segunda-feira, 30 de maio de 2011
Boa Notícia!
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Guerreiro Menino
sábado, 8 de janeiro de 2011
Depois da tempestade...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Apenas um dia de trabalho... ou não?

Estive a dar aula sobre o sistema reprodutor, o nascimento, para a minha turma de 3º ano, com crianças que estão na faixa etária entre os 8 e 9 anos.
E a certa altura, um aluno (que está sempre a perder lápis, casaco, boné e que vou chamá-lo de “Zezinho”) perguntou:
- Professora, como se pode perder um bebé. Já ouvi dizer: “Ela perdeu o bebé”. Como?
Nessa hora, deixei de planejar, programar, pensar no que dizer. Simplesmente, abri a boca e … falei.
Simplesmente, comecei assim:
- Olha, isso aconteceu comigo.
Ele fez uma cara que misturava indignação e espanto.
- Com a professora? – perguntou esse meu aluno, com um ar de quem não acreditava no que eu tinha acabado de dizer.
E continuei a contar o que me tinha acontecido.
Resumidamente, que tinha engravidado de gémeos, mas um problema de saúde provocou a morte de um deles, ainda dentro de mim.
Outro aluno pergunta: "Mas como soubeste que ele tinha morrido?"
Falei-lhe de um aparelho com o qual dá para ouvir o coração do bebé. Ele lembrou-se de quando a mãe estava grávida da irmã e de como conseguiam ouvir o coraçãozinho dela, através desse aparelho.
Surge mais uma pergunta: “E depois?”
- Depois foi feita uma operação chamada cesariana, para tirar o bebé que tinha morrido e também para tirar o outro; pois, como era muito pequenino, era preciso fazer tudo para que ele tivesse mais chances de desenvolver. – respondi.
E as perguntas sucedem-se: "E o que o médico fez com o bebé que morreu?"
E continuo a responder, francamente:
- O mesmo que se faz quando as pessoas velhinhas morrem.
Outro aluno, prontamente, manifesta-se:
- Ah, já sei. Foi para o cemitério.
Logo de seguida, um outro colega afirma:
- Mas só passou pelo cemitério, pois ele foi logo para o céu.
E o “Zezinho”, continua:
- Mas se era pequenino, não era do tamanho das pessoas grandes…
A dúvida prendia-se com o tamanho do caixão!
Eu, sorrindo, disse:
- Pois, então, foi do tamanho dele.
O “Zezinho", olha para a sua mesinha, para os livros escolares, e reflecte:
- Deixa ver... então... devia ser do tamanho de dois livros!
Por aí.
E a aula continua, com mais uma pergunta de outro aluno: - E o outro bebé?
Volto a lembrar-lhes que, como já tínhamos visto no filme sobre a gravidez, “todos os órgãos levam um tempo para se desenvolverem e é por isso que a gestação leva 9 meses. Como o meu bebé, não teve o tempo necessário, também veio a morrer.”
E o “Zezinho” faz a seguinte observação:
- Deves ter ficado triste, não?
Confesso que, naquele momento, senti que meus alunos envolviam-me com uma enorme energia ternurenta.
- Sim. Claro que fiquei, mas agora já estou melhor.
A aula chegou ao fim. Pelo menos, era o que eu pensava.
Passados poucos dias, liga-me a mãe do meu aluno “Zezinho”.
Começou por contar-me que o filho relatou toda aula sobre o sistema reprodutor, de como se fazem os bebés e também tudo o que se tinha passado comigo.
Por fim, a mãe perguntou-lhe o que ele tinha achado disso tudo.
E um miúdo de 8 anos responde-lhe:
- Acho que a minha professora é forte.
E a mãe continuou a questioná-lo: - Forte? Por quê?
E o meu aluno, que esquece os lápis, os casacos e os bonés, diz à mãe o seguinte:
- Porque ela contou tudo aquilo sem chorar. Eu vi nos olhos dela que ela estava quase, mas não chorou.
Adoro minha profissão!
Amo meus alunos!
Cresço com eles!
Fortaleço-me com eles!
sábado, 25 de setembro de 2010
Outono
Seria bom que tivessemos sempre certezas...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Qual é a escola dos seus sonhos?
