediato que a filha é portadora de síndroma de Down. Convencido de que está a fazer o que está correcto, David toma uma decisão precipitada que irá ensombrar as suas vidas para sempre. De leitura cativante e profundamente comovente, Segredos de Família é uma história brilhante sobre vidas paralelas e o poder redentor do amor."

Apenas uma sugestão de leitura.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Momento Feliz


O que é um Momento Feliz?
Uma viagem?
Um presente há muito desejado?
Um evento especial?
Um reencontro com alguém muito querido?
Sim. Tudo isso podem ser Momentos Felizes.
Estar na companhia de pessoas sinceras, francas, alegres (apesar de tudo que possam ter sofrido ou não) também se transforma num Momento Muito Feliz.
Um dia, alguém disse que, nos tempos de hoje, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que desejam desenvolver um relacionamento sem interesses. Na altura, respondi que é possível; é possível nascer uma amizade desinteressada. Mas, pensando melhor …
Não, não há relacionamentos sem interesses; não há amizades desinteressadas.
Existe, sempre, um grande Interesse: Viver Momentos Felizes com nossos Amigos!
E como nasce um Amigo?
Não sei.
Mas que tal… “estava escrito nas estrelas”!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Era uma vez...


Era uma vez duas abelhinhas: a “abelhinha mais velha” e a “abelhinha mais nova”.
Eram muito amigas e gostavam muito de conversar. Muitas vezes, a “abelhinha mais nova” desabafava com a “abelhinha mais velha” e esta tentava ajudá-la dando algumas sugestões para que a “abelhinha mais nova” pudesse melhorar seu astral.
A “abelhinha mais velha” não vivia numa colmeia grande, nem seguia a moda; praticamente, vivia com o que a natureza lhe oferecia. Já tinha vivido em outras regiões, já tinha conhecido muitas abelhas, e também já tinha perdido algumas abelhas mais sábias que sempre a ajudaram a enfrentar situações menos boas. Agora, vivendo nesta colmeia, já conhecia outras abelhas, cada uma diferente da outra, pois não há duas abelhas iguais; mas tinha um afecto especial por esta “abelhinha mais nova”. Apesar de ter muitas amizades entre as abelhas conhecidas, estava sempre preocupada com esta “abelhinha mais nova”, não por ser frágil, porque não era, mas porque era especial.
Porém havia algo que deixava a “abelhinha mais velha”, um bocado triste; que era o seguinte. Sempre que a “abelhinha mais nova” estava de baixo astral, procurava a “abelhinha mais velha” para ouvir o que esta tinha a dizer-lhe.
A “abelhinha mais nova” sempre ouvia com muita atenção tudo o que ela dizia mas… o que realmente deixava a “abelhinha mais velha” triste é que, passado algum tempo, a “abelhinha mais nova” chegava toda contente, falando que a abelha “x”, aquela que vivia numa colmeia grande e que estava sempre na moda, disse algo MUITO INTERESSANTE e… era exactamente o que a “abelha mais velha” tinha dito naquela altura de baixo astral!
Também havia outras alturas, em que a “abelha mais velha” sugeria algumas idas a certas colmeias vizinhas e a “abelha mais nova” dizia que não seria interessante mas… passado algum tempo… vinha contar à “abelha mais velha” que tinha ido passear com a abelha “y”, aquela que tinha uma colmeia com vista para o mar, a certas colmeias MUITO INTERESSANTES.
A “abelhinha mais velha” foi-se acostumando a estas situações mas, às vezes, parava para reflectir e, num certo dia, estava a escrever as suas reflexões numas pétalas de uma violeta, onde tinha pousado.
Quando terminou de escrever, a violeta falou-lhe:
“És uma tonta! Não entendo porque ficas triste. O que é mais importante? Não é fazeres esse alimento tão rico: o mel? Então, faz o que realmente é importante. Não importa como cada um usa o teu mel, pois ele sempre fará bem.”
A “abelhinha mais velha” ainda estava a pensar no que tinha dito a violeta, quando chegou a “abelhinha mais nova” e pôs-se a ler o que estava escrito nas pétalas. Conforme ia lendo, foi ficando toda preocupada pois começou a perceber que, o que estava escrito, dizia respeito a ela, e ela não fazia ideia que deixava a sua amiga tão triste, mas, rapidamente, a “abelhinha mais velha” tranquilizou-a, dizendo:
“Eu conheço-te muito bem e, apesar disso, continuo a gostar muito de ti e sempre estarei aqui, na minha colmeia, sempre pronta para te ouvir e ajudar no que puder, porque ADORO-TE e SEMPRE SERÁS MUITO ESPECIAL PARA MIM.”

domingo, 29 de março de 2009

Porquê?

