Memorial

Companheiros de Pensamentos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FELIZ 2015



Este ano não foi o melhor mas também não foi dos piores. Porém, continuo com a esperança que o próximo poderá ser melhor!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Feliz Natal

A todos os que passam por aqui!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Revista WOOF



 A revista WOOF já vai no seu 4º número.
É uma revista completa: histórias, dicas, lições, curiosidades, diversão... É uma revista que coloca, em primeiro lugar, o CÃO.
Não é uma daquelas revistas especializadas em exposições, raças, enfim...
Neste número de dezembro, saiu a história do meu KIBON!!!!!!
Para mim, foi um verdadeiro presente!

Quem não achou muita graça foi o Tejo...
Acho que ficou com uma boa dose de ciúmes...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Parabéns, Tejo!

PARABÉNS, TEJO !


E obrigada!

Há quase 9 anos recebíamos um presente fofo, maluco, divertido.
Um cão sem dono, sem pedigree, sem afixo, sem pais campeões, sem "raça" definida. Não sabíamos nada sobre ele, nem a idade ao certo. Apesar de não ser católica, decidimos que comemoraríamos o seu aniversário no dia 8 de dezembro. E tem sido uma benção na minha vida! Um cão ser uma benção? Sim, uma benção.
2004 não foi um ano nada feliz. Iniciei o ano com o falecimento de minha mãe, pela metade do ano, perdi os meus bebés e terminei o ano com um aborto espontâneo. Foram momentos muito dramáticos e estava muito difícil seguir em frente.
Já tinha a companhia do Kibon mas a chegada de um furacão em casa, obrigava-me a reagir rapidamente.
E foi assim que este cão rafeiro, vira-lata, ajudou-me muito a não cair numa depressão.
Ele obrigava-me a ensinar-lhe "boas maneiras".
Ele obrigava-me a brincar.
Ele obrigava-me a rir.
Ele obrigava-me a ver que a vida continua e que as pessoas que nos amam, mesmo não estando presentes fisicamente, querem sempre ver-nos felizes. 
E foi assim, que este cão "maluquito" evitou que eu caísse numa depressão (não tenho dúvidas).
E se alguém pensar: "E o seu marido?"
O meu marido viveu as mesmas dores (ele gostava imenso da minha mãe); portanto, não é exagero dizer que este cãozito ajudou, não uma, mas duas pessoas a voltarem a viver.

9 anos (mais ou menos = 61 aninhos) Valeu, Tejo!

domingo, 30 de novembro de 2014

Rena Tejo e Kibon Natal

Este post dá voz aos cães:

Não, não estou com "cara" de doente!
Não, não estou com "cara" de quem já vai para os 15 anos!
Esta é a "cara" de AGUEEEEENNNNTA ESSA DONA!!!!!!!
(Ass: KIBON)

Eu sei!
Lá vem ela, outra vez, querer transformar-me em rena.
Deixa para lá! É só uma vez por ano!
Afinal... esta é SÓ a 9.ª vez!
Eu aguento!
(Ass: TEJO)

sábado, 29 de novembro de 2014

Cheirinho a Natal!


Gosto imenso do Natal e não tem nada a ver com os presentes.
Desde criança, meus pais sempre procuraram mostrar que não são as "datas" que mandam nos comportamentos e atitudes das pessoas.
Não é preciso esperar o Natal para "ter" que lembrar de alguém.
Não é preciso esperar o Natal para praticar a solidariedade.
Não é preciso esperar o Natal para "ser bonzinho".
O Natal é sempre que nós quisermos.
Então, qual o motivo para gostar tanto do Natal?
O Presépio!
Meus pais contavam-me histórias através das figuras do presépio. Como eu deliciava-me com essas histórias. E a cada ano, eu pedia para repetirem as mesmas histórias. Histórias essas que eu transmito a quem vem visitar-me e aproveita para "passear" pelo presépio que começou a ser comprado por meu avó paterno de 1950 até 1960. Com o seu falecimento, o presépio ficou como ele deixou.
E desde essa época montamos sempre o presépio.
É claro que também montamos a árvore de Natal mas é o presépio que tem toda a magia e "cheirinho" a Natal.
"Cheirinho" esse que espalha-se pela casa em variadas decorações.

È assim que começa: serradura.

Desembrulhar todas as peças.