“Qual é a escola dos seus sonhos? Para mim, é a escola que educa os jovens para extraírem força da fragilidade, segurança da terra do medo, esperança da desolação, sorriso das lágrimas e sabedoria dos fracassos.A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo à alegria de um palhaço, a força da lógica à singeleza do amor. Na escola dos meus sonhos cada criança é uma jóia única no teatro da existência, mais importante que todo o dinheiro do mundo. Nela, os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de pensadores.” (Augusto Cury; in Pais Brilhantes, Professores Fascinantes)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Voltei!

Feliz porque passei dias maravilhosos com duas grandes amigas que vivem no Brasil.
Minhas amigas estiveram em nossa casa e andámos por este nosso Portugal tão pequeno em território e tão Grande em História e estórias.
Triste porque elas já voltaram para o país delas.
Ficou um vazio…
As despedidas deviam ser proibidas e banidas da face da Terra.
domingo, 18 de julho de 2010
Roda Viva - Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Visitei o blog da Regina Rosenbaum e RELI este poema que tem muito a ver, com alguns sentimentos que ocupam minha mente e meu coração.
domingo, 11 de julho de 2010
Memórias geram memórias - 2
“Aqueles homens altos de músculos desenhados, salpicados por gotículas de mar, que ali estão, são pescadores.”
Castelo era pescador e vivia numa comunidade de pescadores (pequena aldeia) na praia, perto da nossa residência.
Assim que chegava do mar, começava logo a percorrer as casas, para vender o produto de seu trabalho.
Tínhamos mudado para aquele local, recentemente e, aos poucos, meus pais e eu íamos aprendendo os costumes da terra.
Castelo visitou as cinco casas, antes da nossa, apregoando e vendendo o seu peixe fresquinho, acabado de sair do mar.
Chegou à nossa casa. Minha mãe foi ver o peixe que restava, escolheu o que queria e perguntou o preço.
O pescador disse o preço, bem além do que se pagaria numa peixaria (era o costume pois as senhoras regateavam e o pescador ia baixando o preço até chegar ao preço real). Minha mãe não reclamou, não regateou, não pechinchou, apenas pagou, exactamente, o que ele pediu.
Castelo já se preparava para seguir seu caminho quando minha mãe perguntou-lhe o nome e disse-lhe:
- Sr. Castelo, eu sou assim, não gosto de regatear, não sei pechinchar, nunca vai ouvir-me a reclamar do preço. Sempre pagarei o preço que o senhor achar que o peixe merece. Boas vendas e até à próxima. Sabe, a minha filha adora peixe, portanto, sempre vou querer peixe. Tenha um bom dia.
(E minha mãe era mesmo assim.)
A partir daquele dia, quando o Castelo regressava da pesca, passava pelas cinco casas, sem parar em nenhuma, mesmo sendo chamado pelas donas-de-casa, e a elas respondia: - Primeiro, a MÃE!
Primeiro ia à nossa casa para que a minha mãe fosse a primeira a escolher o peixe que quisesse.
Muitas vezes minha mãe não concordava com o preço do peixe. Achava que valia mais do que ele pedia. Mas não reclamava. Pagava o que Castelo pedia. Mas depois, quando ele já se preparava para seguir seu caminho, entregava-lhe o restante dinheiro para completar o valor que achava ser o merecido, dizendo: - Sr. Castelo, está calor, tome umas cervejinhas!
Também houve muitas vezes em que o Castelo, antes de ir embora, tirava lá do fundo um saquinho com peixes miudinhos e, entregando à minha mãe, dizia: - MÃE, para a “menina”.
Meu pai sempre foi um amante do saber. Mas não só o saber que se encontra nos livros. Era um amante do saber do homem do campo, do homem do mar.
Meu pai gostava de pescar, apesar de nunca trazer o peixe para casa (ele tirava o anzol da boca do peixe, com cuidado, e eu devolvia-o ao mar.)
Ao saber da aldeia perto de casa, um dia foi visitá-la. Foi se chegando devagarinho, com respeito. Foi sendo aceito, devagarinho.
Gostava de observá-los a arranjar o peixe para secar.
Não havia longas conservas mas havia grandes lições de vida.
