Memorial

Companheiros de Pensamentos

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Lição de Mãe

Tenho a certeza que toda a pessoa que começasse a lembrar tudo o que aprendeu com a sua mãe, teria material mais do que suficiente para escrever um livro.
Refiro-me a “Mãe”, independentemente do fato de ser, ou não, progenitora. Infelizmente existem muitas progenitoras que nunca virão a ser mães…
Já não tenho a minha Mãe na minha vida mas seus ensinamentos continuam vivos em mim.
E o que eu aprendi com ela?
Aprendi que “viver é fácil; difícil é saber viver”! Quantas vezes disse-me isto e só depois de ela ter partido é que compreendi o verdadeiro sentido desta frase…
Aprendi que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas, nas mais simples atitudes de carinho, no prazer de fazer o outro feliz.
Lembro-me, particularmente, de um momento.
Um dia, meu pai chega do trabalho, com um pacote de arroz nas mãos e diz, todo satisfeito:
- Guidinha, disseste que o arroz estava a terminar e passei no supermercado para comprar-te um pacote.
De imediato, quando reparei na marca do arroz, percebi que a minha mãe detestava aquele arroz. Preparava para verbalizar a minha observação quando a minha mãe, prontamente, agradeceu efusivamente ao meu pai, ao mesmo tempo que lançava-me aquele olhar que queria dizer “quieta!”.
Esperei o meu pai retirar-se e confrontei a minha mãe:
- A mãe odeia esse arroz e não disse nada ao pai!
Minha mãe olhou-me, seriamente, e respondeu com a sua constante calma:
- Filha, o teu pai depois de um dia de trabalho, cansado, desce numa paragem de autocarro mais distante de casa, vai ao supermercado, espera numa fila para pagar um pacote de arroz, faz o resto do caminho até casa a pé, só porque lembrou do que eu disse ontem à noite; e tu queres que, depois disso tudo, diga-lhe que não uso dessa marca? Oh, filha, amanhã eu compro da minha marca preferida. E este, fica descansada que não se joga fora, pois a nossa cachorrinha vai adorar!
Uns bons dias depois deste episódio, meus pais e eu estávamos a fazer as compras no supermercado. Quando a minha mãe pega um pacote de arroz (o seu preferido), o meu pai reparou que não era daquela marca que ele tinha comprado anteriormente e comentou isso, ao que ela, prontamente, respondeu:
- Ouvi falar desta marca, resolvi experimentar e é mesmo melhor do que o outro.

Ouvi a sua resposta e ainda estava a sorrir, quando a minha mãe, ao passar por mim, sussurra “viver é fácil; difícil é saber viver”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Meu KIBON lindo!!!!

Hoje o KIBON completa 15 anos!
É verdade! Chegou em nossa casa com apenas 6 semanas!
Roía tudo o que encontrava: chinelos, esponjas, blusas, tapetes, plantas, tacos de madeira, ombreira das portas, chão de cimento do quintal… Resolvia fazer passeios por conta própria (nessas alturas era o meu coração que ficava aos “sopros”)… Sem falar nas inúmeras caminhas que ele destruiu…
Agora já não faz nada disso, apesar de continuar a saltitar como um cabritinho… mas a idade já se faz sentir…
O meu cãopanheiro já não ouve e nem vê bem. Tem insuficiência renal e sopro no coração.
O que se faz com um cão que já não tem aquele focinho de cachorrinho indefeso?
O que se faz com um cão que tem que comer uma ração bem mais cara?
O que se faz com um cão velho?
O mesmo que se fez com aquele cachorrinho indefeso de 6 semanas: AMA-SE COM TODA A NOSSA FORÇA!
O que se faz com um cão velho? Pede-se a Deus que ele não sofra. Nunca!
O que se faz com um cão velho? Acarinhamos a cada dia como se fosse o último.
O que se faz com um cão velho? Damos todo o conforto, cuidado e respeito que ele merece.
E porquê?
Porque esse cão velho é o MEU KIBON, SEMPRE LINDO!
Parabéns, meu cãopanheiro KIBON! Que venham mais anos confortáveis para ti, meu KIBON LINDO!

