Companheiros de Pensamentos

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Volta !


Resultado de imagem para professora
“Tenho a esperança que a turma deste meu filho ainda terá a oportunidade de conhecer aquela professora que a turma do meu outro filho conheceu.” (Esta frase é de uma mãe, de dois filhos, que está a referir-se à professora de ambos.)

Por onde andas tu, que começaste a ser professora em 1994?
Que choravas, de alegria, quando os teus alunos começavam a ler as primeiras palavras?
Que passavas os fins-de-semana a passar inúmeras atividades no mimeógrafo para distribuíres aos teus alunos que não tinham dinheiro para comprar os manuais escolares?
Que levavas a tua turma, com 38 alunos, para debaixo das árvores do recreio, para lerem ou, simplesmente, ouvirem as histórias que lias para eles?
Que criavas jogos para facilitar a aprendizagem dos conteúdos a serem trabalhados?
Que desenvolvias projetos de solidariedade em benefício de animais, crianças carenciadas, idosos?
Que pesquisavas, constantemente, lugares onde levar os teus alunos para ampliarem os seus conhecimentos?
Que compravas revistas e livros sobre o tema Educação para que os teus alunos tivessem uma professora sempre atualizada?
Que começavas o dia com um estrondoso BOM DIA ao que os teus alunos respondiam da mesma forma e com gargalhadas à mistura?
Que ao fim de desenvolveres as tuas aulas e ecoava o sinal da escola, marcando o fim de mais um dia letivo, ouvias dos teus alunos: “Já acabou a aula?
Que sempre tiveste turmas com grandes desafios, com grandes problemas comportamentais, com grandes dramas emocionais mas que sempre conseguiste ultrapassá-los?
Onde andas tu, que não tencionavas ser professora, que começaste a título provisório mas que, após o primeiro contacto com aqueles olhinhos cheios de curiosidade, traquinice, meiguice; decidiste que era essa a missão que querias enfrentar e desenvolver da melhor forma possível?
Por onde andas?
Andas perdida com tanta burocracia?
Andas amarrada com tantas grelhas, relatórios, formulários, avaliação?
Andas entediada com tantas reuniões que não levam a nada?
Andas frustrada com conteúdos tão extensos e tão fora de contexto, pois não levam em conta o desenvolvimento das crianças?
Andas dececionada com a desvalorização, por parte dos governantes, dos meios de comunicação e de alguns pais, da importância que a tua profissão tem em qualquer sociedade?
Andas cansada de veres tantas injustiças, mentiras, hipocrisias, falsidades?
Andas desiludida com a carreira docente?
Até podes ter razão…
Sim, sei que o teu cuidado, respeito com os teus alunos não se alterou.
Sim, sei que a tua preocupação com uma aprendizagem de qualidade não mudou.
Mas volta!
Volta para a tua sala de aula e diz, bem alto: BOM DIA!
Volta a ensinar “brincando”!
Volta, mesmo que tenhas que “remar contra a maré”!
Volta a ter o prazer de ouvir umas boas gargalhadas desses pequenitos só porque fizeste uma palhaçada ou porque inventaste algo diferente!
Volta a lembrar o que teu pai disse quando regressaste da primeira aula que deste àquela tua primeira turma, repleta de casos de carência material, emocional e violência doméstica:

“Procura proporcionar aos teus alunos, naqueles momentos que estás com eles, boas memórias. Não vais mudar o mundo, mas podes mudar a vida deles, nas tuas aulas.”

