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Companheiros de Pensamentos

domingo, 16 de setembro de 2012

Início de Ano Letivo

Inicia-se um novo ano letivo.
Confesso que este início de ano letivo vem acompanhado de uma grande frustração e revolta.
A grande insegurança que tenho, frente a um futuro próximo tão incerto, deixa-me com uma certa “neura”.
Revolta-me o fato de como sou roubada, constantemente, no resultado do meu trabalho. Até conformava-me com a falta de aumentos salariais mas tirarem-me o que já conquistei… é duro!
Devido às medidas economicistas de um governo que não respeita, nem valoriza a educação, tenho uma turma com o limite máximo permitido de alunos, com dois anos de escolaridade e com alunos que possuem necessidades educativas especiais. Em defesa de uma pseudo economia, prejudicam o percurso dessas crianças que mereciam melhor atenção por parte daqueles que “supostamente” são os doutores da educação.
Para quem sobra?
Para a professora que tem que ser “3 em 1”:
- tem que ser a professora do 3º ano;
- tem que ser a professora do 4º ano;
- tem que ser a professora para atender todas as necessidades educativas especiais dos seus alunos.
E isto tudo, ao mesmo tempo.
É fácil? Claro que não. Mas é frustrante, pois temos sempre a sensação que não fazemos tudo o que eles merecem.
Há algo de positivo nesta situação?
É claro que há: basta entrar na sala de aula, olhar os seus rostos, ouvir as suas risadas, perceber a vontade de aprender, de crescer que os seus olhinhos transmitem.
Como já disse e repito: ainda não nasceu o ministro de Educação que me fez perder a paixão pela minha profissão!
 
(imagem tirada da net)
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Praça do Leitor

Aceitei participar do desafio de Crónicas On the Rocks, escolhendo a "minha praça".
Já passeei por muitas; já vivi momentos felizes em algumas e já chorei em outras. Já me encatei de outras tantas e já atravessei umas poucas, distraidamente.
E decidi escolher a Praça da Estrela. E porquê esta praça?
Porque fica perto de uma Basílica lindíssima: Basílica da Estrela (ou Basílica e Convento do Santíssimo Coração de Jesus)-
Porque fica em frente de um Jardim que foi marcante na minha infância: Jardim Guerra Junqueiro.
Jardim esse, onde meu pai levava-me todos os domingos (sempre que o tempo permitia) e onde eu comecei meus vôos... no baloiço. Onde passei momentos muito alegres e cúmplices com minha mãe.
Nessa praça, o mundo era tranquilo e a vida, sempre florida.


sábado, 8 de setembro de 2012

Até quando?

 
Estou zangada, desanimada, revoltada, desesperançada...
Quando é que vou parar de ser roubada,
DIRETAMENTE,
no meu salário?
Quando é que vão parar de castigar
aqueles que trabalharam uma vida inteira
e têm pensões de miséria?
Quando é que vou parar de ver tanta insensibilidade,
da parte daqueles que nos governam?
("largam uma bomba" e depois vão ouvir música!)
Quando é que vou parar de ver os números
de desempregados sempre a subir?
Quando é que vou poder planejar,
COM CONFIANÇA,
o meu futuro?
 
(não tenho visitado os meus "companheiros de pensamentos" porque, sinceramente, ando muito desanimada com tudo isto)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Como ensinar?