domingo, 2 de agosto de 2015

Bodas de Seda



O 12.º ano de casamento é representado pela seda,
que representa suavidade, subtileza, riqueza e cuidado na relação
são a simbologia desse belo tecido que significa lealdade e fidelidade.
Mais palavras para quê?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Tejo e GNR

Em boa companhia!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Flores de Papel

Há 16 anos, quando cheguei a uma aldeia do Concelho de Mafra, vinda do Brasil, deparei-me com a preparação para a Festa em honra de seus Padroeiros.
Tudo era novo para mim. As bandeirolas, o toque dos sinos, a música popular pelas ruas… Mas o que mais admirei foi observar senhoras, senhores e algumas crianças, a enfeitarem o largo da igreja para receber a procissão. Na altura, preenchiam os desenhos usando flores que deixavam um perfume suave no ar.
Na altura, lembro-me de partilhar com os meus pais, o receio disso tudo terminar, temendo a possível falta de vontade dos jovens assumirem tamanho trabalho.
Como fico feliz desse meu receio não se ter concretizado!
Aquelas crianças cresceram!
Transformaram-se em jovens determinados em manter viva e linda essa Festa. Agora, a impressão que fica é que, a cada ano, aprimoram-se em torná-la mais linda.
O restaurante sempre com ótima comida, a quermesse com imensos artigos, os grupos musicais que alegram as noites, os ranchos que enriquecem o nosso folclore, a diversidade de atividades para todos os gostos, a decoração das ruas a cada ano mais bela, a ornamentação dos andores que demonstra uma verdadeira arte e os desenhos do chão do largo da igreja, agora preenchidos com serradura colorida, são um lindo “cartão postal” da nossa aldeia.
Admiro o trabalho e esforço dessa juventude!
E por admirar tanto o esforço e trabalho desses jovens não consegui ficar indiferente ao receber uma carta da Comissão de Festas. Nela, constava um convite para que os moradores enfeitassem as suas casas para receberem a procissão.
Não posso considerar-me católica, mesmo tendo sido batizada na Igreja Católica e ter Santo António como Padrinho de batismo, mas gosto muito de ver a procissão e fico emocionada de ver tantos jovens unidos a construírem algo tão bonito e com objetivos tão positivos. Por isso mesmo, apesar não ter muita aptidão para trabalhos manuais, atendi ao convite e lá confeccionei umas flores de papel para colocar no portão de minha casa.
Esta é uma colaboração ínfima comparada a tudo o que esses jovens fazem pela Festa em honra de São Sebastião e Nossa Senhora da Saúde, padroeiros do Sobreiro.

Bem hajam!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Grrrrrr

Alguém pode explicar
porque ainda me aborreço em certas reuniões?

domingo, 3 de maio de 2015

Pior Dia do Ano

Para mim, este é o pior dia do ano pois, para além de já não ter a minha Mãe Sábia, Amiga, Companheira, Confidente para mimá-la, também não tenho os meus filhos para receber seus mimos.
Dor em dobro: não tenho a minha Mãe Amiga, mesmo tendo maravilhosas memórias de momentos vividos; não tenho meus filhos e, pior, nem momentos vividos para recordar...
Não quero pena, nem compaixão!
Apenas peço respeito!
Pelo menos num dia do ano, não me obriguem a pensar em agradar os outros.
Pelo menos num dia do ano, não esperem que seja a "animada".
Pelo menos num dia do ano, deixem-me chorar...
Felizmente, tenho alguém ao meu lado que entende, que respeita e que faz tudo para que possa passar esse dia, da melhor forma possível.

(Rosa Amarela = "Não há, talvez, nenhuma outra flor que possa trazer para fora um sorriso guardado ou devolver a alegria perdida em momentos difíceis.")