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Dia do Professor

Hoje, em Portugal, é o dia do Professor. No Brasil, será no dia 15. Aproveito para dedicar este lindo texto de João Pedro Mésseder, a todos os meus colegas de tão Nobre Profissão, daqui e d'além mar. Como dizia Paulo Freire; a nossa profissão não é a mais importante de todas... ela é FUNDAMENTAL para a sociedade!
Ser professor,
Se não houvesse espelhar de olhos no primeiro dia de aulas, ser professor não seria um sonho.
Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.
Se nunca um verso ganhasse asas no fresco dos seus lábios, ser professor não seria um sonho.
Se um livro, uma pintura, um ambiente virtual ou um filme não abrissem uma porta até então fechada, ser professor não seria um sonho.
Se o tédio não pudesse emagrecer, ser professor não seria um sonho.
Se o saber não construísse pessoas melhores, ser professor não seria um sonho.
Se Arte e Jogo, Língua e Ciência não pudessem ser nomes próprios, nobres palavras, ser professor não seria um sonho.
Se um certo olhar não sorrisse ao conseguir ler pela primeira vez uma frase, fazer uma descoberta, resolver um problema, ser professor não seria um sonho.
Se um rosto não se iluminasse ao ouvir “muito bem!”, “está bem visto!”, “um passe perfeito!”, ser professor não seria um sonho.
Se uma mão negra e outra branca e outra morena não pudessem tocar-se, ser professor não seria um sonho.
Se várias cabeças não conseguissem pensar melhor do que uma, ser professor não seria um sonho.
Se o silêncio e o asseio, a sobriedade e a ordem não pudessem ser aprendidos, ser professor não seria um sonho.
Se o medo e a violência, a solidão e a pobreza não pudessem ser combatidos, ser professor não seria um sonho.
Se justiça e democracia, fraternidade e autoridade não pudessem ser aprendidas, ser professor não seria um sonho.
Se na escola não pudesse germinar a paz e a entreajuda, em vez da competição, ser professor não seria um sonho.
Se a escola não ajudasse a reordenar o mundo, ser professor não seria um sonho.
Se a inteligência não pudesse guiar o sonho, se este não pudesse guiar a inteligência, ser professor não seria um sonho.
Quando nas lides te iniciaste, ser professor tinha a forma de um sonho? Se não tinha, o tempo deu-lhe essa forma. Para muitos, ser professor é tornar real um sonho. O de ajudar a crescer, a fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
E não há ofensas, nem indignidades – provindas de efémeros poderes –, nem rankings, nem propagandas capazes de matar esse sonho.
Nem distâncias, nem sacrifícios, nem desassossego, nem noites em claro…
Sem vozes de crianças e jovens à tua volta, sem humana relação, ser professor não seria um sonho.
João Pedro Mésseder, no Dia do Professor 2018


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Turma 1993







Bateu uma nostalgia...
Já se passaram 25 anos!
Há 25 anos formava-me em Pedagogia e iniciava um percurso que tornou-se apaixonante!
Não imaginava que essa paixão continuaria viva após tantos anos!


sábado, 20 de maio de 2017

Manter a diferença

Reencontrei, depois de uns bons anos, um colega de profissão que desenvolveu uma atividade com os meus alunos.
Quando terminou, disse-me:
- Continuas a fazer a diferença. Continuas a formar turmas bem comportadas, alegres e divertidas. Parabéns! Continua!
Sempre que levo a minha turma a uma visita de estudo ou atividade, recebo sempre os parabéns pelo seu comportamento e participação.
Muitas assistentes operacionais elogiam-me por fazer com que os meus alunos tenham respeito por elas e pelo seu trabalho.
Alguns encarregados de educação, que podem participar mais assiduamente, observam e gostam de ver como pode haver um ambiente descontraído sem deixar de lado o respeito mútuo.
Não espero elogios, nem cumprimentos quando trabalho com meus alunos.
Felizmente, alguns deles vêm com uma boa “bagagem“ de valores graças à educação recebida de seus pais. Infelizmente, para outros os valores são, unicamente, trabalhados em sala de aula.
O meu maior desejo é que eles percebam que o respeito a si próprio e ao outro é fundamental.
Porém, confesso, quando ouvi aquelas palavras de um colega de profissão, emocionei-me.


sábado, 19 de abril de 2014

Nada mudou!

