Memorial

Companheiros de Pensamentos

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fado


Se há 20 anos, alguém me convidasse para ir a uma Noite de Fados, com certeza que arranjaria uma boa e educada desculpa para esquivar-me a tal programa.
Sim, há 20 anos eu dizia que não gostava de fado, que não gostava de Amália Rodrigues; apenas ouvia, um pouco, Carlos de Carmo e Francisco José.
Meu pai não era um grande apreciador de Fado, ao contrário de minha mãe que era uma fã de Amália Rodrigues, Ermínia Silva, Fernanda Baptista, Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo e de muitos outros nomes marcantes da nossa música.
Hoje, acho que meu pai não gostava dos fados que faziam nascer algumas lágrimas nos olhos de minha mãe… Se calhar, talvez fosse por isso que eu também não gostava…
Há 10 anos fui à minha primeira Noite de Fados, apenas para agradar minha mãe e lá vi, novamente, algumas lágrimas nascerem nos seus olhos quando ouvia determinados fados. Mas, ao contrário do que imaginava que poderia sentir, entendi perfeitamente o porquê dessas lágrimas pois elas também apareceram nos meus olhos.
Lágrimas que traduziam saudade de alguém muito querido: meu pai.
Nessa noite, comecei a gostar de Fado. Comecei a apreciar os diversos estilos de Fadistas. Comecei a aprender a ouvir Amália Rodrigues e não só.
Há dois dias fui a mais uma Noite de Fados (já tenho ido a várias), com meu marido que também é um bom apreciador.
Foi uma Noite de Fados linda, com uma mistura de melancolia, saudade, tristeza, mas também muita alegria e com vozes magníficas.
Não sou uma entendida em Fado, apenas sei dizer se gosto ou não de ouvir certos Fados ou certos Fadistas mas acho que Fado rima com Saudade.
Uma Saudade que gostamos de sentir, apesar de fazer-nos chorar, uma Saudade que procuramos reviver, uma Saudade que, no fim, faz-nos sorrir.

4 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Não sou apreciador de fado, nem entendido, confesso!
Mas, ó estranha intromissão, sempre que uma saudade me bate gosto de ouvir fado!
Vá lá explicar-se tal apelo da saudade!
Abraço

Carla Silva disse...

Por isso o fado é português assim como a palavra saudade.
Um destes dias havemos de ir juntas, prontooooo as duas a chorar bába e ranho...lol.
Beijinho amiga.

nunoanjospereira disse...

Desde pequenino que me lembro da minha mãe cantar fado em casa. Tem um vozeirão! Já grandote começei a perceber as letras dos fados que ela cantava. Hoje sou eu que deixo que escorram as lágrimas de alegria, quando com saudade, toco e (tento) cantar o Viseu Senhora da Beira, recordo com saudade e alegria, os meus melhores momentos e amigos. Não é o samba, não são as polkas, talvez sejam os blues do delta do Mississipi que, eventualmente façam um apelo ao coração parecido com o que o fado faz.

Rosa Carioca disse...

Claro, Amiga, vamos sim!
Nuno, como te entendo!