Memorial

Companheiros de Pensamentos

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Sem vergonha de ser e estar Feliz"


Ando um pouco cansada e com falta de paciência para determinados tipos de coisas.
Eu já passei por tanta coisa…
Já passei por uma guerra, por grandes decepções, já perdi pais, filhos, tios e avós e muita gente conhecida…
Sim, muita gente que significava algo para mim.
Meus colegas de escola, companheiros de brincadeiras, colegas de meus pais, meus colegas de trabalho, vizinhos que o curso da vida fez com que não nos encontremos mais.
Sou do tempo em que só podíamos contar com o carteiro para trocar notícias com as pessoas que não viviam perto de nós. Bastava uma ou duas cartas extraviarem-se que, pronto, perdíamos completamente o contacto.
Era uma pena. E o que passava pela nossa cabeça? Teriam mudado de casa, viajado para outro país ou morrido?
Agora, tocando nesse assunto, nunca nos passava pela cabeça que tinham deixado de gostar de nós. Afinal, o que sentíamos, o que vivíamos, o que partilhávamos, o que confidenciávamos, tudo isso era o que mantinha os laços de afectuosidade que nos unia. E, por incrível que possa parecer, essa afectuosidade continuava e continua viva em nossos corações e as memórias desses tempos continuam a ser sempre recordadas com melancolia e saudade.
Quando gosto de alguém, significa que existe algo especial nessa pessoa. O quê? Tanta coisa…
Quando gosto, não importa a distância, a idade, o sexo, o peso, a altura, o gosto, duvidoso ou não, pela moda ou gastronomia, nem a quantidade de vezes que estou com essa pessoa.
Em todos os momentos que estou com pessoas de quem gosto, o mais importante é a qualidade desses momentos.
Quando gosto é, principalmente, porque em momentos alegres, descontraídos, delicados, difíceis, conturbados, (de ambos os lados), houve sempre uma mão estendida, um ombro encostado, um ouvido atento, um gesto único. Momentos de grande qualidade.
E depois? E depois de passar os tempos difíceis? Coloca-se de lado essa pessoa? Arruma-se na prateleira para quando for preciso usá-la noutra situação?
Há, realmente, quem faça isso. E é exactamente com isso que estou cansada e sem paciência para ficar na prateleira.
A partir de agora, vou virar uma página nos meus afectos.
Não. Não quero e não vou ficar sentada numa prateleira à espera de ser novamente usada.
Chega. Basta.
E, apesar de tudo pelo que já passei, não tenho vergonha de viver momentos felizes.

4 comentários:

nunoanjospereira disse...

Eu gosto de quem sou, quando estou com as pessoas de quem gosto. Se elas hoje tem defeitos, foi porque existiu um tempo em que elas confiaram em mim para me contar esses defeitos. O contrário também é verdade: porque é que eu hei-de estar com quem me faz sentir mal? À velocidade que a vida passa, se eu não aproveitar a minha parte, quando estiver perto do fim, irei, tal como os outros, arrepender-me do que não fiz.

Rosa Carioca disse...

Cheguei exactamente a essa conclusão depois de ter reflectido muito. E tens razão: prefiro estar perto de quem contrbui para criar momentos felizes para ambos.

DrFunkenstein disse...

O que escreveste, descreve, infelizmente um periodo em que me encontro. Infelizmente aqueles que sempre pensamos que gostavam de nós incondicionalmente, apenas gostam quando satisfazemos os seus desejos egoistas... Infelizmente tenho sentido na pele atitudes de injustiça, criticas infundadas, incompreenssão, caprichos patéticos em vez de tolerancia, compreensão, cumplicidade e simpatia. infelizmente...iso tudo vem de quem me gerou...infelizmente...não me sinto bem com quem me faz entir mal... desculpa amiga pelo desabafo, mas veio no seguimento.

Rosa Carioca disse...

Não peças desculpa, amigo. Costumam dizer que a dor partilhada fica mais leve. Assim seja.