Companheiros de Pensamentos

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Boa Notícia!



E voltou a vontade de olhar o presente com satisfação e o futuro com esperança!



E voltou a alegria de sentir-se Útil.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Guerreiro Menino



"E sem o seu trabalho, o homem não tem honra;
e sem a sua honra, se morre, se mata.
Não dá para ser feliz."
Os números do desemprego aumentam a cada dia.
A dificuldade de conseguir um trabalho, mantém-se.
Não me refiro a conseguir o primeiro trabalho. Esse assunto dava para escrever um outro texto...
Refiro-me a já termos iniciado a nossa vida profissional, a já termos encargos, a já termos uma família para cuidar e, de repente, sem termos feito nada de errado, perdermos o nosso emprego.
(É claro que existem pessoas que preferem encostar-se aos subsídios e levar a vida "na flauta".)
Num passado distante, fiquei seis meses desempregada. Foi uma etapa da minha vida, que nunca esquecerei.
O meu bom humor desapareceu. Nesse período, tornei-me numa pessoa amarga, revoltada.
Confesso que só não fiz uma grande "asneira" porque meus pais deram-me um grande apoio emocional. Apesar de não terem recursos financeiros, foram as palavras de esperança, de encorajamento que contribuiram para acordar, a cada manhã, com a cabeça erguida e a seguir em frente. Nessa altura, até "fiquei de mal" com Deus. (mas, depois, fiz as pazes)
Não foi nada fácil ouvir tantos "nãos"...
Agora, chegou a vez de meu maridão começar a ouvir muitos "Não estamos a precisar de ninguém!"
Lembro-me bem como me senti e estou a fazer, exatamente, o que meus pais fizeram. Encorajando-o todos os dias, fazendo-o sentir o quanto tem valor, procurando animá-lo ao máximo.
Não quero que ele entre num desânimo, pois não ajuda nada, apesar de saber que não é nada fácil, estar a viver esta situação. Principalmente, quando não se é vagabundo, nem acomodado.
O país não está numa situação nada boa. É claro que as empresas retraem-se. Mas quero manter a esperança que algo surgirá. Pelo menos, ele não tem parado de "correr atrás".
Sempre que me deparo com as notícias sobre o desemprego, sobre "contenção de gastos"; tremo toda.
Ninguém está seguro. Já não existe estabilidade. Até a famosa estabilidade da função pública virou algo do passado.
Como continuo "de bem" com Deus, acredito que Ele irá dar-nos forças para continuar a seguir em frente e a conseguir enxergar quais as "janelas" que estão a ser abertas... pois sem o seu trabalho, o homem não tem honra; e sem a sua honra, se morre...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Depois da tempestade...


Hoje fomos dar uma voltinha por terras do Ribatejo e vimos muitas terras alagadas.
Tem chovido muito, tem chovido forte, tem havido muito vento... Tempestades.
Dizem que algumas terras ficam mais fertéis depois de permanecerem alagadas por algum tempo.
Quando passávamos por uma ponte, vi este tímido arco-íris. Pensei que o mesmo acontece com nossas vidas.
Quantas vezes passamos por fortes tempestades emocionais. Quantas vezes ficamos completamente alagados de problemas. Quantas vezes somos empurrados por ventos sentimentais, para direções tão contrárias aos nossos planos.
Porém, a certa altura, eis que surge um tímido arco-íris que traz uma esperança, uma sensação de ânimo, uma lembrança que a tempestade irá ter um fim.
E tem!
E quando a tempestade vai embora, e o sol aquece a nossa alma, verificamos que nosso corpo está mais forte, que nosso coração está preparado para enfrentar o lindo destino que está à nossa frente.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Apenas um dia de trabalho... ou não?