O anjo de "asa quebrada" também entra.


Uma variação deste ano.
Pensando na , Margarida e no João,
um gatinho também faz companhia ao Menino Jesus,

À direita..

... ao centro...

... à esquerda.





Sem esquecer as botas do Pai Natal!


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Presente em forma de CONTO

A Margarida escreve maravilhosamente bem!
No seu blog mas tu és tudo e tivesse eu casa tu passarias à minha porta, ela escreve contos de 250 palavras a partir de palavras (até 5) sugeridas por seus seguidores. E mais uma vez, recebi um espetacular presente em forma de conto com o meu título: "E eu que pensava..."
Passem lá, leiam o "meu" conto e todos os outros e, acreditem, não vão conseguir largar aquele blog.

sábado, 8 de novembro de 2014

COOKIE e BONECA


Hoje resolvi olhar fotos antigas.
Talvez por estar a aproximar-se a altura de que muitas pessoas dão cachorrinhos de presente, como se fossem um brinquedinho engraçado que os filhos fartam-se de pedir, detive-me em duas fotos.
A 1.ª é do Cookie, o meu primeiro cão, que foi-me oferecido quando eu nasci. É verdade; quando cheguei da maternidade, já lá estava.
Minha mãe sentou-se numa poltrona, chamou o Cookie e o Pimpão (na altura, já com os seus 11 aninhos), descobriu os meus pés e deixou que os dois “peludos” cheirassem, lambessem…
Ela contava esta história e dizia que a minha reação foi sorrir muito.
E assim, desde que me conheço por gente, sempre tive a companhia de um ou dois canitos. E também foi assim que, desde tenra idade, fui educada a cuidar, respeitar e procurar entender o cão. Meu pai até dizia: “o cão tem sempre razão”.
Não interessava a raça. Interessava aquele ser vivo que merecia toda a nossa atenção e responsabilidade.
Em certa altura, tivemos que ausentar-nos por cinco anos e o Cookie (o Pimpão já tinha falecido) ficou com familiares próximos, na mesma casa onde vivíamos. Quando retornámos, o Cookie já estava completamente cego, já tinha 13 aninhos; porém reconheceu cada um de nós, e sua alegria foi dobrada quando reencontrou minha mãe. Inesquecível!

A 2.ª foto é da Boneca.
A Boneca estava numa gaiola de uma loja de animais e impressionou-me porque, ao contrário do que costumamos ver com outros filhotinhos, essa coisinha minúscula mordia, raivosamente, a gaiola.
Perguntei ao dono da loja qual seria o preço dela (na esperança de estar além das minhas posses e conformar-me em não poder levá-la). Porém, ele respondeu que se eu sorrisse, dava-me de presente. Apesar de, na altura, ter uns 15 anos, conclui que aquele filhote devia ter algum defeito; ao que o dono esclareceu porque estava a oferecê-lo: não tinha raça e era fêmea. Imediatamente, olhei para a minha mãe e… lá trouxemos a Boneca.
A Boneca viveu quase 19 anos.
Quando alguém quer levar para casa um filhotinho fofinho, pequenino, engraçadinho, tem que ter plena consciência de tudo o que está em jogo. Está em jogo um bichinho que vai crescer, vai fazer asneiras, vai precisar de cuidados, principalmente, quando atinge a sua velhice.
A Boneca acabou por ficar cega, surda, com artrite (que dificultava muito a sua locomoção), teve que passar por duas cirurgias; mas sempre mereceu todo o nosso respeito, cuidado e muito, muito miminho.

Cão não é brinquedo!


terça-feira, 4 de novembro de 2014

OUTONO = SEM PIO

Gosto imenso do Outono.
A variedade das cores que formam mantas bem bordadas cobrindo a matureza.
O Outono também marca o ínicio de um novo ano letivo, cheio de expectativas, de esperanças, de anseios,...
Mas... também está a tornar-se a época em que perco a voz!
Outra vez, "de molho", a antibiótico, a anti-inflamtório, a anti-alérgico!
Porém... nada vai mudar o meu sentimento querido por essa estação.
Continuo a gostar imenso do Outono.