terça-feira, 31 de março de 2015

MAÇÂ


Com o último post, vieram mais “companheiros de pensamentos” e, assim, já somos 150.
Nunca imaginei que chegaria a este número quando comecei a “desabafar” para este meu blog.
Achei interessante este post, sobre o que meu pai dizia, ter “convidado” mais pessoas para este cantinho.
Muitas vezes, quando assisto a programas de televisão e ouço depoimentos de pessoas dizendo que seus pais, geração anterior ao 25 de abril, eram muito autoritários e distantes; pasmo de como o meu pai podia ser tão diferente.
Lembro de minha mãe contar que, certa vez descíamos a Rua do Sol ao Rato e eu, que contava uns 5, 6 ou 7 anos, estava aos empurrões com meu pai e vice-versa. Como aquela rua era (ou ainda é, não sei) muito estreita, minha mãe vinha mais atrás e ouviu um comentário de um casal que ao observar-nos disse: - Que falta de respeito!
Minha mãe, sempre muito educada, apesar de ser de poucas falas, não se conteve. Dirigindo-se ao casal, a sorrir, disse: - O que estão a ver não é falta de respeito. O que vêm é uma filha e um pai a brincarem. Garanto-vos que há muito respeito, educação e carinho.
Minha mãe não ouviu resposta e continuou seu caminho. E nós continuámos a nossa brincadeira, alheios a tudo, porém… se esse casal visse as nossas brincadeiras dentro de casa… ficariam em choque. Havia batalhas de almofadas, corridas de carrinhos no corredor, cambalhotas … Estávamos na década de 60.
Não via o meu pai durante a semana: quando ele saía para o trabalho, eu ainda dormia; quando ele chegava, eu já dormia. Mas no domingo… Ah, o domingo! Meu pai esquecia o cansaço e era só alegria.
Não, meu pai não era autoritário. Mas havia autoridade, sim. Meu pai e minha mãe só tinham uma palavra. Quando era NÃO, era não; quando era SIM, era sim. Porém, também existia o TALVEZ; quando um dizia que primeiro ia conversar com o outro. (Independente se era mãe ou pai.)
Nunca apanhei de nenhum deles. Quando fazia alguma asneira, meus pais tinham atitudes distintas: minha mãe dizia, simplesmente, que estava triste com a minha atitude e que eu devia pensar melhor nas minhas ações e suas consequências; meu pai aplicava os seus “sermões”. Não havia gritos, nem palmadas, apenas MUITA conversa.
Lembro de uma dessas situações que ficou bem marcada na minha memória.
Estávamos em Luanda, Angola. Tinha 10 anos. Era fim de semana. Minha mãe pede-me para fazer um recado ao Sr. Carvalho, dono da mercearia do bairro. Lá fui eu, fiz o recado e, ao sair da mercearia, peguei numa maçã (não lembro do recado mas lembro bem da maçã!) com a intenção de, ao chegar em casa, lavá-la para comer. (Apenas um detalhe: havia fruta variada em nossa casa. Não era fome.)
Chego em casa e, meu pai ao ver a maçã, pergunta por cima do jornal que lia:
- O Sr. Carvalho deu-te uma maçã? (Era hábito ele dar-me sempre uma fruta. Não por necessidade, graças a Deus; mas, mesmo, por mimo.)
Respondi, tranquilamente:
- Não.
Nesse momento, meu pai deixa o jornal de lado, olha-me bem nos olhos e atira-me outra pergunta:
- Pediste a maçã?
E eu, com a maior calma:
- Não.
Observando o semblante do meu pai, percebi que tinha feito asneira.
- Se ele não te deu e tu não pediste, como é que essa maçã está nas tuas mãos?
Eu já não me sentia muito confortável mas respondi:
- Eu peguei.
Não, não houve gritaria, nem palmadas, nem castigos, o que se seguiu, nunca mais esqueci.
- Não, Ana Paula; tu não pegaste. Tu roubaste! Quando se pega alguma coisa de outra pessoa, sem pedir autorização, é roubo. E, portanto, vais agora devolver o que roubaste. E eu vou contigo para desculpar-me pela tua atitude.
E lá tivemos mais um daqueles sermões, tipo: “se precisasses, que nem é o caso, pedias”; e mais uns outros tantos.
O caminho até à mercearia parecia não ter fim.
A maçã pesava imenso na minha mão.

Chamar o Sr. Carvalho, olhá-lo nos olhos e confessar o que tinha feito foi duro. Por um segundo, tive a impressão que o Sr. Carvalho ia dizer com a sua voz forte que estava tudo bem e que podia ficar com a bendita maçã. Mas ele olhou para o meu pai que estava atrás de mim e deve ter entendido que eu tinha que aprender essa lição de meu pai.
E aprendi!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Parabéns, sempre!

