Companheiros de Pensamentos

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Financeiros Familiares

(“Recordar é Viver” estará suspenso por dois dias, pois há um ano atrás, as minhas amigas estavam a conhecer mais lugares lindos do nosso Portugal pelas mãos dos seus queridos e simpáticos Tios.)

(imagem tirada da net)
Um dia destes estava a ver televisão quando a apresentadora de um programa anunciou, como sua convidada, uma “financeira familiar”.
O nome da profissão chamou-me a atenção, desconhecia que existisse tal ocupação e fiquei curiosa em saber no que consistia.
Pois a profissional tem a função de dar dicas, orientações em como a família deve gerir o seu orçamento e como deve iniciar os filhos nesse gerenciamento. E até forneceu algumas dicas, por exemplo:
- os pais devem chamar as crianças para presenciarem como se distribui o salário para as respectivas despesas (água, luz, prestações, etc);
- os pais devem estimular para que as crianças tenham 3 mealheiros destinados a POUPAR, GASTAR e DOAR;
- os pais devem fornecer uma semanada ou mesada aos seus filhos.
Como não podia deixar de ser, lembrei-me de meus pais e como eles sempre me chamavam para estar junto quando separavam o dinheiro do seu salário.
Naquele tempo meu pai chegava em casa, no fim de cada mês, com um envelope onde trazia o seu salário. Minha mãe, de seguida, ia buscar uns envelopes. E eu presenciava (um bocadinho contrariada, pois o que queria era ir brincar) a separação das notas e a sua colocação nos envelopes que tinham escrito: RENDA, LUZ, ÁGUA, MERCEARIA, MATERIAL ESCOLAR,…
Coincidência ou não, isso também passou a fazer parte da minha vida adulta. É claro que sem envelopes, mas ficando tudo registado em minha agenda, para “não dar um passo maior do que a perna”.
Com respeito aos mealheiros, lembro-me do 1º mealheiro que recebi de meus pais. Devia ter uns 5 ou 6 anos, talvez. O mealheiro tinha a forma de uma mãe africana com seu bebé e todas as moedinhas que conseguíssemos colocar nele, seria para ajudar as crianças de África. Ainda lembro da minha excitação quando entreguei aquele mealheiro carregadinho de moedinhas, na certeza de que seria de grande ajuda.
O meu 1º mealheiro foi destinado a DOAR.
A partir dos 12/13 anos ganhei outros mealheiros onde colocava moedinhas que meus pais iam dando. (O meu violão (viola) foi comprado com o auxílio de um mealheiro que levei um ano a encher…)
Agora com respeito à semanada ou mesada… nunca tive. Quando era adolescente, perguntei à minha mãe porque não me davam uma mesada, já que todas as minhas colegas tinham. Ela olhou-me e fez a seguinte pergunta: “- Por quê? Falta-te alguma coisa?”
Não. Mesmo com todas as dificuldades, mesmo com os baixos salários, mesmo com a enorme ginástica que meus pais faziam para esticar o dinheiro… nunca me faltou nada!
Afinal, meus pais eram “financeiros familiares”!