Companheiros de Pensamentos

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Volta !


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“Tenho a esperança que a turma deste meu filho ainda terá a oportunidade de conhecer aquela professora que a turma do meu outro filho conheceu.” (Esta frase é de uma mãe, de dois filhos, que está a referir-se à professora de ambos.)

Por onde andas tu, que começaste a ser professora em 1994?
Que choravas, de alegria, quando os teus alunos começavam a ler as primeiras palavras?
Que passavas os fins-de-semana a passar inúmeras atividades no mimeógrafo para distribuíres aos teus alunos que não tinham dinheiro para comprar os manuais escolares?
Que levavas a tua turma, com 38 alunos, para debaixo das árvores do recreio, para lerem ou, simplesmente, ouvirem as histórias que lias para eles?
Que criavas jogos para facilitar a aprendizagem dos conteúdos a serem trabalhados?
Que desenvolvias projetos de solidariedade em benefício de animais, crianças carenciadas, idosos?
Que pesquisavas, constantemente, lugares onde levar os teus alunos para ampliarem os seus conhecimentos?
Que compravas revistas e livros sobre o tema Educação para que os teus alunos tivessem uma professora sempre atualizada?
Que começavas o dia com um estrondoso BOM DIA ao que os teus alunos respondiam da mesma forma e com gargalhadas à mistura?
Que ao fim de desenvolveres as tuas aulas e ecoava o sinal da escola, marcando o fim de mais um dia letivo, ouvias dos teus alunos: “Já acabou a aula?
Que sempre tiveste turmas com grandes desafios, com grandes problemas comportamentais, com grandes dramas emocionais mas que sempre conseguiste ultrapassá-los?
Onde andas tu, que não tencionavas ser professora, que começaste a título provisório mas que, após o primeiro contacto com aqueles olhinhos cheios de curiosidade, traquinice, meiguice; decidiste que era essa a missão que querias enfrentar e desenvolver da melhor forma possível?
Por onde andas?
Andas perdida com tanta burocracia?
Andas amarrada com tantas grelhas, relatórios, formulários, avaliação?
Andas entediada com tantas reuniões que não levam a nada?
Andas frustrada com conteúdos tão extensos e tão fora de contexto, pois não levam em conta o desenvolvimento das crianças?
Andas dececionada com a desvalorização, por parte dos governantes, dos meios de comunicação e de alguns pais, da importância que a tua profissão tem em qualquer sociedade?
Andas cansada de veres tantas injustiças, mentiras, hipocrisias, falsidades?
Andas desiludida com a carreira docente?
Até podes ter razão…
Sim, sei que o teu cuidado, respeito com os teus alunos não se alterou.
Sim, sei que a tua preocupação com uma aprendizagem de qualidade não mudou.
Mas volta!
Volta para a tua sala de aula e diz, bem alto: BOM DIA!
Volta a ensinar “brincando”!
Volta, mesmo que tenhas que “remar contra a maré”!
Volta a ter o prazer de ouvir umas boas gargalhadas desses pequenitos só porque fizeste uma palhaçada ou porque inventaste algo diferente!
Volta a lembrar o que teu pai disse quando regressaste da primeira aula que deste àquela tua primeira turma, repleta de casos de carência material, emocional e violência doméstica:

“Procura proporcionar aos teus alunos, naqueles momentos que estás com eles, boas memórias. Não vais mudar o mundo, mas podes mudar a vida deles, nas tuas aulas.”

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Guri

Desde que nasci (literalmente) sempre convivi com cães.
Tive cães maravilhosos que têm um lugar permanente no meu coração.
Sou uma apaixonada por esses cãopanheiros.
Nunca quis ter gatos.
Não por não gostar, de forma alguma; apenas achava que não seria uma boa dona de gatos.
Meus pais tiveram um gato: Tupi.
Sempre contaram-me lindas histórias sobre esse gato preto (o tipo de gato preferido de meu pai); aliás, meu pai costumava dizer que eles não tiveram um gato... o gato é que os teve.
Em outubro do ano passado, faleceu o meu cãopanheiro Tejo, com 13 anos.
O meu meigo Tejo!
Afirmei, em concordância com meu marido: Não quero mais cães!
Quando o coração sangra e essa dor está tão viva em nossa mente, a única coisa coisa que desejamos é não sentir essa dor novamente.
O meu marido “lida” muito bem com gatos.
Ele dizia algumas vezes que, quando não tivéssemos cães, poderíamos ter um gato.
E veio o Guri, um gatinho com 2 meses que estava para adopção.
Juntamente com o Guri, veio o receio, a preocupação, a dúvida e as minhas eternas questões:
- saberei respeitar a personalidade, a independência dele?
- saberei entender os seus comportamentos?
- saberei atender às suas necessidades?
- saberei ser uma boa dona para ele?
O Guri está no nosso convívio há 2 meses.
Ele respondeu a todas as perguntas apenas com uma resposta:
“Eu sou o teu dono e vou ensinar-te tudo o que precisas saber para viveres comigo.”
Posso afirmar que estou, verdadeiramente, apaixonada por este bichano.
E também afirmo que é possível ter DOIS AMORES:
- continuo uma apaixonada por cães e estou apaixonada por gatos!
Amo-te, meu Guri!