domingo, 26 de outubro de 2014

Agradecimento





Muitas vezes quando passamos certas situações, menos boas, surgem diversos sentimentos: raiva, tristeza, desconsolo, mágoa, deceção…
Depois, passado algum tempo, conseguimos ter outra visão acerca desses acontecimentos (por vezes, é preciso passar muito tempo…). Percebemos que, realmente, foi o melhor que poderia ter acontecido.
Nem sempre é fácil!
Precisamos tomar a devida distância para analisar todas as implicações que estão envolvidas nesses casos.
Alguns dirão que tem a ver com a idade… talvez… porém, hoje, consigo olhar para trás e dizer: OBRIGADA!
Obrigada por tudo o que passei, por tudo o que sofri, por tudo o que senti.
Agradeço, não por sentir que me tornei uma pessoa melhor (longe disso!), mas por dar valor a tudo o que tenho hoje, por tudo o que tenho conseguido até hoje, por ter aprendido tanto sobre a natureza humana, por ter aprendido a relativizar muita coisa.

MUITO OBRIGADA!


Tomara que possa ter sempre a perceção para retirar o melhor de todas as experiências vividas, sem necessitar de tomar tanta distância…

sábado, 18 de outubro de 2014

AMIZADE

"A AMIZADE É COMO A FOSFORESCÊNCIA:
BRILHA MAIS QUANDO O MUNDO,
À NOSSA VOLTA, ESCURECE."
OBRIGADA!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Vergonha!

Por um lado, estou feliz pelo fato do Tejo estar bem melhor. Ainda não está a 100%, ainda não tem forças suficientes para se aguentar, apenas, nas patas traseiras, mas vai indo no seu ritmo.
Por outro lado, sinto uma enorme vergonha como alguém, que se diz "professor", trata com tanto descaso, incompetência, desconhecimento e estupidez os seus colegas. Enfim... vou manter minha boca fechada...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Camerata Heitor Villa-Lobos - Parte 01







No Dia Mundial da Música, presto minha homenagem a um Grande Maestro e Excelente Professor; o meu Professor António Manzione.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Tejo em recuperação

Fico sempre muito feliz com os comentários que são colocados neste meu "cantinho" e queria agradecer, em especial, os deixados no post anterior: "Oh, Tejo!"
Muito obrigada.
O Tejo tem feito repouso absoluto, o que tem contribuído muito para a sua recuperação. O Dr. quer que esse repouso absoluto continue mas está confiante que o meu "maluquito" vai ficar bem.

Obrigada!

domingo, 17 de agosto de 2014

Oh, Tejo!

Esta é a única parte de que não gosto, no que diz respeito a animais: quando o Veterinário tem que ser requisitado!
O Tejo, que tem 25 kilos e é maluco por natureza, começou a coxear, a ficar muito tempo deitado na sua caminha e a olhar-me de um jeito que "dizia" que algo, menos bom, se passava.
No dia seguinte, não colocava a pata direita, traseira, no chão. Direto para o Veterinário.
Diagnóstico: rompimento dos tendões!
Meu coração apertou-se de uma maneira... Meu marido só não chorou porque... fez um enorme esforço..
O Dr., para além de aplicar-lhe uma injeção, recomendou REPOUSO ABSOLUTO.
O Dr. perguntou como isso podia ter acontecido.
Não sei!
Estou de férias, permanentemente em casa, com eles. Como pode ter acontecido?
O médico quis ver onde morávamos, pois se fosse preciso ir a casa, de urgência, não perderia tempo a procurar.
Quando chegou à nossa morada e viu as escadas de acesso... fez-se luz!
Claro que foi uma descida mais brusca (eu já disse que meu cão é maluco?).
Agora, o importante é conter a "maluquice" e fazer com que tenha o máximo de repouso (para que não seja preciso operar).
Mas o Tejo, para além de maluco, é muito esperto e já está a "poupar-se".
(Só receio que ele sinta uma pequena melhora e queira "amalucar-se".)
É nestas horas que eu queria gostar menos deles mas...

...é impossível não amá-los de todo o meu coração!