Em muitos momentos de minha vida, fiz esta pergunta: Porquê?
Comecei, como todos, a perguntar porquê o céu é azul, o mal salgado, o gelo frio... perguntas de criança.
Depois, os Porquês foram ficando mais pesados.
Porquê o meu cão Pimpão ainda não voltou do doutor? Já se passou tanto tempo! Claro que não ia voltar...
Porquê a terra está a tremer? Porque S. Pedro está a mudar os movéis de lugar.
Porquê não conheci meu avô? Porque ele teve que ir fazer companhia a Deus.
Enquanto era criança, as respostas às minhas perguntas tinham uma certa lógica. Para quem acreditava em Pai Natal, em Anjo da Guarda e, principalmente, acreditava nas pessoas que davam a resposta, era natural que aceitasse essas respostas.
Mas cresci. Descobri que Pai Natal era um símbolo...
Descobri que nem sempre as respostas nos convencem, ou melhor, aliviam as nossas dores.
Porquê tive uma enorme decepção com alguêm que, simplesmente, idolatrava?
Porquê meu pai partiu quando, finalmente, tinha regressado à sua terra amada?
Porquê minha mãe foi embora quando eu tinha começado uma nova vida?
Porquê engravidei de gêmeos, se um morreu dentro de mim e o outro partiu depois de 22 dias?
Porquê?
É claro que já tratei de arranjar uma série de respostas possíveis:
-... chegou a hora. (essa é a que mais detesto)
-... para não sentir mais dores. (não me convence)
-... para não vir a ter problemas. (quem garante?)
-... porque Deus sabe o que é melhor. (???)
Não gosto muito de pensar nas respostas para estas perdas, pois começo a sentir um pouco de revolta.
Em vez disso, gosto de pensar no que tenho:
- Lembranças maravilhosas de tudo que vivi com meus pais.
- Pessoas amigas.
- O dia-a-dia da minha profissão e o prazer que tenho em exercê-la.
- Um marido que tem demonstrado ser um grande amigo, um óptimo companheiro, uma força que ajuda-me a não pensar em respostas para certas perguntas.
- E os meus câezitos, minhas sombras.
Não vou negar que ainda vou ter muitos dias em que vou olhar para o céu estrelado e fazer sempre a mesma pergunta: Porquê?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pai