Quando me perguntam quando o meu pai faleceu… sei o ano (2000) e o mês (agosto) mas, quanto ao dia, tenho que fazer um enorme esforço e, mesmo assim…
No entanto, lembro perfeitamente o dia do seu nascimento: 26 de março de 1927.
Será que isto quer dizer que não me importo com a morte?
Não será bem não me importar, mas uma das muitas coisas que aprendi com ele, é que temos que valorizar cada dia da nossa VIDA.
E por falar em coisas que ele me ensinou, ui, foram tantas, tantas frases, pensamentos, respostas, que permanecem na minha memória e (por incrível que possa parecer) vejo-me repetindo-as.
Apenas para citar umas poucas:

- Não nasceste rica. Terás que trabalhar, porém não escolhas a tua profissão porque está na moda ou porque dá status ou porque é “fácil”. Isso não importa. Escolhe aquela que irá dar-te o prazer de levantar a cada dia para ires trabalhar. A pior coisa que pode existir, é ires para o trabalho já revoltada, com mau humor. Escolhe aquela que, mesmo ficando cansada, te deixe feliz.

- Não te vou dizer para não beberes. Só te peço duas coisas: não mistures bebidas e NUNCA deixes o teu copo sozinho. (o mais engraçado é que só bebia com meus pais e, agora, só bebo com meu marido)

- O teu avô (paterno) morreu com enfizema pulmonar devido ao cigarro. Eu, apesar de ver o seu sofrimento, fumo quatro maços de cigarros, por dia. Sim, sou burro. Agora, cabe a ti, tomares uma atitude inteligente. (nunca fumei)

- Nunca tenhas vergonha se te apontarem o dedo e dizerem “aquela é pobre”. Ergue a cabeça, pois isso não é vergonhoso. Vergonha, seria, se dissessem que roubas, enganas ou tens duas caras!

- Não me importa se as tuas colegas vão ali ou acolá. Elas não são minhas filhas. Tu és!

- Não te exijo que sejas a melhor da turma. Exijo, sim, que sejas a melhor para ti.

(quando eu andava na escola primária, um dia perguntei-lhe o que ia ganhar se passasse de ano, pois minhas colegas iam receber prendas de seus pais)
– Nada. A tua profissão é ser estudante. O teu pagamento são as tuas notas. Da mesma forma, que vês como fico feliz ao trazer, ao fim de cada mês, o meu salário, espero que fiques feliz ao passar de ano, pois nós ficaremos.
(Verdade seja dita que, mesmo nunca prometendo recompensas nem prendas, ao fim de cada ano, eu sempre ganhava um livro em cuja dedicatória, escrita por meu pai, constava “Parabéns pelas boas notas. Continua a ser essa aluna aplicada. Com orgulho, teus pais.)

(quando ainda era adolescente) - Minha menina, espero que saibas que ainda és muito nova para namoros. Mais importante que namoricos, é o estudo!

(Um diálogo algumas vezes repetido, até que desisti de perguntar:)
- Pai, o que significa (uma qualquer palavra)?
- Procura no dicionário.
- O pai não sabe?
- Sei.
- Então porque não diz logo?
- Se eu disser, amanhã vais perguntar outra vez. Se tu procurares no dicionário, para além de aprenderes como procurar, "essa" palavra nunca mais vais esquecer.

(Quando eu fazia parte de um grupo de violões, no fim das atuações, meu pai nunca me aplaudia, enquanto que minha mãe até ficava em pé. Perguntei-lhe o porquê dessa atitude dele.)
- Não sou eu que tenho que aplaudir minha filha. Para mim, tocas muito bem. O prazer é ver os outros aplaudirem-te.

- Não esperes uma determinada data para mimares alguém. Sempre que puderes, dá um miminho. Se quiseres elogiar alguém, elogia. Não esperes por um momento especial. Faz tu, o momento especial.


E tinha tantas, tantas mais mas, uma das que acredito que é muito importante, é que ele fazia o que dizia. O seu discurso não era diferente das suas ações. Não eram apenas belas palavras da boca para fora, não. Para ele não existia "faz o que eu digo, não o que eu faço".
Precisamos de mais atitude e menos discurso!

domingo, 15 de março de 2015

Gabriel o Pensador - Chega





É um grito que está atravessado na garganta de muita gente!
Sim, o Gabriel Pensador está a falar do seu País... será???? Será que só se aplica ao Brasil? Para mim, é muito familiar, infelizmente...