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Chegando o fim do Ano

Estamos chegando ao fim de mais um Ano!
Este vai deixar memórias boas e uma triste: o Tejo partiu! Um cão super meigo, super companheiro, vai deixar um grande vazio nos nossos corações.
Resolvemos receber um novo companheiro e, pela primeira vez, temos um gato!
É verdade! Um gatinho de 2 meses veio morar na nossa casa.
Seja muito bem acolhido, GURI.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Dia do Professor

Hoje, em Portugal, é o dia do Professor. No Brasil, será no dia 15. Aproveito para dedicar este lindo texto de João Pedro Mésseder, a todos os meus colegas de tão Nobre Profissão, daqui e d'além mar. Como dizia Paulo Freire; a nossa profissão não é a mais importante de todas... ela é FUNDAMENTAL para a sociedade!
Ser professor,
Se não houvesse espelhar de olhos no primeiro dia de aulas, ser professor não seria um sonho.
Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.
Se nunca um verso ganhasse asas no fresco dos seus lábios, ser professor não seria um sonho.
Se um livro, uma pintura, um ambiente virtual ou um filme não abrissem uma porta até então fechada, ser professor não seria um sonho.
Se o tédio não pudesse emagrecer, ser professor não seria um sonho.
Se o saber não construísse pessoas melhores, ser professor não seria um sonho.
Se Arte e Jogo, Língua e Ciência não pudessem ser nomes próprios, nobres palavras, ser professor não seria um sonho.
Se um certo olhar não sorrisse ao conseguir ler pela primeira vez uma frase, fazer uma descoberta, resolver um problema, ser professor não seria um sonho.
Se um rosto não se iluminasse ao ouvir “muito bem!”, “está bem visto!”, “um passe perfeito!”, ser professor não seria um sonho.
Se uma mão negra e outra branca e outra morena não pudessem tocar-se, ser professor não seria um sonho.
Se várias cabeças não conseguissem pensar melhor do que uma, ser professor não seria um sonho.
Se o silêncio e o asseio, a sobriedade e a ordem não pudessem ser aprendidos, ser professor não seria um sonho.
Se o medo e a violência, a solidão e a pobreza não pudessem ser combatidos, ser professor não seria um sonho.
Se justiça e democracia, fraternidade e autoridade não pudessem ser aprendidas, ser professor não seria um sonho.
Se na escola não pudesse germinar a paz e a entreajuda, em vez da competição, ser professor não seria um sonho.
Se a escola não ajudasse a reordenar o mundo, ser professor não seria um sonho.
Se a inteligência não pudesse guiar o sonho, se este não pudesse guiar a inteligência, ser professor não seria um sonho.
Quando nas lides te iniciaste, ser professor tinha a forma de um sonho? Se não tinha, o tempo deu-lhe essa forma. Para muitos, ser professor é tornar real um sonho. O de ajudar a crescer, a fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
E não há ofensas, nem indignidades – provindas de efémeros poderes –, nem rankings, nem propagandas capazes de matar esse sonho.
Nem distâncias, nem sacrifícios, nem desassossego, nem noites em claro…
Sem vozes de crianças e jovens à tua volta, sem humana relação, ser professor não seria um sonho.
João Pedro Mésseder, no Dia do Professor 2018


domingo, 2 de setembro de 2018

Mãe

90 anos!

Alguém diria: “Faria 90 anos…”

Mas como posso dizer “faria” se tu continuas em mim?

Tuas palavras, teus conselhos, teus provérbios, teu riso, teus gestos, até teus gostos… (é verdade; agora gosto de figos!).

Continuo a sentir teu carinho, teu cuidado, tua dedicação, teu amor.

É exatamente isso: quando a mãe é VERDADEIRAMENTE MÃE, seu amor perdura mesmo depois da sua partida…

Parabéns, Mãe. Obrigada por tudo!

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Bodas de Cristal


As Bodas de cristal é como é chamada a festa do 15º aniversário de casamento e que possui, como significado, a renovação do compromisso estabelecido pelo casal para continuarem juntos. As bodas também promovem a reflexão sobre a importância do casal se manter unido ao longo do tempo. Quando se chega aos 15 anos de casamento o símbolo utilizado é o cristal, o qual significa vitalidade. Em outras palavras, o cristal representa a nobreza, a solidez e a transparência e isso para a vida de um casal deve ser compreendida como a prevalência dos sentimentos bons e superiores que os une, a segurança, fidelidade e companheirismo ao longo do tempo e das diversas situações, e a transparência que advêm da comunicação, honestidade e sinceridade.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Turma 1993







Bateu uma nostalgia...
Já se passaram 25 anos!
Há 25 anos formava-me em Pedagogia e iniciava um percurso que tornou-se apaixonante!
Não imaginava que essa paixão continuaria viva após tantos anos!