As crianças têm uma particularidade que eu admiro: a objectividade.
Estive a dar aula sobre o sistema reprodutor, o nascimento, para a minha turma de 3º ano, com crianças que estão na faixa etária entre os 8 e 9 anos.
E a certa altura, um aluno (que está sempre a perder lápis, casaco, boné e que vou chamá-lo de “Zezinho”) perguntou:
- Professora, como se pode perder um bebé. Já ouvi dizer: “Ela perdeu o bebé”. Como?
Nessa hora, deixei de planejar, programar, pensar no que dizer. Simplesmente, abri a boca e … falei.
Simplesmente, comecei assim:
- Olha, isso aconteceu comigo.
Ele fez uma cara que misturava indignação e espanto.
- Com a professora? – perguntou esse meu aluno, com um ar de quem não acreditava no que eu tinha acabado de dizer.
E continuei a contar o que me tinha acontecido.
Resumidamente, que tinha engravidado de gémeos, mas um problema de saúde provocou a morte de um deles, ainda dentro de mim.
Outro aluno pergunta: "Mas como soubeste que ele tinha morrido?"
Falei-lhe de um aparelho com o qual dá para ouvir o coração do bebé. Ele lembrou-se de quando a mãe estava grávida da irmã e de como conseguiam ouvir o coraçãozinho dela, através desse aparelho.
Surge mais uma pergunta: “E depois?”
- Depois foi feita uma operação chamada cesariana, para tirar o bebé que tinha morrido e também para tirar o outro; pois, como era muito pequenino, era preciso fazer tudo para que ele tivesse mais chances de desenvolver. – respondi.
E as perguntas sucedem-se: "E o que o médico fez com o bebé que morreu?"
E continuo a responder, francamente:
- O mesmo que se faz quando as pessoas velhinhas morrem.
Outro aluno, prontamente, manifesta-se:
- Ah, já sei. Foi para o cemitério.
Logo de seguida, um outro colega afirma:
- Mas só passou pelo cemitério, pois ele foi logo para o céu.
E o “Zezinho”, continua:
- Mas se era pequenino, não era do tamanho das pessoas grandes…
A dúvida prendia-se com o tamanho do caixão!
Eu, sorrindo, disse:
- Pois, então, foi do tamanho dele.
O “Zezinho", olha para a sua mesinha, para os livros escolares, e reflecte:
- Deixa ver... então... devia ser do tamanho de dois livros!
Por aí.
E a aula continua, com mais uma pergunta de outro aluno: - E o outro bebé?
Volto a lembrar-lhes que, como já tínhamos visto no filme sobre a gravidez, “todos os órgãos levam um tempo para se desenvolverem e é por isso que a gestação leva 9 meses. Como o meu bebé, não teve o tempo necessário, também veio a morrer.”
E o “Zezinho” faz a seguinte observação:
- Deves ter ficado triste, não?
Confesso que, naquele momento, senti que meus alunos envolviam-me com uma enorme energia ternurenta.
- Sim. Claro que fiquei, mas agora já estou melhor.
A aula chegou ao fim. Pelo menos, era o que eu pensava.
Passados poucos dias, liga-me a mãe do meu aluno “Zezinho”.
Começou por contar-me que o filho relatou toda aula sobre o sistema reprodutor, de como se fazem os bebés e também tudo o que se tinha passado comigo.
Por fim, a mãe perguntou-lhe o que ele tinha achado disso tudo.
E um miúdo de 8 anos responde-lhe:
- Acho que a minha professora é forte.
E a mãe continuou a questioná-lo: - Forte? Por quê?
E o meu aluno, que esquece os lápis, os casacos e os bonés, diz à mãe o seguinte:
- Porque ela contou tudo aquilo sem chorar. Eu vi nos olhos dela que ela estava quase, mas não chorou.

Adoro minha profissão!
Amo meus alunos!
Cresço com eles!
Fortaleço-me com eles!

sábado, 25 de setembro de 2010

Outono

Por estes lados, chegou o Outono.
Apesar de alguns estudos, relacionarem o Outono com pessimismos, depressões, tristezas; para mim, gosto de ver as ruas cobertas de folhas secas.
Gosto de ver as árvores com folhas de diversas cores.
Gosto daquele friozinho de final de tarde.
Começa aquela sensação de aconchego.
A única tristeza que sinto é quando vejo a partida das andorinhas, minhas hóspedes.
Mas elas voltarão, na próxima Primavera.
Seria bom que tivessemos sempre certezas...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Qual é a escola dos seus sonhos?