Narra uma antiga lenda que, certa vez, um rei chamou o homem mais sábio que conhecia para pedir conselhos.
O soberano se preparava para ser pai e desejava orientações a respeito da educação de seus filhos, uma vez que sabia da importância de seu papel como progenitor na vida dos rebentos.
Dize-me, sábio conselheiro, tu que sempre me ajudaste nas questões mais graves na regência deste reino: como deve agir um pai para criar bons filhos?
Deve agir com extrema severidade, a fim de corrigir e dominar os maus instintos, ou com absoluta benevolência - a fim de manter uma boa relação e destacar as boas tendências deles?
Ao ouvir essas palavras, o ilustre filósofo manteve-se em silêncio, pensando, pensando...
Passados alguns instantes de profunda reflexão, chamou um servo e pediu-lhe que trouxesse dois vasos valiosos de porcelana que decoravam o salão real e que ele sabia estavam entre os preferidos do rei.
Pediu também um balde com água fervente e outro com água gelada, praticamente congelada.
O rei estava achando aquilo muito estranho. Inclusive, começou a ficar um pouco preocupado com a movimentação das peças que eram parte do seu tesouro pessoal.
Com naturalidade, o sábio ordenou a um servo:
Quero que enchas esses dois vasos com a água que acabas de trazer, sendo um com água fervente e o outro com água gelada!
Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervente num dos vasos e a gelada no outro, quando o rei, emergindo de sua estupefação, interveio no caso com energia:
Que loucura é essa, ó venerável sábio! Queres destruir estas obras maravilhosas? A água fervente fará, certamente, arrebentar o vaso em que for colocada. A água gelada fará partir-se o outro!
O sábio, calmamente, então tomou de um dos baldes, misturou a água fervente com a gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum.
O poderoso monarca e os venerandos mandarins presentes, observaram, atônitos, a atitude singular do filósofo.
Ele, porém, indiferente ao assombro que causava, aproximou-se do soberano e assim falou:
Nossos filhos, ó rei, são como o vaso de porcelana. A postura do pai é como a água.
A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a alma das crianças.
Manda, pois, a sabedoria e ensina a prudência que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade - com que se pode tolher os maus pendores, corrigir as falhas - e a generosidade, a docilidade - com que se deve tratar e cultivar as qualidades.


domingo, 2 de setembro de 2012

Docência



Agora que começamos um novo ano letivo, seria muito bom que todos os pais pedissem isto aos Professores.
Seria muito bom que o ministério se preocupasse em que os Professores atendessem este pedido.
Com certeza, a sociedade futura seria muito melhor.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vergonha!


(imagem retirada do blog Professores Lusos)

Hoje, milhares de professores estão à espera para saber se têm ou não trabalho e onde.
Situação que se repete todos os anos.Depois de saberem se têm colocação, e se essa colocação for distante da residência, têm que correr para procurar quarto ou casa para alugar, pois têm que se apresentar na segunda-feira; para além de começar a preparação para as aulas.
Ah, mesmo que a distância seja superior a 100 km, não têm SUBSÍDIO DE DESLOCAÇÃO, não têm AJUDAS DE CUSTO.
E não são só os Professores Contratados que estão nessa situação; são todos os Professores.
Afinal, quem mandou escolher a Profissão de Professor?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