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Obrigadooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O Kibon agradece todas as mensagens de Parabéns que recebeu e manda um "cheiro" a todos os companheiros da dona.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

KIBON - 14 anos

Um Sénior!
Pois é; o meu Kibon completa 14 anos!
Olhando para esse cão “velho, meio surdo, pouca visão, com insuficiência renal, coração menos jovem, pelugem branca”… o que, realmente, eu vejo?
Vejo um cachorro lindo, alegre, meigo, companheiro, com um feitio especial mas com muita personalidade, um “anjo canino”.
Há pouco tempo, alguém me procurou, perguntando-me se conhecia alguém que quisesse uma cachorrinha novinha. Essa pessoa não podia ficar com ela porque o senhorio não permitia, o marido não queria, a filha não se acostumava, etc. Enfim, a cachorrinha seguiu para novos donos.
Qual o meu espanto, ao verificar que, após pouco tempo, essa pessoa tem uma outra cachorrinha, bem mais novinha.
Mas… e o senhorio?... o marido?... a filha?...
Pois é… Um cachorrinho-bebé é muito fofinho, muito engraçadinho!
Mas… acompanhar o crescimento de um cão dá trabalho e é preciso muita, mas muita paciência; sem falar, claro, de muito amor.
Palpita-me que, talvez, daqui a um tempo… a cachorrinha tenha que seguir para outros donos…
Com o Kibon não foi diferente. Deu muito trabalho educá-lo. Minha mãe teve que ter muita paciência, mesmo! Estragou muita coisa (mas mesmo muita coisa), sujou muito, assustou-nos imenso quando adoeceu, deu e dá despesa (claro!), diminuímos a duração de nossos passeios, nossas viagens, mas, como poderia ser diferente? Não dava para descartá-lo; aliás, ele faz parte do nosso agregado familiar.
E assim espero que continue por muito e bom tempo…

Parabéns, meu Kibon lindo!



sábado, 2 de agosto de 2014

BODAS DE AÇO: 11 Anos de Casamento

significado das bodas de aço

Bodas de aço - significado

Em um casamento é preciso firmeza e estabilidade, por isso o aço foi escolhido para representar o aniversário de 11 anos de casamento.
Para muitas construções se erguerem o aço é o principal material para assegurar a estabilidade de um alicerce, quando sofre impacto ele se deforma a fim de não se romper. Em 11 anos de casados o casal já passou por um turbilhão de impactos, mas foram capazes de moldar-se para que não houvesse um rompimento na união. (retirado daqui)

E "bota" turbilhão ...

domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves


Mais uma grande perda...


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Preparação para as férias!

Já me abasteci para as férias!


terça-feira, 10 de junho de 2014

Santo António

Desde pequena que minha mãe montava em casa, o trono de Santo António.
Meu pai, que não era católico, admirava a vida deste homem especial, a tal ponto que foi o escolhido para ser o meu padrinho de batismo. (A minha família tinha esse hábito: um dos padrinhos era da "terra" e o outro era do "céu".)
Desta forma, ainda mantenho a tradição (apesar de, também, não ser católica) e eis o meu trono.


 Apesar do que possa parecer, não, não coleciono "Santo António".
Tive uma mãe de aluno que, a cada ano, oferecia-me um pintado à mão;
e como o primeiro ciclo é de 4 anos, ganhei mais quatro.
Os últimos dois, foram adquiridos por mim. E já vamos em 8.

O primeiro, e que já tenho desde a minha infância, é o que está dentro da bilha
(alusão à lenda associada ao santo). O da esquerda foi um dos oferecidos pela mãe do aluno.

Os maiores também foram oferecidos
pela mãe do meu aluno.
O menor foi adquirido por mim.
O segundo (que é o que está mais recuado)
foi oferecido pela minha madrinha de casamento.
O maior é outro dos que foi oferecido pela mãe do aluno.
O menor, comprei por minha opção.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um Adolescente Especial

No dia das mães, do ano passado, escrevi numa rede social o seguinte estado:

"É sempre o pior dia do ano...
Mãe devia ser imortal...
Filhos não deviam morrer antes da mãe..."