“Qual é a escola dos seus sonhos? Para mim, é a escola que educa os jovens para extraírem força da fragilidade, segurança da terra do medo, esperança da desolação, sorriso das lágrimas e sabedoria dos fracassos.
A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo à alegria de um palhaço, a força da lógica à singeleza do amor. Na escola dos meus sonhos cada criança é uma jóia única no teatro da existência, mais importante que todo o dinheiro do mundo. Nela, os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de pensadores.” (Augusto Cury; in Pais Brilhantes, Professores Fascinantes)
Por estas bandas, está a começar um novo ano letivo. E com ele, renova-se a vontade de "construir" a escola dos meus sonhos.
Na escola dos meus sonhos, não há a preocupação com números, mas, sim, com pessoas.
E pessoas têm sentimentos, desejos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Voltei!


Voltei meio triste e meio feliz.
Feliz porque passei dias maravilhosos com duas grandes amigas que vivem no Brasil.
Minhas amigas estiveram em nossa casa e andámos por este nosso Portugal tão pequeno em território e tão Grande em História e estórias.
Triste porque elas já voltaram para o país delas.
Ficou um vazio…
As despedidas deviam ser proibidas e banidas da face da Terra.

domingo, 18 de julho de 2010

Roda Viva - Chico Buarque




Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá


Visitei o blog da Regina Rosenbaum e RELI este poema que tem muito a ver, com alguns sentimentos que ocupam minha mente e meu coração.

domingo, 11 de julho de 2010

Memórias geram memórias - 2

Ainda fazendo referência ao belo texto escrito por Carlos Albuquerque, sobre as Memórias de Luanda, e continuando a ir ao meu baú de saudades, relembro o marido da Ana. Não me lembro ao certo mas acho que primeiro tivemos contacto com o Castelo e depois com a Ana. Sei que só passado um tempo é que soubemos que eram casados.
“Aqueles homens altos de músculos desenhados, salpicados por gotículas de mar, que ali estão, são pescadores.”
Castelo era pescador e vivia numa comunidade de pescadores (pequena aldeia) na praia, perto da nossa residência.
Assim que chegava do mar, começava logo a percorrer as casas, para vender o produto de seu trabalho.
Tínhamos mudado para aquele local, recentemente e, aos poucos, meus pais e eu íamos aprendendo os costumes da terra.
Castelo visitou as cinco casas, antes da nossa, apregoando e vendendo o seu peixe fresquinho, acabado de sair do mar.
Chegou à nossa casa. Minha mãe foi ver o peixe que restava, escolheu o que queria e perguntou o preço.
O pescador disse o preço, bem além do que se pagaria numa peixaria (era o costume pois as senhoras regateavam e o pescador ia baixando o preço até chegar ao preço real). Minha mãe não reclamou, não regateou, não pechinchou, apenas pagou, exactamente, o que ele pediu.
Castelo já se preparava para seguir seu caminho quando minha mãe perguntou-lhe o nome e disse-lhe:
- Sr. Castelo, eu sou assim, não gosto de regatear, não sei pechinchar, nunca vai ouvir-me a reclamar do preço. Sempre pagarei o preço que o senhor achar que o peixe merece. Boas vendas e até à próxima. Sabe, a minha filha adora peixe, portanto, sempre vou querer peixe. Tenha um bom dia.
(E minha mãe era mesmo assim.)
A partir daquele dia, quando o Castelo regressava da pesca, passava pelas cinco casas, sem parar em nenhuma, mesmo sendo chamado pelas donas-de-casa, e a elas respondia: - Primeiro, a MÃE!
Primeiro ia à nossa casa para que a minha mãe fosse a primeira a escolher o peixe que quisesse.
Muitas vezes minha mãe não concordava com o preço do peixe. Achava que valia mais do que ele pedia. Mas não reclamava. Pagava o que Castelo pedia. Mas depois, quando ele já se preparava para seguir seu caminho, entregava-lhe o restante dinheiro para completar o valor que achava ser o merecido, dizendo: - Sr. Castelo, está calor, tome umas cervejinhas!
Também houve muitas vezes em que o Castelo, antes de ir embora, tirava lá do fundo um saquinho com peixes miudinhos e, entregando à minha mãe, dizia: - MÃE, para a “menina”.
Meu pai sempre foi um amante do saber. Mas não só o saber que se encontra nos livros. Era um amante do saber do homem do campo, do homem do mar.
Meu pai gostava de pescar, apesar de nunca trazer o peixe para casa (ele tirava o anzol da boca do peixe, com cuidado, e eu devolvia-o ao mar.)
Ao saber da aldeia perto de casa, um dia foi visitá-la. Foi se chegando devagarinho, com respeito. Foi sendo aceito, devagarinho.
Gostava de observá-los a arranjar o peixe para secar.
Não havia longas conservas mas havia grandes lições de vida.
A confiança ia crescendo.
Meu pai começou a ser chamado de “O MAIS VELHO”.
Um dia, encheu-se de coragem e desatou a fazer perguntas:
- Por que me chamam de “MAIS VELHO”? Eu sou mais novo que todos vocês.
E o Castelo respondia, simplesmente: - Ora; és “O MAIS VELHO”!
Meu pai insistia:
- E por que chamam a minha mulher de “MÃE”? Todas as minhas vizinhas também são mães e vocês chamam-nas de “DONA”.
O Castelo olhava e, simplesmente, respondia: - Então, “MAIS VELHO”; ela é a “MÃE”; pronto.
Então, meu pai desistia, apenas aceitava e respeitava os seus silêncios…