(minha atual turma)
Nada mudou!
A paixão continua a mesma.
Como é emocionante acompanhar a descoberta do processo da leitura.
A primeira vez que tive uma turma de 1º ano foi em 1994, no Brasil. Uma turma com alunos muito carenciados, de famílias desestruturadas, sem nenhum apoio familiar.
Ainda hoje lembro, perfeitamente, quando um desses alunos começou a ler, num ritmo lento, algumas palavras soltas e eu … chorei.
Naquele momento, as lágrimas começaram a rolar e eu não as conseguia controlar.
Ele virou-se para mim e perguntou-me, com uma carinha triste: “ Estou lendo mal?”
Respondi-lhe que não, que ele estava a ler bem e ele, com uma cara agora muito espantada, perguntou: “Então porque estás chorando?” E, eu, simplesmente, respondi-lhe: “Não sei!”
Hoje, já saberia o que responder.
Sempre que tenho uma turma de 1º ano, sinto a mesma emoção daquele dia.
Acompanhar o início da descoberta da leitura das primeiras palavras é maravilhoso.
Todo o corpo da criança se mobiliza para “ler”. Um ato que para nós, adultos, é tão mecânico, para ela significa um enorme esforço.
As mãos apertam-se, as pernas “dançam”, a cabeça fica fixa na direcção do texto, a boca articula plenamente cada som e os olhos, (ah! Os olhos…), os olhos iluminam-se cada vez que uma palavra é falada, é compreendida.
É neste preciso momento que o “mundo” é descoberto. É neste preciso momento que a criança fixa-nos com um olhar iluminado e diz, com um sorriso enorme: “Eu sei ler!”
As crianças, na sua ingenuidade, transmitem uma grande verdade: SABER LER.
Saber ler é bem diferente do que saber decifrar os símbolos que são as letras. Decifrar as letras … é fácil. Mas, SABER LER…
Saber ler é a chave para um mundo de conhecimentos, de dilemas, de verdades e de mentiras.
Saber ler abre as mentes.
Saber ler faz-nos “crescer”.
Hoje, saberia responder-lhe: “Choro de alegria por ver-te “crescer”. Choro de alegria por “ver” o resultado do meu trabalho.”
Não há ministro de Educação que tire esta alegria de mim.
Não há burocracia que acabe com esta emoção que vivo cada vez que um meu aluno começa a ler.
Não há ROUBOS no salário que matem esta paixão.
A paixão por ensinar continua a mesma e as lágrimas só não rolam porque … faço uma enorme força para controlá-las.
Amo a minha profissão.
Amo os meus alunos.

sábado, 28 de setembro de 2013

Em apenas 15 dias!

Já se passaram 15 dias de aulas e já estou perdidamente apaixonada pelos “meus” pequenos.
É incrível como é possível ainda ter esta “paixão” por um trabalho que nos esgota psicologicamente, emocionalmente; que nos estressa, nos desgasta.
Ainda não surgiu ministério capaz de matar esta vontade de continuar nesta profissão.
Já tive a oportunidade de leccionar em vários níveis de ensino, até nos cursos de formação de professores, mas é neste ciclo inicial que mais “riqueza” obtenho. Também é este ciclo que mais “puxa” por nós.
Não basta estar preparado em matéria de currículo, novas tecnologias, didácticas, pedagogias diferenciadas… É imprescindível saber “ler” seus olhos, suas posturas, seus comportamentos.
Não basta “apenas” ensinar! É preciso “querer” aprender com essas crianças!
E uma delas já está a ensinar-me que as dificuldades existem para serem superadas!
Pequena GRANDE miúda!!!!

domingo, 15 de setembro de 2013

Um novo Ciclo

(imagem da net)
 
Inicia-se um novo Ciclo.
Foi-me atribuída uma turma de 1º ano e espero que prossigamos juntos por quatro anos.
É incrível como me sinto envergonhada por estar aliviada.
Quando vejo na comunicação social que mais de 30.000 colegas estão sem colocação, não consigo expressar plenamente a minha alegria, a minha satisfação por ter recebido o que desejava (pois a minha última turma foi toda "desmantelada").
Sei que não vai ser fácil, sei que vou enfrentar um grande desafio: pela primeira vez tenho um aluno com Necessidades Educativas Especiais. Sei que vamos aprender juntos.
O ano escolar começa cheio de preparativos: projetos novos, atividades diversificadas, grupo de trabalho novo... mas não poderia deixar de passar por aqui para deixar uma palavrinha para todos os "companheiros de pensasentimentos".
Não tenho vindo por estas bandas mas, assim que as coisas estiverem "nos trilhos", voltarei a passear pelos blogues tão queridos.
Obrigada pela vossa carinhosa presença.
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Andorinhas