E, nessa mesma rede social, nesse momento, uma mãe de um ex-aluno partilhou-me o seguinte:


Hoje no caminho da escola para casa, deu-se o seguinte diálogo:
Filho: Mãe viste a publicação da professora?
Eu: Qual publicação? (já imaginando que fosse sua...)
Filho: Uma em que ela escreve que os filhos não deviam morrer antes dos pais...
Eu: Sim, essa vi.
Filho: Fiquei a pensar porque terá ela escrito aquilo.
Eu: Porque foi no domingo o dia da Mãe e a Professora deve ter pensado que nem ela nem os seus filhos não tiveram a oportunidade de celebrar juntos este dia.
Filho: Ah pois, deve ter sido por isso... Coitada, deve ter ficado tão triste... Quando é o dia da Mãe para o ano?
Eu: Acho que é sempre no primeiro domingo do mês de Maio, porquê?
Filho: Porque para o ano quero dar-lhe um miminho nesse dia. Importas-te Mãe?
Eu: Não (Respondo já de nó na garganta)
Filho: Não é que a professora seja para mim como tu és, mas ela esteve sempre ao meu lado em alturas muito difíceis da minha vida, por isso acho que devo estar ao seu lado em datas como esta, que são especialmente difíceis para ela. Se eu a fizer sentir um bocadinho menos triste no próximo dia da Mãe, já fico muito contente por mim e por ela! O que achas Mãe?
Eu: Acho que fazes bem. (Respondi com dificuldade, mas cheia de orgulho do filho que tenho.)
Provavelmente para o ano vai-se esquecer do que hoje planeou, mas fique com a intenção e sincera vontade de a ver um bocadinho menos triste nesse dia...

Hoje, 5 de maio de 2014, a telefonista da escola liga para a minha sala e diz que tenho uma "visita". Já sei que quando dizem isso, estão a referir-se a algum ex-aluno. Por antecipação, fico logo muito feliz com essas visitas.
Era mesmo um ex-aluno, o Alexandre.
Lá vem ele com seu sorriso e diz-me: "Olá, professora, trouxe-te um miminho. É por causa daquilo que escreveste."
Agradeci imenso, mas não perguntei a que ele se referia, pois (conhecendo-o como o conheço) deduzi que talvez não conseguisse controlar aquelas gotas que, às vezes, pulam dos olhos. Mas tive a impressão que talvez tivesse a ver com o dia das mães.
Quando cheguei em casa, a sua mãe contactou-me, através da mesma rede social, e relembrou-me o texto que transcrevi acima. Sinceramente, já não me lembrava mas

ELE NÃO ESQUECEU!


Como li algures: os filhos são o reflexo dos pais.

É uma enorme felicidade ter a oportunidade de conhecer "pessoas tão especiais".