sábado, 10 de julho de 2010

Memórias geram memórias

Ao ler as “Memórias” do Carlos Albuquerque, foram reavivadas as minhas.
Carlos escreveu:
“a fumar um cigarro enrolado com a parte acesa virada para dentro da boca, como fazia a lavadeira da minha casa enquanto esfregava a roupa com o filho dormitando agarrado às costas por um pano envolvendo-lhe o peito.”; e logo lembrei da “nossa” Ana.
Ana lavava a nossa roupa, pois a minha mãe tinha um desvio da coluna que sempre lhe provocou muitas dores e que se agravavam quando fazia esforços.
Lembro, perfeitamente, a primeira vez que a Ana começou a trabalhar lá em casa.
Era hábito, além do salário, fornecer o pequeno-almoço, o “mata-bicho”.
Naquela primeira manhã, Ana chegou e foi logo para o quintal, onde estava o tanque e a roupa para ser lavada.
Minha mãe preparou o pão com manteiga para mim e para a Ana, colocou o café com leite nas nossas canecas e chamou a Ana para tomar o pequeno-almoço. Ana entrou, pegou a caneca e o pão e voltou para o quintal. Olhei para a minha mãe, espantada. Então? A Ana? Minha mãe disse que, se calhar, devia ter ido fechar a torneira mas foi ver e viu a Ana a comer, sentada no chão.
Voltou a chamá-la para comer na sala de jantar. Minha mãe teve que insistir para que ela entrasse. Ana entrou e minha mãe disse para se sentar à mesa, para tomar o pequeno-almoço connosco.
Aí a Ana disse um redondo NÃO!
Lembro tão bem!
- Não, eu fico em pé e vocês sentadas.
Eu tinha 8 anos. Sem pensar duas vezes, levantei-me e disse: - Se Ana pode comer em pé, eu também posso; não é, mãe?
Minha mãe olhou-me com um olhar cúmplice, voltou-se para a Ana e, num tom baixo, disse-lhe: - Está a fazer com que minha filha me desobedeça!
Ana olhou-a muito séria. - Não. Não quero causar isso!
E, a partir dessa manhã, sempre que Ana vinha lavar a roupa, tomávamos o “mata-bicho” sentadas à mesa. Poucas conversas mas grande ternura.
Lembro do cigarro. Fazia-me uma aflição enorme ver aquilo. Certo dia, perguntei-lhe se dessa forma não doía, não queimava. Ela mostrou-me o céu-da-boca, dizendo: Agora já não dói, já estou acostumada.
Durante o tempo que a Ana trabalhou lá em casa, teve um filho, um lindo bebé que levava amarrado às costas e, desse jeito, trabalhava.
Minha mãe insistia para que colocasse o bebé nas nossas camas, para que não ficasse ao sol, ao calor, mas ela sempre dizia que não fazia mal, que sempre era assim nas outras casas, onde trabalhava.
Confesso que usei um pouco de chantagem emocional ao dizer-lhe que ela só não deixava porque não confiava em mim, por ser ainda uma criança. A Ana tinha um coração nobre, grande carácter, e para provar que confiava em mim e na minha mãe, deitou seu filho na minha cama.
Ele era lindo! Tão rechonchudo! Fiquei encantada a olhá-lo e minha mãe reparou que os olhos de Ana encheram-se de lágrimas, de comoção. Mais tarde, quando já tinha mais uns aninhos, percebi o porquê dessas lágrimas: a convivência entre os seres humanos podia ser sempre assim…
Não tenho nenhuma foto da Ana, nem do marido Castelo, nem do filhote. E porquê? – Foto, não! Rouba-nos a alma!

