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segunda-feira, 25 de abril de 2022

18 anos

 


Henrique e Pedro, vocês fariam 18 anos.

Seriam adolescentes felizes? Ou rebeldes? Gostariam de ler? Ou iriam preferir atividades práticas? Seriam irmãos unidos? Quem sabe?

Após 18 anos, a mesma pergunta permanece: se não era para os ter, porque engravidei?

Será que, um dia, ainda vou ter a resposta?

sábado, 22 de abril de 2017

Para os meus (sempre) filhos Henrique e Pedro


Olá Henrique e Pedro;


            Hoje vocês fariam 13 anos.

            Há 13 anos não cheguei a ver-te, Pedro. Não deixaram. Acredito que tenham feito para o meu bem. Assim, convenci-me que serias “a cara” do teu mano.

            Tu, Henrique, ainda lutaste pela vida por 20 dias! Foste um guerreiro!

           Durante 20 dias, vivi um pesadelo. Como desejava que fosse só um sonho mau… mas não era.

            Esse pesadelo dava uma pausa quando tu reagias à minha voz. Cheguei a dizer à Enfermeira Vanda: “Até parece que ele conhece a minha voz!” E essa Enfermeira, que era mais um Anjo de todos que formavam a equipa maravilhosa que te acompanhava, respondeu, sorrindo: “Claro que reconhece. Você é a Mãe dele!”

            Esses dias são as minhas memórias enquanto mãe.

            Só possuo essas memórias. Não tenho histórias para contar de como aprenderam a andar, a falar, a deixar as fraldas, do primeiro dia de escola, dos aniversários, das traquinices, dos gestos de carinho ou das birras…

            Apenas aqueles 20 dias onde em cada minuto travavas uma luta entre a vida e a morte. E a morte acabou por vencer!

            Porém, tenho a certeza que vocês estão bem.

            Como diz a canção: “Deus chama os que mais ama!” (Talvez seja por isso que já chamou os meus pais e os meus filhos.)

            Henrique e Pedro, agradeço o que me ensinaram. Ensinaram-me que a vida tem que ser vivida ao minuto.
          E não importa quanto tempo vive um filho, pois ele será amado com imensa intensidade enquanto viver… e mais além.

            Parabéns, meus filhos!

            Beijinhos da vossa Mãe e do vosso Pai;

Ana Paula
e Carlos
 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Pedaço de Mim - Chico Buarque



Deixei de ser filha só porque os meus pais morreram?
Não continuo a dizer que meu pai gostava disso ou minha mãe costumava dizer aquilo?
Então continuo a SER mãe, mesmo de filhos mortos.
Há dez anos, encontrava-me grávida de gémeos.
Tudo corria bem, apesar de ser uma primeira gravidez, apesar de ter mais de 40 anos, apesar de ser uma gravidez de gémeos.
Era seguida e bem acompanhada pela minha médica, através de análises, ecografias, até amniocentese…
Até que… durante uma ecografia, só ouvimos um coraçãozinho.
Lembro, exatamente, o que a minha médica disse, naquele momento: “Perdemos um.”
A pressão arterial teve uma subida abrupta que causou uma tensão placentária, impedindo o desenvolvimento dos meus bebés.
Segui, imediatamente, para a Maternidade Alfredo da Costa para tentar salvar o outro bebé, pois o Pedro já tinha falecido. (E não me venham falar que não posso dar um nome a um feto morto. Dentro da minha barriga, já era meu filho).
Através de uma cesariana, nasceu o Henrique com 27 semanas e 630 gramas.
Não me deixaram ver o Pedro e nem o Henrique que seguiu, de imediato, para a Sala 5.
O Henrique lutou, cada minuto, durante 22 dias.
Durante 22 dias, vi Anjos (na forma de enfermeiras/os e médicas) entrarem nessa luta de corpo e alma. As doutoras e as enfermeiras/os estavam sempre atentas a tudo e também tinham a paciência de explicar-me tudo o que se passava com o meu filho.
Até as voluntárias da Sala 5, eram pessoas especiais. Lembro de um dia em que o Henrique lutava mais uma vez pela vida, rodeado por uma equipa de médicos e enfermeiros. Ao ver aquele alvoroço, fiquei sem reação. Surgiu logo uma voluntária para apoiar-me. Com uma mistura de graça e seriedade, foi contando a situação e acalmando-me.
No dia seguinte, essa voluntária aproximou-se de mim, olhou-me bem nos olhos e disse: “Pois é. Ontem, o Henrique quis ir jogar à bola com o irmão, mas o irmão mandou que voltasse, pois ainda não havia vaga na equipa.”
Ao fim de 22 dias, o Henrique juntou-se à equipa do Pedro.
Hoje, os meus filhos fariam 10 anos.
Sim, os meus filhos.
É claro que não perco tempo a acompanhar os seus trabalhos de casa, a fazer-lhes a comida, a levá-los à escola, ao futebol…
É claro que não perco tempo nas consultas médicas, nas reuniões de pais, nas festas de aniversários para os coleguinhas…
Mas… alguém já pensou no que faço para preencher todos esses espaços vazios?
Alguém, por acaso, pensa que ao enterrar-se um filho, ele desaparece de nosso coração, de nossa memória?
Por favor, não digam que tenho mais disponibilidade porque não tenho filhos.
Eu não tenho filhos por opção profissional ou pessoal.
Eu tenho filhos e, apesar de não ter a experiência que muitas mães têm nas atividades que desenvolvem com os seus, acreditem que tenho uma experiência que pouquíssimas têm: o de levá-los ao cemitério para serem lá depositados.
Há 10 anos tenho ouvido muitas frases, acredito, que com as melhores intenções para o meu consolo; porém, depois de sermos mães (mesmo de filhos falecidos), ficamos com a sensibilidade mais aguçada. Não quero compaixão. Quero compreensão!
É isso!


