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Companheiros de Pensamentos

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Aniversário

Entendo que muitos não gostem de comemorar os dias de aniversário.
Entendo que muitos não gostem de se olhar no espelho e verificar que o cabelo está a mudar de cor; que a pele anda a fazer questão de marcar alguns “caminhos”; que as roupas andam a encolher; que os movimentos já não são tão amplos e elásticos… enfim… o espelho teima em mostrar que o tempo não pára.
Como não posso mentir para o espelho, faço questão de mostrar-lhe também que nele aparece uma pessoa que tem vivido mais momentos felizes do que tristes; nele aparece uma pessoa que tem tido o privilégio de conhecer mais pessoas maravilhosas e amigas do que outras que, apesar de não serem amigas e nem maravilhosas, ensinam-nos a reconhecer melhor como os nossos amigos são VERDADEIRAMENTE amigos. (Confuso? Acho que está bem claro para todos aqueles que já sofreram decepções…)
Faço questão de mostrar ao espelho que ainda sinto alegria de sentir o sol, de cheirar uma flor, de andar ao lado de meu marido, de brincar com meus cães, de estar em casa, de ler um livro, de ouvir uma música, de saborear um pastel de nata, de recordar aqueles que já iniciaram a Longa Viagem, de ainda tem o prazer de VIVER.
Apreciando cada dia que surge, vou comemorando cada ano que ganho.
E cada ano que vou ganhando, ganho lições maravilhosas, ganho experiências enriquecedoras, ganho alunos, colegas, vizinhos, amigos, AMOR.
Por tudo isso, gosto de comemorar os meus aniversários e assim, já ganhei:

domingo, 24 de junho de 2012

Melancolia

Muito obrigada a todos pelas vossas palavras. A tosse e os espirros já foram embora mas deixaram uma "companheira" => a rouquidão!
Mas, aos poucos, parece que ela está diminuindo.
Estou bastante ausente. Podia dizer que é por causa do final de ano letivo, da papelada a preencher...
Na realidade, ando um pouquinho melancólica. Depois de tantos anos nesta profissão, pensei que acabava por acostumar-me mas, não.
Os meus alunos terminaram um ciclo nos seus estudos e seguirão seus caminhos em outras escolas. Depois de quatro anos a vê-los "crescer", depois de quatro anos de tantas lições dadas e recebidas... eles vão "voar" para longe.
Como todas as turmas que já tive, esta também deixa muitas saudades.
Tenho tido bons Encarregados de Educação mas os desta turma foram "fora de série".
Para além do apoio que deram aos seus educandos, para além de sempre estarem presentes, também foram bastante colaboradores em todas as atividades propostas por mim; já sem falar de sempre demonstrarem iniciativa para promover outros eventos.
O ano escolar mal acabou e já deixou muitas saudades.
Como será o caminho que cada um irá seguir?
Quais serão as suas escolhas?
Como gostava de ter a chance de "acompanhá-los"...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Atchim! Cof! Cof!

(imagem tirada da net)

Já estou cansada de tanto tossir e espirrar!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança

"A única coisa de valor que podemos dar às crianças é o que somos, e não o que temos."
Leo Buscaglia

(imagem tirada da net)
Por favor, não comprem as atitudes de suas crianças.
Não comprem o sossego de suas crianças.
Demonstrem atitudes cívicas, vivenciem comportamentos corretos, ganhem tempo a brincar e a conversar com elas.
O Futuro agradece.

domingo, 27 de maio de 2012

Um Refúgio da Alma


Há dias que merecemos reservar um tempo para nós.
Há dias que resolvemos experimentar algo novo.
Há dias que recebemos mais do que estávamos à espera.
Há dias que estar com certas pessoas traz-nos um grande bem à alma.


sábado, 19 de maio de 2012

Espiga

E lá se cumpriu a tradição: ir ao campo colher o necessário para o ramo da "espiga".
Eis a ESPIGA, cuidadosamente, arranjada pelo maridão.

sábado, 12 de maio de 2012

Pedro e Henrique

(imagem tirada da net)
É impossível não lembrar.
Por mais que tenha seguido "em frente",
por mais que "pareça" forte,
por mais que tente arranjar "consolos" ou "justificações";
hoje fariam 8 anos.