Não foi um ano escolar nada fácil. Uma turma com dois anos de escolaridade (3º e 4º); a preocupação de realizar uma boa preparação para as provas finais (4º ano), uma pedagogia diferenciada para o aluno com necessidades educativas especiais, o desenvolvimento dos conteúdos inerentes ao 3º ano, sem descurar todo o envolvimento pessoal e afetivo com os alunos…
Apesar do ano letivo ter chegado ao fim… ainda há muita coisa pela frente: relatórios, análises de resultados, exames, acompanhamento extraordinário, reuniões, reuniões e reuniões…
E depois?
Depois… continua a angústia, a incerteza, a frustração, o receio do que ainda pode vir por aí.
Procuro encontrar serenidade nas “minhas” agitadas andorinhas.
Quando retornam ao fim de um ano de ausência, encontram sua “casa” completamente destruída e, de imediato, põem “asas” à obra e a reconstroem entre os poucos dias de sol que eram interrompidos por tantos dias de chuva que esta nossa primavera trouxe.
Assim que a “casa” está acabada, a família instala-se e prepara-se para cuidar dos novos filhotes.
Passam os dias num verdadeiro carrossel em voos rasantes, terminando-os em calmas “conversas” ao por do sol.
E assim tudo acontece até ao fim do verão, quando partem para outras terras, sem terem a certeza de que, ao retornarem, encontrarão a sua “casa” tal e qual como a estão a deixar…
Pois é… apenas incertezas ou será certezas?
Certezas de que amanhã será um outro dia.
Melhor ou pior?
Não importa.
Importa que haja o nascimento de um novo dia.


 
 

domingo, 21 de abril de 2013

Não teremos mais nada!

"Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro."  (D. Pedro II)


Sinceramente, gosto muito de ser professora mas fico indignada com a falta de respeito, ou melhor, com a falta de conhecimento sobre a nossa função.
Sempre ouvi meus pais dizerem que: "na escola recebes a instrução, em casa recebes a EDUCAÇÃO."
Desde cedo, isto é, desde o primeiro ano de escolaridade, meus pais ensinaram-me que EU era a responsável pelo meu trabalho como aluna; o que englobava: prestar atenção nas aulas, tirar todas as dúvidas com os professores, realizar as tarefas pedidas (tanto na escola como em casa) e, principalmente, exercitar a educação que levava de casa.
Meus pais nunca "se preocuparam" se eu tinha ou não trabalhos para casa, se eu tinha ou não que estudar para testes.
Deixaram sempre bem claro que a minha profissão era ser aluna e, portanto, tinha que aprender, desde cedo a organizar-me, a ser responsável nas minhas tarefas.
É claro que deram-me as "ferramentas" necessárias: uma alimentação saudável, muito carinho, uma presença constante enquanto pais/amigos/companheiros.
Mas nunca questionaram se havia muito trabalho para casa, se havia muitos testes...
Quando eu reclamava porque algum professor aplicava um "teste surpresa", ouvia como resposta: "É tua obrigação estar preparada!"
Quando eu reclamava que tinha testes em dias consecutivos, recebia como resposta: "Organiza-te; mesmo porque não se estuda SÓ de véspera!"
Sim, em minha casa, respeitava-se a profissão de Professor.
Significa que Professor nunca erra? Claro que não! Em todo o meu percurso enquanto aluna, houve uma situação que meu pai teve que falar com uma professora e houve outra que eu discuti com o professor (porque dirigiu-se ofensivamente à turma). Respeito é uma via de "mão dupla".
No entanto, nos dias de hoje, a impressão que tenho é que "certos" pais infantilizam demais seus filhos. Chamam para si responsabilidades que cabem a seus filhos.
Nos dias de hoje, colocam os filhos no futebol, no balé, na banda, no judo, no basquetebol, na natação,... e a escola que, no meu entender, deveria ser a 1ª prioridade fica renegada a acessório. E o pior: não sobra tempo para a criança BRINCAR.
E aí sobra para o Professor! Que não devia mandar tarefas para casa, a fim de consolidar os conteúdos trabalhados em aula, que não devia marcar muitos testes, que não devia puxar tanto pelos alunos... sem falar que também há quem reclame por o Professor "insistir" para que o aluno coma o seu lanche, para que não fique muito tempo sem se alimentar (!).
Há dias que tenho vontade de "chutar o balde".
Por outro lado, felizmente, muitos pais conhecem bem a nossa função e, o mais importante, educam os seus filhos, preparando-os para serem responsáveis, ativos, participativos.
E lá se foi mais um desabafo!
Amanhã, terei uns olhinhos risonhos, umas carinhas prontas para receber e dar muita energia.
 
