Memorial

Companheiros de Pensamentos

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Há 11 anos ...


Acabadinho de chegar em casa...
Quando tirei a carta de condução e comprei o meu primeiro carro, meu pai disse: “Agora já podemos ter um cão, pois podemos levá-lo às vacinas, às consultas e aos passeios, de carro. Quando arranjarmos um cão, gostava que se chamasse Kibon, em homenagem àqueles sorvetes (gelados) do Brasil, que tanto gostávamos.”
Tenho a impressão que meus pais sempre contaram com a companhia de cães e sempre os trataram como verdadeiros companheiros. E assim me ensinaram.
Pois bem.
O Kibon nasceu no dia 12 de Agosto. Infelizmente, o meu pai faleceu no dia 23 do mesmo mês. Nunca chegou a conhecer e muito menos a saber que, afinal, já tinha nascido aquele que viria a ser o “Kibon”.
Com a partida de meu pai, achei que um cão seria uma boa companhia para a minha mãe, enquanto eu estivesse a trabalhar.
Em conversa com uma vizinha, disse-nos que sabia de uma senhora cuja cadela tinha tido filhotes e que estaria a procurar donos. Ela própria marcou um encontro e lá fomos conhecer os cachorros.
A cadela-mãe era uma cocker spaniel de uma cor lindíssima. O pai? A dona não tinha certeza pois como o marido era caçador e tinha cães de várias raças… vai lá saber!
E lá estavam 3 filhotes: 2 machos e 1 fêmea. Disse logo que não queria fêmea. (A nossa Boneca ainda estava bem viva nas nossas memórias. Não queríamos outra fêmea para ocupar o lugar dela.)
... com 6 semanas.
Havia um macho preto, todo elétrico, pelo qual me encantei e havia um outro, com uma cor muito parecida com a da mãe, que minha mãe pegou ao colo e ele… adormeceu!
Minha mãe olhou-me e disse: “Parece que a escolha está feita, não? Ele gostou do meu colo!”
Confesso que não fiquei muito entusiasmada, afinal, um filhote muito paradão não é um bom sinal, certo? Mas, não tive coragem de contradizê-la. Ao ver minha mãe, com o seu luto carregado, sorrindo para aquele filhote… (ora, bolas!)… está feita a escolha! Porém, pelo sim, pelo não; fomos de seguida ao veterinário. E claro que tinha que haver um motivo para tamanha prostração: o bichinho estava carregadinho de vermes e pulgas!
Lógico que o nome estava escolhido: Kibon.
E assim o Kibon passou a ser o grande companheiro da minha mãe. Seguia-a para todo o lado.
Sempre perto da minha Mãe.
Até quando estava a preparar as refeições, ele deitava-se entre seus pés.
Lambia-lhe as mãos quando elas eram tomadas pelas dores da artrite. As dores que minha mãe sentia eram tantas que ela nem as mexia, nem falava nada, mas ele levantava-se de onde estivesse e vinha lambê-las. Será que ele “sentia” ou “cheirava” a dor? Não sei, pouco importa.
Também é claro que houve momentos de grande irritação, quando o “paradão” do Kibon destruiu a passadeira do corredor; comeu diversos chinelos; arrancou e rasgou a roupa do estendal; tirou as plantas e a terra dos vasos; estraçalhou a cortina da porta da cozinha; roeu os pés das cadeiras; desfez um taco de madeira do chão da casa; fez inúmeros buracos no chão de cimento do quintal; enfim…
Resumindo: Amo este cão! Com toda a sua personalidade, com todo o seu carinho, com aquele olhar tão meigo, com aquela patinha sempre a pedir festinhas.
Sim; sei que faz 11 anos.
Sim; sei que já vejo a sua barbicha a ficar branquinha.
Sim; sei que o seu coração já não é tão jovem.
Sim; sei que sinto um aperto no coração só de pensar que um dia…
Mas, enquanto ele for o nosso “cãopanheiro”, o nosso “anjo canino”, será sempre muito amado e tratado com todo o respeito que merece.
Parabéns, Kibon! (e que fiques muito tempo conosco)
Kibon lindo!
Uma refeição diferente para um dia especial.

14 comentários:

He-Man Augusto disse...

oiiiiiii gostei muito do seu blog, passa lá no meu tbm!

lambibeijos

Esperança disse...

Amada irmã Rosa Carioca,

Agradecemos sua visita e comentário. Saiba amada irmãzinha que você não só leva mas deixa uma lição. Todos nós aprendemos uns com outros nessa vida. Volte sempre! O Hospital Espiritual do Mundo estará sempre com as portas abertas para você e todos os seus amigos.

Um abraço de luz

observação.:
Estava lendo o post "Há 11 anos.." e fiquei muito emocionada. Uns dos meus irmão trabalhou na empresa Kibon quando se localizava em São Paulo (risos). A forma que escreveu a história foi muito linda e intensa. A imagem do kibon e sua mamãe ficou nos meus pensamentos. Saiba que você arrumou uma nova amiga brasileira que também é apaixonada por peludos. Parabéns por ser você quem é, uma pessoa com alma, docilidade e acima de tudo amor ao próximo, mesmo que esse próximo tenha 4 patinhas.

Blog da Rutha disse...