Já ouvi muitas vezes as pessoas lamentarem, ao lado de um caixão, o pouco tempo que passaram com esse familiar ou amigo.
Só lamento não ter tido mais tempo para continuar a fazer o que sempre fiz: aproveitar sempre a companhia do meu pai.
Quando eu era criança, ele era o meu companheiro de brincadeiras.
Lembro, perfeitamente, que quando ele saía para o trabalho, eu ainda dormia e quando ele chegava do trabalho… eu já dormia. Mas havia o domingo. Ah, o domingo! Era o nosso dia! Começava logo cedinho, eu pulando na cama dos meus pais para começar a “farra”, enquanto minha mãe preparava o pequeno-almoço. Depois, se o tempo estivesse agradável, íamos passear no Jardim da Estrela, e eu brincava nos baloiços. Grandes passeios! Mas, se chovesse? Brincávamos com os carrinhos (meu pai fazia caminhos pelo meio das almofadas e almofadões, e móveis e tapetes e minha mãe … só sorria, divertida com as cenas que fazíamos).
Com meu pai, aprendi a soltar papagaio, a jogar ao pião, ao mikado, ao dominó e às damas.
Fui crescendo e meu pai foi tornando-se “aquele” que sabia muito.
Começamos a coleccionar selos. E atrás de cada selo, havia sempre uma lição que aprendi sem perceber que aprendia: geografia, história, política, personagens famosas, etc. Esses momentos foram fazendo parte da nossa vida.
Foi na adolescência que desabrochou em mim uma grande paixão: o prazer de ler; e como meu pai soube alimentar essa paixão. Paixão essa que se tornou um amor eterno. Como ele foi “direccionando” os autores e os temas para que o “prazer” não se apagasse na primeira decepção.
Começou a fase de “quando crescer quero ser”… e eu quis ser: professora, cientista, veterinária, activista do Green Peace… E meu pai nunca se divertiu com estas minhas ambições, pelo contrário, provocava-me a que descobrisse em que consistia cada actividade dessas. Mas quando os amigos perguntavam-lhe o que ele gostaria que eu fosse (médica, advogada, engenheira,…); meu pai sempre respondia: “Quero que ela seja feliz na profissão que escolher, seja ela qual for.”
Meus pais já tinham passado dos 30 anos quando eu nasci. Sempre ouvi falar do “conflito de gerações”, mas nunca soube o que era isso. Não sei o que é a “idade do armário”.
Nunca tive discussões com meu pai? É claro que tive e não foram poucas. A grande maioria por caprichos meus, por causa do meu feitio (muito parecido com o dele, claro). Também houve umas poucas em que ele esteve errado. Nessas vezes, ele sempre foi HOMEM suficiente para reconhecer o erro e pedir desculpas. Por incrível que pareça, nesses momentos, ele ainda crescia mais aos meus olhos.
Muitas vezes cancelei saídas com colegas porque preferia passear à beira-mar com ele.
Sempre foi o meu companheiro, o meu amigo, o meu conselheiro, a minha referência.
Ele ensinou-me que a maior lição está na “atitude” e não só nas palavras. Aquela frase “faça o que eu falo e não o que eu faço”, nunca teve serventia lá em casa.
O que meu pai “exigia” de mim, ele também praticava. Se eu tinha que dizer aonde ia, com quem e a que horas voltava; meu pai também tinha a mesma atitude com minha mãe; por exemplo.
O respeito sempre foi uma via com dois sentidos.
Meu pai sabia cativar os jovens, os velhos, as crianças. Como? Era tão simples: sabia ouvi-los.
Como é bom quando alguém nos ouve.
Enfim, podia escrever muito mais sobre o meu pai mas … por tudo isto e muito mais, sinto muito a tua falta, Pai.

sábado, 14 de março de 2009

AVISO - Para quem visitar a minha casa:

"Preste Atenção!!!
Se não quiser ser recebido por patas e rabinho "dançante", não entre... porque um cão vive aqui.
Se não gosta de nariz gelado e língua molhada, não entre... porque um cão vive aqui.
Se não quiser tropeçar nos brinquedos espalhados, não entre... porque um cão vive aqui.
Se acha que uma casa deve estar sempre cheirando a perfume, não entre... porque um cão vive aqui.

Mas se não se importa com nada disso, você será muito bem recebido em meu lar e muito amado também...

1. Seja bem-vindo.
2. Lembre-se de que meu cachorro vive aqui. Você não.
3. Se você não quer pêlos de cachorro em suas roupas, fique longe dos móveis.
4. Sim, os cachorros têm hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E daí?!
5. CLARO que ele cheira a cachorro. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 400 vezes mais sensível que o seu e sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar.
6. É da natureza dele tentar cheirar você. Por favor, sinta-se à vontade para cheirá-lo também.
7. Se existisse algum risco do cachorro mordê-lo, eu não o deixaria se aproximar de você. Porém, não posso impedi-lo de responder a agressões, as quais podem ocorrer até em pensamento, seja para com ele, seja para comigo a quem devota fidelidade. Os cachorros percebem, tenha certeza.
8. Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cachorro tentar lambê-lo é porque aprova sua presença e quer demonstrar isso carinhosamente a você; e lembre-se que cachorros não mentem ou fingem.
9. Aqui cachorro recebe devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos.
Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos, e a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza nos são transmitidas por outros humanos.
10. Há diversas situações nas quais cachorros são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente em sua fidelidade e sinceridade.
11. Para alguns ele é um simples cachorro. Para mim é um filho adotivo que anda de 4 e não fala tão claramente. Eu não tenho problema em nenhum desses pontos. E você?
12. Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo. Até pelo cachorro. Eles são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza verdadeiros amigos de pessoas falsas."
"Existem pessoas que não gostam de cães, estas, com certeza, nunca tiveram em sua vida um amigo de quatro patas. Ou, se tiveram, nunca olharam dentro daqueles olhos para perceber quem estava ali."

Desconheço o autor mas, com certeza, assinaria este texto.