sexta-feira, 25 de abril de 2014

LIBERDADE


Nasci e cresci em regimes ditatoriais, em dois países: Portugal e Brasil.
A Ditadura é um bom regime?
Ninguém gosta de viver com o sentimento de que está constantemente a ser vigiado e controlado.
Meu avô paterno era monárquico e, até à sua morte (1961), sempre ostentou na lapela de seu casaco o pin da monarquia. Frequentava os cafés de Lisboa, como “Brasileira”, “Nicola”; e sempre manteve grandes diálogos, sobre assuntos como música e política, mesmo tendo a plena consciência de que, na mesa ao lado, estariam elementos da PIDE.
Meu pai, por duas vezes, quis tentar “melhorar de vida”, saindo de Portugal. Na primeira vez, foi chamado à PIDE para responder a várias questões: queria ir para onde?; para quê?; por quê?
Após responder a todas as questões e mais algumas, voltou a ser chamado para mais uma série de questões. Pelo meio do interrogatório, meu pai olhou bem para o agente e “atirou”:
- O senhor sabe mais da minha vida do que eu próprio. Já sabe as respostas antes de fazer-me as perguntas. Portanto, vamos parar de gastar o nosso tempo: ou autoriza a minha saída, ou não.
(Meu pai nunca foi o exemplo de serenidade; muito pelo contrário, manifestava-se sempre contra toda a atitude de prepotência e injustiça.)
E assim meu pai foi trabalhar 4 anos no Brasil.
Na segunda vez, logo à primeira “entrevista”, meu pai “atirou” a mesma frase e poupou-se muito tempo: foi para Angola, indo minha mãe e eu, passado pouco tempo.
Será que eles tinham sorte? Não sei.
Será que nunca sofreram represálias por não terem filiação política?
Talvez.
Sei que nunca alteraram a sua maneira de ser, a sua postura, as suas convicções no que diz respeito a justiça e respeito ao outro e a si mesmo, enquanto indivíduo.
Após a revolução de cravos, já em 1975, decidimos ir para o Brasil, pois por estas bandas, no auge da “tal” liberdade, impediam que todas as pessoas que voltavam de Angola tivessem acesso ao emprego. Sim, inúmeras vezes estava tudo encaminhado para meu pai preencher determinada vaga, ATÉ ele mencionar o seu último emprego. AÍ, como magia, a vaga deixava de existir.
Bem, se aqui tínhamos a PIDE, lá no Brasil, tínhamos o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Desde o momento que fomos ao Consulado do Brasil para pedir a autorização de entrar no país, até a receber, passaram 4 meses. Meu pai, tendo nascido lá, teve que esperar que o DOPS pesquisasse toda a sua vida, principalmente se tinha envolvimentos de ordem política.
Sim, o regime ditatorial é controlador.
Agora vivemos com LIBERDADE!
Liberdade essa que manipula a forma como se ensina; liberdade essa que força recém licenciados a sair de seu país; liberdade que “usurpa” direitos adquiridos, à custa de muita luta; liberdade que “deixa” manifestar-te à vontade para, a seguir, premiar-te com a “NÃO RENOVAÇÃO” do teu contrato de trabalho ou, melhor, “promove-te” para um outro lugar bem mais distante da tua residência; liberdade que “rouba” os nossos salários e obriga-nos a trabalhar mais tempo.
Se calhar, os CAPITÃES DE ABRIL, lá no seu íntimo, devem estar a perguntar-se: FOI PARA ISTO ?
E agora surge a questão: - Prefiro viver numa ditadura ou numa democracia?
Desejo viver num regime político onde todos tenham a liberdade para ter acesso a um sistema público de saúde eficiente e de qualidade; onde todos tenham a liberdade para ter acesso a um ensino público de ensino onde se respeite o ritmo de aprendizagem de cada indivíduo e valorize-se as suas capacidades e competências; onde todos tenham a liberdade de ter acesso a um trabalho com condições e salário dignas; onde todos tenham a liberdade de ir e vir em segurança; onde todos tenham a liberdade de ter acesso a um serviço de justiça, verdadeiramente, imparcial; onde todos tenham a liberdade de poder desejar envelhecer pois sabem que terão uma velhice com qualidade.

Neste momento, sinto que vivo num regime muito pior do que a ditadura…

terça-feira, 22 de abril de 2014

Pedaço de Mim - Chico Buarque



Deixei de ser filha só porque os meus pais morreram?
Não continuo a dizer que meu pai gostava disso ou minha mãe costumava dizer aquilo?
Então continuo a SER mãe, mesmo de filhos mortos.
Há dez anos, encontrava-me grávida de gémeos.
Tudo corria bem, apesar de ser uma primeira gravidez, apesar de ter mais de 40 anos, apesar de ser uma gravidez de gémeos.
Era seguida e bem acompanhada pela minha médica, através de análises, ecografias, até amniocentese…
Até que… durante uma ecografia, só ouvimos um coraçãozinho.
Lembro, exatamente, o que a minha médica disse, naquele momento: “Perdemos um.”
A pressão arterial teve uma subida abrupta que causou uma tensão placentária, impedindo o desenvolvimento dos meus bebés.
Segui, imediatamente, para a Maternidade Alfredo da Costa para tentar salvar o outro bebé, pois o Pedro já tinha falecido. (E não me venham falar que não posso dar um nome a um feto morto. Dentro da minha barriga, já era meu filho).
Através de uma cesariana, nasceu o Henrique com 27 semanas e 630 gramas.
Não me deixaram ver o Pedro e nem o Henrique que seguiu, de imediato, para a Sala 5.
O Henrique lutou, cada minuto, durante 22 dias.
Durante 22 dias, vi Anjos (na forma de enfermeiras/os e médicas) entrarem nessa luta de corpo e alma. As doutoras e as enfermeiras/os estavam sempre atentas a tudo e também tinham a paciência de explicar-me tudo o que se passava com o meu filho.
Até as voluntárias da Sala 5, eram pessoas especiais. Lembro de um dia em que o Henrique lutava mais uma vez pela vida, rodeado por uma equipa de médicos e enfermeiros. Ao ver aquele alvoroço, fiquei sem reação. Surgiu logo uma voluntária para apoiar-me. Com uma mistura de graça e seriedade, foi contando a situação e acalmando-me.
No dia seguinte, essa voluntária aproximou-se de mim, olhou-me bem nos olhos e disse: “Pois é. Ontem, o Henrique quis ir jogar à bola com o irmão, mas o irmão mandou que voltasse, pois ainda não havia vaga na equipa.”
Ao fim de 22 dias, o Henrique juntou-se à equipa do Pedro.
Hoje, os meus filhos fariam 10 anos.
Sim, os meus filhos.
É claro que não perco tempo a acompanhar os seus trabalhos de casa, a fazer-lhes a comida, a levá-los à escola, ao futebol…
É claro que não perco tempo nas consultas médicas, nas reuniões de pais, nas festas de aniversários para os coleguinhas…
Mas… alguém já pensou no que faço para preencher todos esses espaços vazios?
Alguém, por acaso, pensa que ao enterrar-se um filho, ele desaparece de nosso coração, de nossa memória?
Por favor, não digam que tenho mais disponibilidade porque não tenho filhos.
Eu não tenho filhos por opção profissional ou pessoal.
Eu tenho filhos e, apesar de não ter a experiência que muitas mães têm nas atividades que desenvolvem com os seus, acreditem que tenho uma experiência que pouquíssimas têm: o de levá-los ao cemitério para serem lá depositados.
Há 10 anos tenho ouvido muitas frases, acredito, que com as melhores intenções para o meu consolo; porém, depois de sermos mães (mesmo de filhos falecidos), ficamos com a sensibilidade mais aguçada. Não quero compaixão. Quero compreensão!
É isso!