("PEDAÇO DE MIM" foi composta para uma peça teatral, “A ÓPERA DO MALANDRO”, na qual a personagem perde um filho, após nove meses de gestação e mostra todo o sofrimento da mãe na perda do filho-, o grande sinónimo do poema é a saudade e a dor incontroláveis.Vale a pena prestar atenção na letra deste tema de Chico Buarque.)

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

sábado, 12 de maio de 2012

Pedro e Henrique

(imagem tirada da net)
É impossível não lembrar.
Por mais que tenha seguido "em frente",
por mais que "pareça" forte,
por mais que tente arranjar "consolos" ou "justificações";
hoje fariam 8 anos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eric Clapton Tears In Heaven ( tradução ) Lágrimas no Paraiso


Para vocês, Henrique e Pedro, onde estiverem. (Saberiam o meu nome se me vissem no paraíso?)

terça-feira, 30 de março de 2010

Maternidade Alfredo da Costa


Na Maternidade Alfredo da Costa, não trabalham pessoas.
Já há muito tempo que tinha vontade de escrever sobre a minha “estadia” na Maternidade onde eu nasci.
Há seis anos que sinto uma vontade enorme de colocar cá para fora o que penso sobre aqueles com quem convivi 22 dias.
Há seis anos, encontrava-me grávida de gémeos.
Tudo corria bem, apesar de ser uma primeira gravidez, apesar de ter mais de 40 anos, apesar de ser uma gravidez de gémeos.
Era seguida e bem acompanhada pela minha médica, através de análises, ecografias, até amniocentese…
Até que… durante uma ecografia, só ouvimos um coraçãozinho.
Lembro, exactamente, o que minha médica disse, naquele momento: “Perdemos um.”
Segui, imediatamente, para a Maternidade Alfredo da Costa para tentar salvar o outro bebé, pois o Pedro já tinha falecido. (E não me venham falar que não posso dar um nome a um feto morto. Dentro da minha barriga, já era meu filho).
E então comecei a ter contacto com aqueles que não são pessoas.
Desde aquela enfermeira que aplicou as injecções com mãos de fadas; no bloco operatório, quando faziam cesariana; e na SALA 5, da Unidade dos Cuidados aos Prematuros. E foi, precisamente, na Sala 5, que constatei que ali não trabalhavam pessoas. Sim, só tive contacto com Anjos.
No bloco operatório, estava extremamente nervosa e toda a equipe trabalhou para acalmar-me, até conseguiram que eu risse (depois de ter tido uma crise de choro).
Não vi meu bebé, quando nasceu. O Henrique tinha 27 semanas e 630 gramas. Teve que ir logo para a famosa Sala 5, onde tudo acontece em cada minuto.
Foi incrível como os Anjos se dividiam. Enquanto uns cuidavam do Henrique, outros cuidavam de mim, dando-me força, apoio psicológico, ânimo. Sempre com um sorriso, um toque no ombro, uma palavra alegre.
O Henrique ficou na Sala 5, na cama 1, durante 22 dias. Lutou, cada minuto, durante esses 22 dias.
Durante 22 dias, vi aqueles Anjos a entrarem nessa luta de corpo e alma. As doutoras e as enfermeiras (os) estavam sempre atentas (os) a tudo e também tinham a paciência de me explicar tudo o que se passava com meu filho.