A confiança ia crescendo.
Meu pai começou a ser chamado de “O MAIS VELHO”.
Um dia, encheu-se de coragem e desatou a fazer perguntas:
- Por que me chamam de “MAIS VELHO”? Eu sou mais novo que todos vocês.
E o Castelo respondia, simplesmente: - Ora; és “O MAIS VELHO”!
Meu pai insistia:
- E por que chamam a minha mulher de “MÃE”? Todas as minhas vizinhas também são mães e vocês chamam-nas de “DONA”.
O Castelo olhava e, simplesmente, respondia: - Então, “MAIS VELHO”; ela é a “MÃE”; pronto.
Então, meu pai desistia, apenas aceitava e respeitava os seus silêncios…

sábado, 10 de julho de 2010
Memórias geram memórias
Carlos escreveu:
“a fumar um cigarro enrolado com a parte acesa virada para dentro da boca, como fazia a lavadeira da minha casa enquanto esfregava a roupa com o filho dormitando agarrado às costas por um pano envolvendo-lhe o peito.”; e logo lembrei da “nossa” Ana.
Ana lavava a nossa roupa, pois a minha mãe tinha um desvio da coluna que sempre lhe provocou muitas dores e que se agravavam quando fazia esforços.
Lembro, perfeitamente, a primeira vez que a Ana começou a trabalhar lá em casa.
Era hábito, além do salário, fornecer o pequeno-almoço, o “mata-bicho”.
Naquela primeira manhã, Ana chegou e foi logo para o quintal, onde estava o tanque e a roupa para ser lavada.
Minha mãe preparou o pão com manteiga para mim e para a Ana, colocou o café com leite nas nossas canecas e chamou a Ana para tomar o pequeno-almoço. Ana entrou, pegou a caneca e o pão e voltou para o quintal. Olhei para a minha mãe, espantada. Então? A Ana? Minha mãe disse que, se calhar, devia ter ido fechar a torneira mas foi ver e viu a Ana a comer, sentada no chão.
Voltou a chamá-la para comer na sala de jantar. Minha mãe teve que insistir para que ela entrasse. Ana entrou e minha mãe disse para se sentar à mesa, para tomar o pequeno-almoço connosco.
Aí a Ana disse um redondo NÃO!
Lembro tão bem!
- Não, eu fico em pé e vocês sentadas.
Eu tinha 8 anos. Sem pensar duas vezes, levantei-me e disse: - Se Ana pode comer em pé, eu também posso; não é, mãe?
Minha mãe olhou-me com um olhar cúmplice, voltou-se para a Ana e, num tom baixo, disse-lhe: - Está a fazer com que minha filha me desobedeça!
Ana olhou-a muito séria. - Não. Não quero causar isso!
E, a partir dessa manhã, sempre que Ana vinha lavar a roupa, tomávamos o “mata-bicho” sentadas à mesa. Poucas conversas mas grande ternura.
Lembro do cigarro. Fazia-me uma aflição enorme ver aquilo. Certo dia, perguntei-lhe se dessa forma não doía, não queimava. Ela mostrou-me o céu-da-boca, dizendo: Agora já não dói, já estou acostumada.
Durante o tempo que a Ana trabalhou lá em casa, teve um filho, um lindo bebé que levava amarrado às costas e, desse jeito, trabalhava.
Confesso que usei um pouco de chantagem emocional ao dizer-lhe que ela só não deixava porque não confiava em mim, por ser ainda uma criança. A Ana tinha um coração nobre, grande carácter, e para provar que confiava em mim e na minha mãe, deitou seu filho na minha cama.
Ele era lindo! Tão rechonchudo! Fiquei encantada a olhá-lo e minha mãe reparou que os olhos de Ana encheram-se de lágrimas, de comoção. Mais tarde, quando já tinha mais uns aninhos, percebi o porquê dessas lágrimas: a convivência entre os seres humanos podia ser sempre assim…
Não tenho nenhuma foto da Ana, nem do marido Castelo, nem do filhote. E porquê? – Foto, não! Rouba-nos a alma!
domingo, 4 de julho de 2010
Reabastecer energias
domingo, 30 de maio de 2010
Aos meus companheiros de blog;
domingo, 16 de maio de 2010
Momento Mágico
Colocámos uma mesa na garagem, dois bancos, toalha, pratos, copos, talheres, pão, vinho e … entremeadas e febras para QUATRO.