("PEDAÇO DE MIM" foi composta para uma peça teatral, “A ÓPERA DO MALANDRO”, na qual a personagem perde um filho, após nove meses de gestação e mostra todo o sofrimento da mãe na perda do filho-, o grande sinónimo do poema é a saudade e a dor incontroláveis.Vale a pena prestar atenção na letra deste tema de Chico Buarque.)

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

sábado, 19 de abril de 2014

Nada mudou!

(minha atual turma)
Nada mudou!
A paixão continua a mesma.
Como é emocionante acompanhar a descoberta do processo da leitura.
A primeira vez que tive uma turma de 1º ano foi em 1994, no Brasil. Uma turma com alunos muito carenciados, de famílias desestruturadas, sem nenhum apoio familiar.
Ainda hoje lembro, perfeitamente, quando um desses alunos começou a ler, num ritmo lento, algumas palavras soltas e eu … chorei.
Naquele momento, as lágrimas começaram a rolar e eu não as conseguia controlar.
Ele virou-se para mim e perguntou-me, com uma carinha triste: “ Estou lendo mal?”
Respondi-lhe que não, que ele estava a ler bem e ele, com uma cara agora muito espantada, perguntou: “Então porque estás chorando?” E, eu, simplesmente, respondi-lhe: “Não sei!”
Hoje, já saberia o que responder.
Sempre que tenho uma turma de 1º ano, sinto a mesma emoção daquele dia.
Acompanhar o início da descoberta da leitura das primeiras palavras é maravilhoso.
Todo o corpo da criança se mobiliza para “ler”. Um ato que para nós, adultos, é tão mecânico, para ela significa um enorme esforço.
As mãos apertam-se, as pernas “dançam”, a cabeça fica fixa na direcção do texto, a boca articula plenamente cada som e os olhos, (ah! Os olhos…), os olhos iluminam-se cada vez que uma palavra é falada, é compreendida.
É neste preciso momento que o “mundo” é descoberto. É neste preciso momento que a criança fixa-nos com um olhar iluminado e diz, com um sorriso enorme: “Eu sei ler!”
As crianças, na sua ingenuidade, transmitem uma grande verdade: SABER LER.
Saber ler é bem diferente do que saber decifrar os símbolos que são as letras. Decifrar as letras … é fácil. Mas, SABER LER…
Saber ler é a chave para um mundo de conhecimentos, de dilemas, de verdades e de mentiras.
Saber ler abre as mentes.
Saber ler faz-nos “crescer”.
Hoje, saberia responder-lhe: “Choro de alegria por ver-te “crescer”. Choro de alegria por “ver” o resultado do meu trabalho.”
Não há ministro de Educação que tire esta alegria de mim.
Não há burocracia que acabe com esta emoção que vivo cada vez que um meu aluno começa a ler.
Não há ROUBOS no salário que matem esta paixão.
A paixão por ensinar continua a mesma e as lágrimas só não rolam porque … faço uma enorme força para controlá-las.
Amo a minha profissão.
Amo os meus alunos.