Ana Paula, até chorei lendo sua declaração de amor ao Kibon ! Não pensei que ele fosse tão velhinho assim, sempre acho que só os meus é que são idosos...e o Barum é o meu caçula com 12 anos...
As fotos são comoventes ! Sinto muito por seu pai ter partido sem conhecer o Kibon, mas ele sabia que você ia seguir seu exemplo e amar os animais.
Parabéns, Kibon ! Muitas felicidades !
Beijos
Laís

caminhante disse...

parabéns, kibon! muitos ossinhos :)) e muitos beijinhos!

CLEMENTE GERMANO MULLER disse...

Oi querida amiga Rosa Carioca. Eu e Bolinha viemos agradecer sua amável visita em nosso diário de viagens e descobertas. Aproveitamos para enviar um abraço e um AU AU para o teu amado KIBON. Você tinha razão, assim que cheguei, Bolinha não levou nem um minuto para me reconhecer e correr para os meus braços. Estou muito feliz. Já estamos dormindo juntos no motor home. Um beijo. Tenham um ótimo final de semana. FIQUE COM DEUS.

Severa Cabral(escritora) disse...

MINHA ROSINHA !
Vc é simpismente um jardim de rosas,por seu chero exalar e perfumar meu cantinho...tão bom ter amigas como vc...pessoas de sensibilidade...cuidar de cachorros é conhecer a alma verdadeira,pois eles conhecem muito bem a nossa alma...
Bjs de bom dia!

Sandra Puff disse...

Oh, Deus!, que história linda!, emociona-me muito, muito mesmo!, PARABÉNS, KIBON!, @-;-
Querida, Rosa Flor, obrigada pelo seu recado em meu blog, um beijo em Smareis pela "indicação", amei seu blod, já sou seguidora. Li seu post e as memórias são emoções fortes, a do seu pai, lembrei também de meu primeiro cão, que coincidência, um Cocker Spaniel, está no céu, era um seríssimo cão que ao estar doente, muito doente, nos despistou em uma noite para não ficarmos preocupados com ele, era um Lord, e nos deixou de madrugada para que não sofrêssemos com a partida dele, mas foi impossível. Ele é único...ainda digo às pessoas que tenho 4 cães, quando me perguntam quantos tenho.
Você lembrou bem do Camilo C. Branco, mas as pessoas não gostam que falem de [suicídio, então evito], mas a autora de minha dissertação de mestrado em literatura, Sylvia Plath, foi suicida[ essa pergunta sempre me faço, por quê?, fazem?, mas ainda é um tema muito tabu, em minha universidade federal tive que lutar muito para levar essa autora em frente]
Um grande beijo...
Vamos nos falar bastante.

Anne Lieri disse...

Rosa,que lindinho o seu Kibon e que história mais bonita a de como ele entrou em sua vida!Bem levado esse meninão!Bjs,

OZNA-OZNA disse...

¡¡¡¡ felicidades a esta belleza¡¡¡ infinitas gracias por regalarnos tanta sensibilidad y ternura, un besin muy grande de esta amiga admiradora que vos desea feliz domingo con cariño

Maria disse...

Amiga Rosa que história mais linda, o seu Kibon é uma ternurinha. Muitos parabéns para o Kibon e que ele esteja ao vosso lado muitos e muitos anos.
Hoje vim especialmente também para agradecer o seu carinho por ter comemorado comigo o aniversário do meu paizinho, deixando a sua preciosa mensagem.
“Se planta uma semente de amizade, recolherá um ramo de felicidade (Lois L. Kaufman)”
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

Luís Coelho disse...

Gosto muito de todos os animais e eles são uma excelente companhia.
Hoje as pessoas já sabem como desparasitá-los e levá-los ao veterinário para as vacinas.

Quantas noites dormimos descansados porque eles nos guardam a casa e os bens.

acácia rubra disse...

Os nossos cães!

Os meus (duas cadelas e o filho de uma = 3) são tão especiais que não imagino a casa sem eles.

Parabéns ao Kibon, um pouco atrasados.

Gostei da refeição. Aqui por casa, no Natal eles têm também um osso embrulhado e distribuído aquando das prendas.

Beijo

TEREZINHA disse...

ANA

QUE HISTÓRIA LINDA A DO KIBON!!!!!!

ELE, O TEJO ASSIM COMO AS NOSSAS BEBÊS SÃO UMA DAS RAZÕES DO NOSSO VIVER!!!!! POR ISSO DAMOS TANTO VALOR AS SUAS ALEGRIAS E TRISTEZAS.

AMAR OS ANIMAIS, AS PLANTAS, A NOSSA FAMÍLIA E O NOSSO TRABALHO FAZ PARTE DA CRIAÇÃO DOS NOSSOS PAIS.

QUE O KIBON POSSA FAZER MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITOS ANINHOS E QUE POSSAMOS VÊ-LO, AINDA MUITAS OUTRAS VEZES!!!!

BEIJOS DA TEREZINHA DO BRASIL!!!!!!

pinguim disse...

Gosto de animais e embora o cão seja considerado o melhor amigo do homem, eu prefiro os gatos.
Mas o amor que ganhamos aos nossos animais e a companhia que eles nos fazem são motivos de muita felicidade...e de muita tristeza, quando nos deixam, infelizmente.