 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Professor está sempre errado

(imagem tirada da net)
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência;
É velho, está superado!
Não tem automóvel, é um pobre coitado;
Tem automóvel, chora de "barriga cheia”!
Fala em voz alta, vive gritando;
Fala em tom normal, ninguém escuta!
Não falta ao colégio, é um “caxias”;
Precisa faltar, é um “turista”!
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos;
Não conversa, é um desligado!
Dá muita matéria, não tem dó do aluno;
Dá pouca matéria, não prepara os alunos!
Brinca com a turma, é metido a engraçado;
Não brinca com a turma, é um chato!
Chama a atenção, é um grosso;
Não chama a atenção, não sabe se impor!
A prova é longa, não dá tempo;
A prova é curta, tira as chances do aluno!
Escreve muito, não explica;
Explica muito, o caderno não tem nada!
Fala corretamente, ninguém entende;
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário!
Exige, é rude;
Elogia, é debochado!
O aluno é reprovado, é perseguição;
O aluno é aprovado, deu “mole”!
É, o professor está sempre errado...
Mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!!!

(Jô Soares)

Tem dias que sinto exatamente isto...
Porém, também há dias que compensam os outros...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia Internacional do/a Professor/a

(imagem tirada da net)
 
Verdades da Profissão de Professor
"Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."


  (Paulo Freire)
 


Não ando com disposição para escrever... portanto deixo as palavras de um grande Educador.

domingo, 16 de setembro de 2012

Início de Ano Letivo

Inicia-se um novo ano letivo.
Confesso que este início de ano letivo vem acompanhado de uma grande frustração e revolta.
A grande insegurança que tenho, frente a um futuro próximo tão incerto, deixa-me com uma certa “neura”.
Revolta-me o fato de como sou roubada, constantemente, no resultado do meu trabalho. Até conformava-me com a falta de aumentos salariais mas tirarem-me o que já conquistei… é duro!
Devido às medidas economicistas de um governo que não respeita, nem valoriza a educação, tenho uma turma com o limite máximo permitido de alunos, com dois anos de escolaridade e com alunos que possuem necessidades educativas especiais. Em defesa de uma pseudo economia, prejudicam o percurso dessas crianças que mereciam melhor atenção por parte daqueles que “supostamente” são os doutores da educação.
Para quem sobra?
Para a professora que tem que ser “3 em 1”:
- tem que ser a professora do 3º ano;
- tem que ser a professora do 4º ano;
- tem que ser a professora para atender todas as necessidades educativas especiais dos seus alunos.
E isto tudo, ao mesmo tempo.
É fácil? Claro que não. Mas é frustrante, pois temos sempre a sensação que não fazemos tudo o que eles merecem.
Há algo de positivo nesta situação?
É claro que há: basta entrar na sala de aula, olhar os seus rostos, ouvir as suas risadas, perceber a vontade de aprender, de crescer que os seus olhinhos transmitem.
Como já disse e repito: ainda não nasceu o ministro de Educação que me fez perder a paixão pela minha profissão!
 
(imagem tirada da net)
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Docência



Agora que começamos um novo ano letivo, seria muito bom que todos os pais pedissem isto aos Professores.
Seria muito bom que o ministério se preocupasse em que os Professores atendessem este pedido.
Com certeza, a sociedade futura seria muito melhor.

domingo, 24 de junho de 2012

Melancolia

Muito obrigada a todos pelas vossas palavras. A tosse e os espirros já foram embora mas deixaram uma "companheira" => a rouquidão!
Mas, aos poucos, parece que ela está diminuindo.
Estou bastante ausente. Podia dizer que é por causa do final de ano letivo, da papelada a preencher...
Na realidade, ando um pouquinho melancólica. Depois de tantos anos nesta profissão, pensei que acabava por acostumar-me mas, não.
Os meus alunos terminaram um ciclo nos seus estudos e seguirão seus caminhos em outras escolas. Depois de quatro anos a vê-los "crescer", depois de quatro anos de tantas lições dadas e recebidas... eles vão "voar" para longe.
Como todas as turmas que já tive, esta também deixa muitas saudades.
Tenho tido bons Encarregados de Educação mas os desta turma foram "fora de série".
Para além do apoio que deram aos seus educandos, para além de sempre estarem presentes, também foram bastante colaboradores em todas as atividades propostas por mim; já sem falar de sempre demonstrarem iniciativa para promover outros eventos.
O ano escolar mal acabou e já deixou muitas saudades.
Como será o caminho que cada um irá seguir?
Quais serão as suas escolhas?
Como gostava de ter a chance de "acompanhá-los"...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os fantasticos


É sempre bom recordar o fruto de um trabalho conjunto!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pensando no que disse o João...