Até as voluntárias da Sala 5, eram especiais. Lembro de um dia, em que o Henrique lutava mais uma vez pela vida e que estava rodeado por uma equipa de médicos e enfermeiros. Ao ver aquilo, fiquei sem reacção. Surgiu logo uma voluntária para me apoiar. Com uma mistura de graça e seriedade, foi contando a situação e acalmando-me.
No dia seguinte, a situação estava estável, essa voluntária aproximou-se de mim, olhou-me bem nos olhos e disse: “Pois é. Ontem, o Henrique quis ir jogar bola com o irmão. Mas o irmão mandou que voltasse, pois ainda não havia vaga na equipa.”
Ao fim de 22 dias, o Henrique juntou-se à equipa do Pedro.
Lembro de todas as situações que vivi nesses dias mas lamento imenso não ter registado os nomes daqueles Anjos.
Não sei os seus nomes, mas nunca esquecerei como são dedicados, pacientes, sensivéis, profissionais e, acima de tudo, Verdadeiros Anjos.

domingo, 29 de março de 2009

Porquê?

Em muitos momentos de minha vida, fiz esta pergunta: Porquê?
Comecei, como todos, a perguntar porquê o céu é azul, o mal salgado, o gelo frio... perguntas de criança.
Depois, os Porquês foram ficando mais pesados.
Porquê o meu cão Pimpão ainda não voltou do doutor? Já se passou tanto tempo! Claro que não ia voltar...
Porquê a terra está a tremer? Porque S. Pedro está a mudar os movéis de lugar.
Porquê não conheci meu avô? Porque ele teve que ir fazer companhia a Deus.
Enquanto era criança, as respostas às minhas perguntas tinham uma certa lógica. Para quem acreditava em Pai Natal, em Anjo da Guarda e, principalmente, acreditava nas pessoas que davam a resposta, era natural que aceitasse essas respostas.
Mas cresci. Descobri que Pai Natal era um símbolo...
Descobri que nem sempre as respostas nos convencem, ou melhor, aliviam as nossas dores.
Porquê tive uma enorme decepção com alguêm que, simplesmente, idolatrava?
Porquê meu pai partiu quando, finalmente, tinha regressado à sua terra amada?
Porquê minha mãe foi embora quando eu tinha começado uma nova vida?
Porquê engravidei de gêmeos, se um morreu dentro de mim e o outro partiu depois de 22 dias?
Porquê?
É claro que já tratei de arranjar uma série de respostas possíveis:
-... chegou a hora. (essa é a que mais detesto)
-... para não sentir mais dores. (não me convence)
-... para não vir a ter problemas. (quem garante?)
-... porque Deus sabe o que é melhor. (???)
Não gosto muito de pensar nas respostas para estas perdas, pois começo a sentir um pouco de revolta.
Em vez disso, gosto de pensar no que tenho:
- Lembranças maravilhosas de tudo que vivi com meus pais.
- Pessoas amigas.
- O dia-a-dia da minha profissão e o prazer que tenho em exercê-la.
- Um marido que tem demonstrado ser um grande amigo, um óptimo companheiro, uma força que ajuda-me a não pensar em respostas para certas perguntas.
- E os meus câezitos, minhas sombras.
Não vou negar que ainda vou ter muitos dias em que vou olhar para o céu estrelado e fazer sempre a mesma pergunta: Porquê?