domingo, 4 de julho de 2010

Reabastecer energias



A papelada já está (quase) terminada mas há sempre tempo para viver mais um dos meus "momentos mágicos".
Desta vez, foi um pic-nic no meio de um pinhal, em Ferrel, e olhando a dança dos pinheiros, ao som do vento, não há como não reabastecer energias.
Como dizia o grande Gonzaguinha, eu sei que a vida devia ser bem melhor mas acredito que devemos "sugar", ao máximo, tudo o que nos possa dar satisfação, prazer, paz, harmonia. E assim foi.
Aos poucos, vou visitar todos os meus Companheiros de Pensamentos. Aguardem-me.

domingo, 30 de maio de 2010

Aos meus companheiros de blog;


Gostava de visitar, com mais frequência, os vossos blogs.
A minha ausência não é descaso, nem desinteresse. Muito pelo contrário, adoro ler vossas postagens mas não tenho sempre a disponibilidade que gostaria de ter.
Só queria que soubessem que, sempre que for possível, passo pelos vossos espaços.

domingo, 16 de maio de 2010

Momento Mágico

Hoje fomos almoçar “fora”.
Colocámos uma mesa na garagem, dois bancos, toalha, pratos, copos, talheres, pão, vinho e … entremeadas e febras para QUATRO.
Para muitas pessoas, momentos como este são simples demais, até sem graça. Algumas pessoas chamariam de “saloice”, “que pobreza!”.
Para mim, são momentos adoráveis. Ver meu marido a assar, com os meus cães ao seu lado (para ver se CAI alguma coisa!), dá-me uma sensação de paz, de serenidade, de harmonia, de Vida.
É claro que gosto de ir a restaurantes mas, sinceramente, troco todos os restaurante do mundo por momentos mágicos, como este.

sábado, 8 de maio de 2010

Mãe


Aqui, por estas bandas, o Dia da Mãe, foi no domingo passado, primeiro domingo de Maio. No Brasil, é no segundo domingo.
Confesso que, para mim, é o pior dia do ano, pois para "visitar" minha mãe e meus filhos, tenho que dirigir-me ao cemitério.
Acredito que minha mãe continua a guiar-me nesta vida, continuo a "sentir" seus sábios conselhos. Tenho o consolo de ter sempre dito e transmitido todo o meu amor por ela. Ela sempre soube o quanto era (e é) importante para mim.
Mas para todas as Mães, e para aqueles Pais que são verdadeiras Mães, desejo que todos os filhos retribuem todo o amor que vocês lhes dedicam.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mentira


Existem pessoas que convivem muito bem com a mentira, com o cinismo, com a hipocrisia, com a falsidade.
Será que as pessoas têm noção de quando estão a mentir?
Será que as pessoas esquecem de qual é a verdade e, por isso, mentem?
Ainda me faz muita confusão quando as pessoas têm duas caras.
Por quê? Para quê?
Não consigo confiar em pessoas assim. E quando confiava, e chego à conclusão que essa pessoa não era transparente, aberta, sincera, com carácter, perco a confiança e, dificilmente, encontro-a novamente.
Pessoas assim, apenas provocam distância em mim.
Pessoas assim, quebram laços, cortam nós, destroem pontes.
Tenho pena mas aprendi a conviver com a verdade, mesmo quando é feia, mesmo quando é cruel.
Tenho pena...
Tenho verdadeiro horror à hipocrisia, não lido muito bem com a mentira, detesto a falsidade.
Lamento, mas não consigo mudar minha opinião.
Por quê mentir? Por quê esquecer a verdade?
Tenho pena mas perco, totalmente, a confiança.

domingo, 4 de abril de 2010

Como o Mar...