Para muitas pessoas, momentos como este são simples demais, até sem graça. Algumas pessoas chamariam de “saloice”, “que pobreza!”.
Para mim, são momentos adoráveis. Ver meu marido a assar, com os meus cães ao seu lado (para ver se CAI alguma coisa!), dá-me uma sensação de paz, de serenidade, de harmonia, de Vida.
É claro que gosto de ir a restaurantes mas, sinceramente, troco todos os restaurante do mundo por momentos mágicos, como este.
sábado, 8 de maio de 2010
Mãe

quinta-feira, 29 de abril de 2010
Mentira

domingo, 4 de abril de 2010
Como o Mar...
sábado, 27 de março de 2010
Pode parecer estupidez...
Hoje senti-me na "obrigação" de mandar um recado àqueles que costumam visitar o meu cantinho e àqueles que possuem espaços onde adoro passear.
Ando um bocado ausente por estas bandas por motivos profissionais. Se calhar, já deu para perceber que a minha profissão é Professora e esta altura é mais uma daquelas em que afogo-me em papéis e mais papéis.
Lamento imenso não ter tempo para visitá-los mas, em breve, retorno às minhas visitas.
Como seria bom fazer como esse gato (que deve ser meu vizinho). Esconder-me num lugar onde ninguém me chateia e onde posso descansar, relaxar e ouvir os pássaros. Apesar de ter uns paparazzis que não respeitam a minha provacidade.
Já agora, vou aproveitar para fazer uma pergunta.
Alguém pode-me explicar porque os meus cães ladram para uns gatos e não ligam nada a outros?
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Para ti, Joaninha.
De certa forma, sim, pode-se dizer que é uma criança.
Uma criança que fui acompanhando o seu crescimento. Não como um elemento da família, não.
Fui acompanhando a sua sensibilidade, a sua graça, o seu sorriso, o seu olhar que diz tanto…
Quantas vezes, na sua ingenuidade infantil, dizia algo tão profundo, algo que ia de encontro com a saudade que tinha no meu peito, que eu tinha que fazer uma força danada para não desatar a chorar.
Não sabia bem o que responder a uma criança que tinha a capacidade de expressar com tão poucas palavras, toda a dor que eu sentia.
No dia do meu casamento, um dia em que eu tinha muitos sentimentos misturados, ela deu-me um daqueles abraços que só ela dava.
Meu Deus, como pode uns bracinhos tão pequeninos terem a capacidade de passar a sensação de estar a receber uma abraço do tamanho do mundo!
E assim, fui “vendo” essa criança crescer. Uma criança doce, educada, sensível, meiga. Uma criança que tem recebido uma educação excelente. Que tem recebido um apoio incondicional da parte da sua mãe e do seu pai, que sempre serão os seus únicos e verdadeiros amigos. É claro que ela tem e terá vários amigos, pois a sua presença é agradável e a sua companhia é doce. Mas NINGÚEM será tão sincero, tão presente, tão amigo como os seus pais. Disso não tenho a menor dúvida.
Gosto muito de ti, Joaninha.
Sei que já és grande para uma “Joaninha”, mas chamo-te assim devido ao grande carinho e afecto que sinto por ti. Espero que entendas e aceites continuar a chamar-te de “Joaninha”.
(Ainda lembro do teu avô (meu tio) e da minha mãe andarem sempre a procurar algo que tivesse “joaninhas” para a colecção que a tua mãe iniciou…)
Pois é, alguns diriam que és só uma criança…
Para mim, és e serás sempre alguém muito especial que me traz doces recordações e que sempre estará nos meus pensamentos. E podes ter a certeza que nada, nem ninguém mudará isso.
domingo, 24 de janeiro de 2010
"Faça o que eu falo e não o que eu faço" (será?)
Tenho uma dúvida constante.Um professor pode exigir certo comportamento de um aluno e não praticar esse mesmo comportamento quando está no papel de aluno?
Fico sempre confusa.
Como posso querer que meus alunos me respeitem se eu, enquanto aluna, não respeitar meus professores?