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Dia de São Valentim

O Dia dos Namorados, em Portugal, comemora-se hoje, no dia de São Valentim.
Apesar de não sermos "escravos" das datas "comerciáveis"... 
cá apareceram uns miminhos, de acordo com as preferências de cada um.
O time de futebol para dele e o anjo,para ela.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

AFETO


Uma Professora pergunta aos seus alunos o que quer dizer afeto.
Ninguém sabe.
Ela dá uma dica para tentar ajudar:


- É o que eu sinto por vocês.
Rapidamente respondem:

- AMOR.

Como soube bem saber que eles sabem que os amo!


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Novo


Era véspera de Natal, em Luanda, e os pais de Ana, resolveram visitar um casal amigo que tinha dois filhos, levando-a com eles.
Os filhos do casal chamavam-se Maria, que tinha a mesma idade de Ana, nove anos, e João, mais velho uns dois anos.
Os casais conversavam na sala de estar, enquanto a Ana e a Maria brincavam no quintal enquanto falavam das suas expectativas sobre o que traria o Pai Natal.
Encontravam-se no auge da animação, quando o João passa por elas e afirma com grande autoridade:
- O Pai Natal não existe!
Ana e Maria entreolharam-se, emudeceram perante tal declaração vinda de alguém mais velho que elas. Nos olhos de Maria começaram a surgir pequenas lágrimas. A Ana tenta salvar a situação e exclama, convicta:
- O Pai Natal existe, sim! É ele que traz os presentes no dia de Natal!
O João olha-a de forma soberba e reafirma:
- Vocês são mesmo muito infantis! O Pai Natal não existe e quem traz os presentes são os nossos pais. Eles é que compram e colocam ao pé da árvore enquanto dormimos. Miúdas!
E lá vai o João, com a bola debaixo de braço e com a cabeça bem erguida, encontrar com outros meninos para mais um jogo de futebol.
Maria continua calada mas nada feliz com o que acabou de ouvir. Ana não pode ficar parada. Entra pela casa, vai direto à sala de estar e interrompendo a conversa dos adultos (uma grande falta de educação), questiona o pai:
- O Pai Natal existe?
O pai, sussurra-lhe:
- Em casa, conversamos.
Mas ao tentar retomar a conversa com seu amigo, a Ana não se cala, mesmo sentindo o olhar da mãe; aquele olhar que dizia, claramente, que não era a hora, nem o momento, para tal questionamento:
- O Pai Natal existe?
Num tom baixo, o pai olha bem nos olhos de Ana e repete:
- Em casa, conversamos!
Não adiantava! Ana conhecia bem demais seu pai e sabia que, naquele momento, não haveria resposta.
Voltou para a companhia de Maria, remoendo seus pensamentos. Por que será que o pai não respondeu? Bastava dizer sim ou não! Logo os pais que sempre respondiam todas as perguntas que fazia!
Quer dizer, todas, não! Quando ela perguntava o significado de alguma palavra, eles mandavam-lhe procurar no dicionário.
Não restou nenhuma vontade para as meninas voltarem ao assunto do Pai Natal. Será que o João tinha razão?
O pai de Maria e João ofereceu-se para levar os pais de Ana, e ela, a casa, de carro; o que significava que tinha mesmo que esperar chegar a casa.
Finalmente, em casa!
O pai senta-se e a Ana foi logo para o seu lado mas, desta vez, não precisou voltar a formular a pergunta pois quem faz isso é o pai:
- Acreditas que o Pai Natal existe, Ana?
Ora esta? Então devolve a pergunta? Depois de refletir um pouco, a Ana responde:
- Acredito.
- Então… ele existe! – respondeu o pai.
Ana olha-o admirada. (Como assim?)
O pai, percebendo a sua admiração, continuou:
- Ana, muitas vezes, se acreditares em algo, isso passa a existir. Se não acreditares, não existe! Se acreditarmos que o Amor entre as pessoas existe e que faz muito bem, então … o Amor existe! Se acreditares que dias melhores virão, então a Esperança existe! Ouvirás muitas vezes a palavra Fé que está intimamente ligada à confiança.
Ana ouviu essa explicação que tornou-se uma lição para a vida.

Neste início de ano, mais do que nunca, Fé significa ter esperança que algo vai mudar de forma positiva, para melhor.
Assim seja!