Quando olho para trás, para o que vivi até aqui, e quando olho ainda mais para trás, para a vida que meus Pais tiveram, penso imediatamente no Mar.
Costumava sempre dizer à minha Mãe que a nossa vida sempre foi como o Mar: cheia de ondas.
Umas vezes, ondas enormes; outras, ondas pequeninas; ainda outras vezes, ondas bem distanciadas umas das outras. Mas todas as ondas, acabavam sempre na praia.
Olho para o Mar e relaciono-o sempre com a minha vida: sempre amplo, sempre imprevisivel, sempre fornecendo várias direcções, vários desafios, mas, também, plenitude, calmaria.
Respeito o Mar, admiro-o, da mesma forma que respeito e admiro a Vida.
E assim vamos vivendo, esperando as próximas ondas; na esperança de serem pequeninas, pois não sei nadar...
(A foto é da Praia das Maçãs. Um local cheio de recordações boas e de momentos preciosos.)

sábado, 27 de março de 2010

Pode parecer estupidez...

Pode parecer estupidez ou até ingenuidade da minha parte mas... enfim... lá vai.
Hoje senti-me na "obrigação" de mandar um recado àqueles que costumam visitar o meu cantinho e àqueles que possuem espaços onde adoro passear.
Ando um bocado ausente por estas bandas por motivos profissionais. Se calhar, já deu para perceber que a minha profissão é Professora e esta altura é mais uma daquelas em que afogo-me em papéis e mais papéis.
Lamento imenso não ter tempo para visitá-los mas, em breve, retorno às minhas visitas.
Como seria bom fazer como esse gato (que deve ser meu vizinho). Esconder-me num lugar onde ninguém me chateia e onde posso descansar, relaxar e ouvir os pássaros. Apesar de ter uns paparazzis que não respeitam a minha provacidade.
Já agora, vou aproveitar para fazer uma pergunta.
Alguém pode-me explicar porque os meus cães ladram para uns gatos e não ligam nada a outros?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Para ti, Joaninha.


Ao vê-la, alguns diriam: “ É apenas uma criança.”
De certa forma, sim, pode-se dizer que é uma criança.
Uma criança que fui acompanhando o seu crescimento. Não como um elemento da família, não.
Fui acompanhando a sua sensibilidade, a sua graça, o seu sorriso, o seu olhar que diz tanto…
Quantas vezes, na sua ingenuidade infantil, dizia algo tão profundo, algo que ia de encontro com a saudade que tinha no meu peito, que eu tinha que fazer uma força danada para não desatar a chorar.
Não sabia bem o que responder a uma criança que tinha a capacidade de expressar com tão poucas palavras, toda a dor que eu sentia.
No dia do meu casamento, um dia em que eu tinha muitos sentimentos misturados, ela deu-me um daqueles abraços que só ela dava.
Meu Deus, como pode uns bracinhos tão pequeninos terem a capacidade de passar a sensação de estar a receber uma abraço do tamanho do mundo!
E assim, fui “vendo” essa criança crescer. Uma criança doce, educada, sensível, meiga. Uma criança que tem recebido uma educação excelente. Que tem recebido um apoio incondicional da parte da sua mãe e do seu pai, que sempre serão os seus únicos e verdadeiros amigos. É claro que ela tem e terá vários amigos, pois a sua presença é agradável e a sua companhia é doce. Mas NINGÚEM será tão sincero, tão presente, tão amigo como os seus pais. Disso não tenho a menor dúvida.
Gosto muito de ti, Joaninha.
Sei que já és grande para uma “Joaninha”, mas chamo-te assim devido ao grande carinho e afecto que sinto por ti. Espero que entendas e aceites continuar a chamar-te de “Joaninha”.
(Ainda lembro do teu avô (meu tio) e da minha mãe andarem sempre a procurar algo que tivesse “joaninhas” para a colecção que a tua mãe iniciou…)
Pois é, alguns diriam que és só uma criança…
Para mim, és e serás sempre alguém muito especial que me traz doces recordações e que sempre estará nos meus pensamentos. E podes ter a certeza que nada, nem ninguém mudará isso.

domingo, 24 de janeiro de 2010

"Faça o que eu falo e não o que eu faço" (será?)