domingo, 6 de abril de 2014

REGRESSO

(imagem tirada da net)
Faz hoje 15 anos que desembarquei no aeroporto de Lisboa.
Vinha do Brasil, terra onde vivi 23 anos. Antes disso, já tinha vivido 5 anos em Angola, portanto apenas os primeiros 8 anos de minha existência foram vividos em Portugal.
Mas o que ocasionou que voltasse a esta terra, já que tinha a minha vida bem estabilizada no Brasil?
Dois motivos:
1º A violência, a criminalidade no Brasil estava num grande crescendo.
2º O fato de meus pais sempre ficarem emocionados ao verem programas/notícias de Portugal.
Naqueles momentos, ao olhar suas lágrimas, no meu íntimo não entendia por quê toda essa comoção.
Saudades de uma terra onde sempre tiveram que batalhar pelo seu sustento?
Saudades de uma terra onde tiveram tantos desgostos?
Como isso é possível?
Enfim…
É possível, sim! Só percebi o que meus pais sentiam, naquele dia, há 15 anos, quando sobrevoava Lisboa. Ao ver a minha cidade natal, fui tomada pela emoção.
Voltava à minha terra. Ainda hoje não consigo explicar por palavras. Só sei que a partir daquele momento, compreendi exactamente como a nossa terra está enraizada em nosso coração, para sempre.
Vim viver numa aldeia onde encontrei pessoas fantásticas.
Durante estes anos, passei por momentos trágicos: o ataque cardíaco fulminante de meu pai, a doença repentina e morte de minha mãe e o falecimento de meus filhos. Em todos estes momentos, tive o apoio e acompanhamento dos habitantes desta localidade. Foram incansáveis!
Da mesma forma, que acompanharam as minhas alegrias e alegraram-se comigo nos bons momentos; nomeadamente com o meu casamento e com o meu trabalho.
Angola e Brasil sempre terão um lugar bem cuidado em meu coração, principalmente por causa das pessoas com quem convivi; mas Portugal é a terra que me viu nascer, aqui estão minhas raízes.

Quanto ao Sobreiro, é meu “porto seguro” e merece toda a minha gratidão.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

COPAN

Via uma reportagem sobre o edifício COPAN (Companhia Pan-Americana de Hotéis) na televisão e fui transportada para essa grande e complexa cidade: São Paulo.
Conheci essa grande metrópole pelas mãos de meu pai, em 1977. Algo deixava – me muito intrigada, o fato de meu pai amar essa cidade, logo ele que fugia do stress, das aglomerações… Quando perguntava-lhe como conseguia gostar daquela confusão, ele, simplesmente, respondia:
- Não é confusão. É movimento organizado!
Passados uns anos, mais precisamente em 1993, trabalhei nessa metrópole durante 6 meses e constatei que era mesmo um movimento organizado. Aliás, tinha que ser… com a população existente!
Foram seis meses de muito cansaço, stress, “garoa” mas de uma maravilhosa experiência.
Conheci pessoas fantásticas!
Estava “cedida” pela COSIPA ao Ministério de Infra-Estrutura (não sei se ainda tem o mesmo nome), desempenhando as funções de secretária (eu… que trabalhava num laboratório de análises clínicas…). Porém, tive a sorte de encontrar Grandes Profissionais: excelentes chefes, maravilhosos colegas. Aprendi imenso!
A par da experiência profissional, ao circular pelas suas avenidas, ruas, admirava aquele mundo:
- suas imensas vias;
- seu trânsito enérgico;
- seus edifícios que “arranhavam” os céus;
- o bairro da Liberdade;
- o parque do Ibirapuera; e, claro,
- o COPAN.
Este edifício destacava-se e alimentava minha imaginação. Tantas vidas num mesmo lugar, tantas pessoas tão próximas e tão distantes!

Apesar de entender que uma cidade como São Paulo é um centro de inúmeras experiências, oportunidades, culturas, artes, comunidades… enfim… prefiro a calma e a amplitude de uma paisagem alentejana!


(Para conhecer um pouco mais desse grandioso COPAN,
pode visitá-lo aqui.)