“Esta é a visão optimista e a que devia ser a única e a verdadeira, de uma pessoa se sentir um verdadeiro professor.
Infelizmente a realidade é outra, muito diferente e ser professor, hoje em dia é mais uma profissão de risco do que uma reconfortante recompensa diária.” (João Roque; do Blog whynotnow)
Sim, é verdade, é uma profissão de risco.
Professores são agredidos fisicamente por alunos, por encarregados de educação… São denegridos por “determinados” políticos, por “determinados” ministros, por “determinados” governantes, por “determinados” comentaristas na comunicação social. (Acredito que estes são casos de ex-alunos traumatizados!)
É claro que houve, há e sempre haverá péssimos professores. Há aqueles que escolheram esta profissão porque não gostavam de matemática (nunca entendi esta justificativa).
Ouvi dizer, há muito tempo, que o curso de magistério é um curso espera-maridos. (???)
Há aquelas pessoas que escolheram esta profissão porque a achavam fácil (aonde?).
Também há aqueles que escolheram esta profissão porque achavam que iam trabalhar pouco (inocentes!).
Sim, há péssimos professores que nunca deveriam ter iniciado a carreira docente; se calhar, são exatamente os que escolheram a profissão pelos motivos errados.
Quando, adolescente, buscava uma opinião de meus pais sobre qual profissão devia seguir, eles sempre respondiam:

“- Filha, não nasceste rica. Vais ter que trabalhar como teus pais sempre trabalharam. Portanto, escolhe uma profissão, um trabalho que, para além de fornecer-te o que necessitas para viver, te dê prazer. A pior coisa é, logo de manhã, ires para o teu emprego já desanimada pelo que vais realizar.”

Não iniciei a minha carreira profissional na docência.
Confesso que, quando escolhi cursar a licenciatura em Pedagogia, não estava nos meus planos exercê-la em sala de aula. Muito pelo contrário, planejava vir a ocupar uma vaga de pedagoga na companhia siderúrgica, onde trabalhava na altura.
Mas como o Homem põe e Deus dispõe… E ao descobrir a profissão de Professor, descobri, SIM, que pode ser uma reconfortante recompensa diária.
Apesar de não ser fácil lidar com seres humanos em formação, com seus encarregados de educação, com diversas origens, valores, culturas; apesar de ter que desenvolver um trabalho para além do que se desenvolve em sala de aula (pois um Professor, para além de aplicar diferentes metodologias, utilizar diversas técnicas, pesquisar variadas estratégias, preparar aulas, corrigir testes, analisar trabalhos, preencher uma vasta documentação exigida pelos vários órgãos competentes; também tem que se manter bastante atualizado pois, continuadamente, convive com novas gerações – e isto “sai do nosso bolso”); para além de roubar muito tempo à família para desenvolver projetos; é compensador observar como as pedras brutas vão se transformando, pela nossa ação, em DIAMANTES de grande quilate.
É claro que nem sempre temos sucesso; é claro que nem sempre a escola tem condições para atender nossas reivindicações; é claro que nem sempre os pais desempenham o seu papel; é claro que muitas vezes ouvimos:

O meu filho tirou notas muito boas. Ele é tão inteligente!

“O meu filho tirou notas baixas. A professora não ensina nada!

(acho interessante como no primeiro caso, a professora “não risca nada” e como no segundo, o aluno “não risca nada”! Enfim…); é claro que nossos salários são baixos, não temos ajudas de custo para habitação, transporte (como têm os nossos dedicados deputados, ministros,…); é claro que, às vezes, sentimo-os frustradas, impotentes, revoltadas; mas AINDA não conseguem furtar-nos a alegria que sentimos ao constatar o fruto do nosso trabalho, ou seja, o desenvolvimento dos nossos alunos.