Tenho uma dúvida constante.
Um professor pode exigir certo comportamento de um aluno e não praticar esse mesmo comportamento quando está no papel de aluno?
Fico sempre confusa.
Como posso querer que meus alunos me respeitem se eu, enquanto aluna, não respeitar meus professores?
No meu entender, se sou capaz de “cobrar” certas atitudes de meus alunos, é porque sou igualmente capaz de tê-las, quando estou numa sala de aula e tenho, à minha frente, um professor.
Ou será que é válido o “faça o que eu falo e não o que eu faço”?
Que pena!
Não foi assim que fui educada por meus pais. E, por mais que o tempo passe, não me conformo com a “dualidade” de certos profissionais…

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

E lá se vai mais um ano...



Tenho a mania de olhar para trás e ver o que acumulei ao longo dos anos.
Gosto de colocar numa balança as coisas positivas e negativas e ficar olhando qual o prato que pesa mais.
Já tive anos bem ruinzinhos e anos que trouxeram verdadeiros milagres:
- 1975: saí de uma terra onde vivia-se a felicidade, a alegria, a boa vizinhança, deixei de ver os pôr-do-sol fantásticos, deixei bons amigos, grandes colegas, dos quais perdi completamente o contacto, infelizmente.
- 1976: meu pai sofre um enfarte do miocárdio; os médicos não dão nenhuma chance e ele recupera.
- 1979: conheci uma amiga de loooooonga data (30 anos de amizade).
- 1982: concluo a minha formação em Patologia Clínica e começo a trabalhar em Laboratórios de Análises Clínicas. Conheci Bons Colegas de trabalho, mas também constatei que o ambiente de trabalho é bem diferente do ambiente de sala de aula, aliás, já tinha sido avisada pelo meu Professor Laurindo Chaves Neto.
- 1993: obtenho a minha Licenciatura em Pedagogia, juntamente com umas colegas fantásticas. Uma turma de lutadoras, de persistentes, de solidárias, onde a amizade nos unia. Graças à Internet, ainda mantenho contacto com elas.
- 1994: sou “contaminada” com o vírus do Ensino. Comecei a minha carreira de Professora e posso dizer que, apesar de tudo, ainda continuo apaixonada por esta profissão. E contrariando o que dizia o meu Professor Laurindo, tenho boas e grandes amigas nesta profissão.
- 1998: visitei a Expo 98. Um sonho realizado. Um reencontro com minha terra natal. Um reencontro com pessoas que não via há muito tempo. Um reencontro com um passado que guardava algumas feridas mas também algumas boas recordações. Neste ano também concluí a minha Pós-Graduação, onde conheci três irmãs maravilhosas que desde então vivem no meu coração.
- 1999: regresso de vez às minhas raízes e a algumas decepções.
- 2000: foi um ano muito triste e que gostaria que nunca tivesse existido. Perdi irmã, Pai, tio e tia. Mas também foi o ano onde “vi” a solidariedade dos vizinhos que nos conheciam há pouquíssimo tempo, foi o ano em que surgiram grandes amizades e que persistem até aos dias de hoje.
- 2002: perdi um tio muito querido.
- 2003: foi o ano em que recebi um grande presente, um Bom Marido. Um Marido que veio lembrar-me que o caminho é sempre para a frente; um Marido que tem uma sensibilidade “silenciosa” e uma valor “gritante”; um Marido que consegue “demonstrar” as palavras mais românticas deste mundo; um Marido que compartilha as tardes de chuva, os passeios mais inesperados, os bons petiscos…e as noites (claro); um Marido que conseguiu dar-me a força necessária para continuar a viver.
- 2004: outro ano para esquecer. Perdi minha mãe e meus filhos.
Todos os outros anos foram anos cheios de momentos felizes, com saúde e trabalho.
Este ano, que está quase a chegar ao fim, também foi um ano cheio de momentos muito felizes, com muita saúde e trabalho e com a grande oportunidade de cativar mais uma amizade.
E olhando bem para a balança, o que vejo?
Um dos pratos contêm todas as perdas que tive, todas as lágrimas que derramei, toda a revolta, mágoa, decepção que vivi.
O outro prato tem a saúde, o trabalho, o meu marido e os meus amigos e dá para perceber o quanto está pesado. Tão pesado que consegue levantar, facilmente, todas as tristezas sofridas. Graças a Deus… e que continue assim no Ano que vem (e com a companhia dos meus cãezitos).