No meu entender, se sou capaz de “cobrar” certas atitudes de meus alunos, é porque sou igualmente capaz de tê-las, quando estou numa sala de aula e tenho, à minha frente, um professor.
Ou será que é válido o “faça o que eu falo e não o que eu faço”?
Que pena!
Não foi assim que fui educada por meus pais. E, por mais que o tempo passe, não me conformo com a “dualidade” de certos profissionais…
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
E lá se vai mais um ano...
Tenho a mania de olhar para trás e ver o que acumulei ao longo dos anos.
Gosto de colocar numa balança as coisas positivas e negativas e ficar olhando qual o prato que pesa mais.
Já tive anos bem ruinzinhos e anos que trouxeram verdadeiros milagres:
- 1975: saí de uma terra onde vivia-se a felicidade, a alegria, a boa vizinhança, deixei de ver os pôr-do-sol fantásticos, deixei bons amigos, grandes colegas, dos quais perdi completamente o contacto, infelizmente.
- 1976: meu pai sofre um enfarte do miocárdio; os médicos não dão nenhuma chance e ele recupera.
- 1979: conheci uma amiga de loooooonga data (30 anos de amizade).
- 1982: concluo a minha formação em Patologia Clínica e começo a trabalhar em Laboratórios de Análises Clínicas. Conheci Bons Colegas de trabalho, mas também constatei que o ambiente de trabalho é bem diferente do ambiente de sala de aula, aliás, já tinha sido avisada pelo meu Professor Laurindo Chaves Neto.
- 1993: obtenho a minha Licenciatura em Pedagogia, juntamente com umas colegas fantásticas. Uma turma de lutadoras, de persistentes, de solidárias, onde a amizade nos unia. Graças à Internet, ainda mantenho contacto com elas.
- 1994: sou “contaminada” com o vírus do Ensino. Comecei a minha carreira de Professora e posso dizer que, apesar de tudo, ainda continuo apaixonada por esta profissão. E contrariando o que dizia o meu Professor Laurindo, tenho boas e grandes amigas nesta profissão.
- 1998: visitei a Expo 98. Um sonho realizado. Um reencontro com minha terra natal. Um reencontro com pessoas que não via há muito tempo. Um reencontro com um passado que guardava algumas feridas mas também algumas boas recordações. Neste ano também concluí a minha Pós-Graduação, onde conheci três irmãs maravilhosas que desde então vivem no meu coração.
- 1999: regresso de vez às minhas raízes e a algumas decepções.
- 2000: foi um ano muito triste e que gostaria que nunca tivesse existido. Perdi irmã, Pai, tio e tia. Mas também foi o ano onde “vi” a solidariedade dos vizinhos que nos conheciam há pouquíssimo tempo, foi o ano em que surgiram grandes amizades e que persistem até aos dias de hoje.
- 2002: perdi um tio muito querido.
- 2003: foi o ano em que recebi um grande presente, um Bom Marido. Um Marido que veio lembrar-me que o caminho é sempre para a frente; um Marido que tem uma sensibilidade “silenciosa” e uma valor “gritante”; um Marido que consegue “demonstrar” as palavras mais românticas deste mundo; um Marido que compartilha as tardes de chuva, os passeios mais inesperados, os bons petiscos…e as noites (claro); um Marido que conseguiu dar-me a força necessária para continuar a viver.
- 2004: outro ano para esquecer. Perdi minha mãe e meus filhos.
Todos os outros anos foram anos cheios de momentos felizes, com saúde e trabalho.
Este ano, que está quase a chegar ao fim, também foi um ano cheio de momentos muito felizes, com muita saúde e trabalho e com a grande oportunidade de cativar mais uma amizade.
E olhando bem para a balança, o que vejo?
Um dos pratos contêm todas as perdas que tive, todas as lágrimas que derramei, toda a revolta, mágoa, decepção que vivi.
O outro prato tem a saúde, o trabalho, o meu marido e os meus amigos e dá para perceber o quanto está pesado. Tão pesado que consegue levantar, facilmente, todas as tristezas sofridas. Graças a Deus… e que continue assim no Ano que vem (e com a companhia dos meus cãezitos).