(imagem da net)
Obrigada a todos os que deixam seus comentários neste meu cantinho.
Obrigada, João, pela oportunidade de desabafar mais um pouquinho. Seus comentários instigam-nos a refletir, a repensar, a dar sempre mais um passo à frente.

sábado, 10 de dezembro de 2011

PERSISTIR NUM IDEAL



QUE O FUTURO SEJA FELIZ PARA TODOS!

sábado, 3 de setembro de 2011

Era uma vez uma jovenzinha

(imagem tirada da net)
Era uma vez uma jovenzinha que tinha que escolher qual o caminho a seguir para obter a sua futura profissão.
Quando era criança, sonhava em ser professora e suas colegas diziam-lhe que ela tinha muito jeito em explicar-lhes as matérias em que tinham dificuldades.
Certo dia, a jovenzinha resolveu aconselhar-se com uma professora que já possuía muitos anos de profissão e perguntou-lhe o que acharia de seguir a sua profissão. Imediatamente, a velha professora respondeu-lhe que tirasse isso da ideia e enumerou uma série de motivos como: salário baixo, muito trabalho, alunos malcriados, cansaço, enfim, concluiu afirmando que toda a paixão inicial desaparece totalmente com o passar dos anos.
A jovenzinha saiu desse encontro muito pensativa, pois ela já sabia que teria que trabalhar para ajudar a manter a casa, juntamente com seus pais que eram muito pobres e, portanto, tinha que pensar muito bem com respeito ao salário que viesse a receber.
Depois de muito refletir, optou por uma outra profissão que também gostava.
E assim, a jovenzinha concluiu o curso profissional e logo começou a trabalhar.
Os anos foram passando e, apesar de gostar do que fazia, sentia que não estava a acrescentar nada à sua vida. Apenas trabalhava por um salário.
Resolveu voltar a estudar e inscreveu-se no curso que a prepararia para poder vir a ser uma professora.
Como as crises também existiram noutros tempos, a jovenzinha viu-se desempregada pois seus patrões alegaram que, sendo solteira, não tinha tantas responsabilidades (mal sabiam eles que ela era o arrimo de família!).
A jovenzinha passava os dias aflita para conseguir algum trabalho na área em que ela sempre tinha trabalhado.
Sempre que voltava a casa, desanimada por não ter conseguido arranjar nada, o seu pai, seu grande amigo e muito sábio, sugeria que ela tentasse outra área; afinal, já tinha concluído o seu recente curso: já podia trabalhar como Professora.
Tantas vezes ouviu seu pai repetir a mesma coisa que, um dia, arriscou e procurou uma escola para trabalhar.
A Diretora, mesmo sabendo que não tinha experiência, atribuiu-lhe uma turma de 1º ano.
Lá foi a jovenzinha, cheia de expectativa, conhecer seus novos alunos e aplicar tudo o que tinha aprendido.
Ao chegar em casa, ao fim do dia de trabalho, a jovenzinha desatou a chorar e a desabafar com seus pais:
- Não é justo! Como o mundo pode ser tão cruel para as crianças! Elas não pediram para nascer! Meus alunos não têm famílias estruturadas, não recebem nenhum afeto nem apoio de seus pais, muitos deles têm os pais na prisão, mães na prostituição. Essas crianças passam fome em casa, pois a única refeição que fazem, é a da escola. Como é possível haver tantas crianças a sofrer?
A mãe dessa jovenzinha abraçou-lhe, pois um abraço de mãe vem sempre repleto de conforto, de calma, de paz e faz sempre um enorme bem.
O pai esperou que a jovenzinha se acalmasse e então, falou:
- Minha filha, não vais mudar o mundo! Só tens duas opções: ou não voltas nunca mais para uma sala de aula; ou fazes com que os teus alunos, naqueles momentos que estão contigo, possam ter momentos únicos de atenção, de afeto, de compreensão, de justiça, de ensinamentos; enfim, que possas dar sempre o teu melhor para eles, enquanto estiveres com eles.
A jovenzinha cresceu e tornou-se numa velha Professora e quando alguém lhe pergunta se deve seguir a sua profissão, ela, sorrindo, responde:
- Claro que sim! É uma profissão onde não vais ter grandes salários, vais ter muito trabalho, dias de muito cansaço, mas, em compensação, estarás sempre a conviver e a contribuir para formares o Futuro e esse Futuro vai sempre receber-te, a cada dia, com olhos vivos, brilhantes e sinceros sorrisos.

Feliz Ano Letivo!