GUGA

GUGA

Numa altura em que surgiram algumas notícias sobre “cães perigosos”, gostava de dizer algo sobre a “Guga”.
Guga” era uma cadela, da raça Rottweiler, uma raça considerada perigosa que pertencia a uma prima.
Sempre que visitava a minha prima, eu seguia sempre o mesmo ritual que adopto quando entro em casas que tenham cães (sejam de que tamanho forem), o qual consiste, simplesmente, em “dar um tempo ao cão”. Um tempo para ele aproximar-se de mim, cheirar-me, começar a perceber que não faço mal a nenhum membro da “sua” família.
Depois desse tempo, começavam as festinhas, as brincadeiras e os “abusos” (sempre consentidos por mim).
Provocava a “Guga”, batendo com as mãos no meu peito, para que ela ficasse em pé, nas patas traseiras, enquanto se apoiava com as patas dianteiras na minha cintura. Esta brincadeira, a “Guga” só fazia a mim, à dona e a mais uma pessoa.
Os “abusos” aconteciam quando sentava-me no sofá para conversar com a minha prima. A “Guga” ia-se aproximando, devagarinho, colocava o focinho na minha perna; depois uma pata; a seguir outra; tudo bem devagar, até estar com todo o seu corpo (nada pequeno) no meu colo.
E a “Guga” era assim! Brincalhona, paciente com as filhas de minha prima.
Mas o mais curioso, e o que gosto de salientar, foi o seu comportamento numa certa visita à minha prima.
Entrei na casa, seguiu-se o ritual e lá vou eu, como gostava de fazer, provocar a “Guga” para ficar em pé. Só que ela não se ergueu nas patas de trás.
Insisti, ela ameaça erguer-se mas … senta-se à minha frente. Insisto mais uma vez e ela permaneça sentada. Perguntei à minha prima o que ela tinha, ao que ela respondeu que não sabia. Aí… minha mãe, com toda a sua sensibilidade, respondeu:
- Então, filha, estás grávida! Ela não quer te magoar.
Minha prima e eu olhámo-nos, duvidosas. Será? Talvez… Pode ser…
Sentámo-nos no sofá para uma amena conversa e a “Guga”, como sempre fazia, foi-se aproximando de mim, bem devagarinho; colocou o focinho na minha perna e… SÓ.
Naquela tarde, apenas ficou pelo focinho. Estava confirmado: ela não queria magoar-me; apesar da minha gravidez, na altura, contar APENAS 3 meses.
A gravidez seguiu o seu curso. O tempo passou.
Quando retornei à casa da minha prima, já depois de uns largos meses, quis fazer o teste e lá vou eu provocar a “Guga”. Será que ela aceita a provocação e “abraça-me” pela cintura? Claro que sim e sem hesitação.
Pois é. Aquela cadela, era tão PERIGOSA, que teve a sensibilidade de perceber que dentro de mim, havia mais alguém que precisava de cuidados.
PERIGOSA? De forma nenhuma. Muito pelo contrário: meiga, paciente, inteligente, brincalhona, cuidadosa, sensível.
Não há RAÇAS PERIGOSAS. Há DONOS PERIGOSOS.

sábado, 18 de agosto de 2012

CÃOpanheiros


O meu Kibon já soma mais um aninho.
Certo dia, estava eu dentro do pátio da minha casa, quando aproximou-se um casal amigo ao portão para conversar comigo.
Conversámos, com a companhia do Kibon em pé nas patitas traseiras, apoiado nas minhas pernas.
A certa altura, o meu amigo pergunta "ele morde?", estendendo a mão, por cima do portão, para lhe fazer uma festa.
Como o Kibon nunca tinha mordido ninguém, aliás era muito "dado" com as pessoas, eu preparava-me para responder "não".
Mas, antes de ter tempo para responder, o Kibon resolve tentar morder a mão do senhor; só não mordendo porque, como eu o estava segurando, recuei rapidamente evitando a mordida.
Por quê?
Poderia dar algumas respostas racionais e emotivas. Mas não importa.
Importa ter respeito, cuidado, segurança, carinho para com os nossos CÃOpanheiros, para que eles não causem sofrimentos a ninguém e possam ter uma vida longa e tranquila.

Sempre alertas!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Geraldo Vandré



Pra não dizer que não falei das flores

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Festa da Aldeia

Os meses de julho e agosto têm uma certa magia e, de certa forma, deve-se às festas das aldeias, vilas.
Particularmente, gosto imenso de observar os preparativos: a colocação dos mastros, das luzes, a música a ouvir-se pelas ruas da localidade.
Admiro o trabalho dos jovens a enfeitarem a calçada por onde passa a procissão. Chegam cedinho e levam a manhã toda a transformá-la numa linda visão. E quando, à tardinha, começam a sair os andores tão bem enfeitados e a procissão tem início, é um momento único (apesar de não professar nenhuma religião).
Sem falar dos bolos da festa, dos petiscos e da boa comida. É muito agradável quando aproximamo-nos do recinto da festa e somos recebidos por um “cheirinho” que ajuda a abrir o nosso apetite.
Sim, gosto da festa da "minha" aldeia!
Sim, gosto de ver que os jovens não deixam morrer esta festividade.
Não faço idéia de todo o trabalho que deve envolver toda a preparação e realização mas, a cada ano que passa, fico feliz por toda essa magia que sinto na festa desta aldeia que já a adotei como "minha".