sábado, 5 de maio de 2012

Minha Mãe

Não existem palavras suficientes para descrever o que sinto pela minha Mãe.
Minha grande e, muito sábia, Amiga, meu colo, minha cura, minha conselheira, meu TUDO.
Conhecia-me como ninguém... Eu não precisava falar para que ela me “ouvisse”.
Lia a minha alma.
Tinha sempre a palavra certa para toda e qualquer situação, por mais difícil que fosse.
Era o alicerce da nossa casa (como meu pai costumava sempre dizer a todos os seus amigos e colegas).
Possuía uma grande Fé; fé em Deus e no ser humano. Para ela, todas as pessoas mereciam uma segunda, terceira, quarta, ... , oportunidade.
Nunca desistia de nada e de ninguém. Sempre foi uma lutadora.
Era dona de uma força enorme que ultrapassava em muito a sua pequena e, aparente, frágil estatura. Sempre via “a luz ao fim do túnel. O seu lema era: melhores dias virão.
Nunca a ouvi ralhar, gritar ou elevar a voz. Inúmeras vezes, quando criança, não seguia as suas recomendações e acabava estatelada no chão, com joelhos e mãos esfolados. Corria, chorosa, para perto dela, temerosa que fosse ouvir um valente ralhete. Em vez disso, lá ia ela buscar o seu estojo de “primeiros socorros” e, ao mesmo tempo que tratava das minhas feridas, dizia “eu avisei, eu disse-te que isto podia acontecer”. E assim reagiu comigo sempre que alguma coisa corria mal, por não ter ouvido seus conselhos. Curava as minhas feridas, sem reprimendas, cuidava.
Transmitia uma calma, uma serenidade, não só ao meu pai e a mim, como a todos que se aproximavam dela, independente se fossem crianças, jovens ou adultos.
Minhas colegas de estudo preferiam realizar os trabalhos da escola/faculdade na minha casa, apesar de ser muito mais simples e humilde do que a delas, porque lá "sentiam paz".
Os animais sempre a procuravam (era incrível); os nossos cãezitos, quando estavam doentes ou sentiam dores, eram para ela que corriam.
Meu pai e eu, quando doentes, melhorávamos, quando ela pousava sua mão em nós.
Gostava muito do meu marido e, pela primeira vez na vida, não lutou contra a dor... Sentiu que ele iria fazer-me feliz e ... partiu ... Como ela mesma dizia, foi encontrar-se com o amor da sua vida, o meu pai.
Como sempre, ela estava certa.
A vida da minha mãe foi uma permanente lição: lição de como viver, como amar, como ser feliz, como fazer os outros felizes, como transformar cada momento em momentos especiais. Mas ela não me ensinou como fazer para que ela fosse eterna, apesar de ser eterna nas minhas lembranças.
Deixou uma grande saudade... Fazes-me muita falta, Mãe.

domingo, 15 de abril de 2012

Aquele Abraço

(Aí vai o texto que enviei para participar no concurso "AQUELE ABRAÇO" e que foi publicado como #15, apesar de não seguir a temática.)

Era o seu casamento. Uma cerimónia muito simples, na presença do representante legal do cartório, mais uma mão cheia de parentes; uns em comunhão com a sua alegria; outros, nem por isso…
Enquanto o senhor do cartório falava sobre a importância do “contrato” que se celebrava, muita coisa passava pela sua cabeça.
Ela já tinha perdido o seu pai. Já tinha sofrido imensas decepções de pessoas que julgava amigas.
Ela já tinha vivido uma guerra e inúmeras vezes foi forçada a adaptar-se a novas situações, diversas escolas, empregos, países.
Ela já tinha sofrido uma grande desilusão amorosa e, agora, casava com um homem, divorciado, e com o qual namorava há três meses.
Estaria a ser precipitada? Deveria conhecê-lo melhor? Depois de tanto tempo vivendo livre e independente, conseguiria partilhar o seu dia a dia?
No meio de tantos pensamentos, a cerimónia chega ao fim.
Trocam-se as alianças. Sela-se com um beijo. Começam os cumprimentos dos presentes.
A mãe dela, feliz e emocionada, abraça-a e diz-lhe ao ouvido: - Teu pai está feliz, por ti.
Uma das cunhadas faz uma subtil observação: - Vamos lá ver se é desta…
A certa altura uma criança, uma menininha de três anos, também lhe dá um abraço.
Ela sente-se protegida por dois bracinhos. Dois pequenos bracinhos que, através de um abraço, conseguem transmitir-lhe uma enorme paz, uma feliz harmonia, uma grande certeza que a vida pode oferecer-nos momentos muito felizes.
Hoje, mesmo já passados nove anos, ela lembra-se de como soube bem AQUELE ABRAÇO.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

No Mercado Persa; de Albert Ketelbey


O Maestro Antonio Manzione dava/dá as suas aulas para turmas com vários alunos. Ele não dava aulas individuais para ensinar a tocar violão.
Nas suas aulas não aprendíamos apenas a TOCAR violão. Aprendíamos a OUVIR música, a OUVIR diversos instrumentistas e, principalmente, a OUVIR o colega.
Um dia, ele trouxe um disco de vinil (LP) com obras de Ketelbey e colocou este tema para que percebêssemos os vários instrumentos que participavam na execução desta obra.
Nós, enquanto alunos, observámos que um dos nossos colegas, a meio do tema, adormeceu. Como havia sempre um espaço significativo entre nós (para que não atrapalhássemos o colega do lado, enquanto tocássemos) era impossivel "acordá-lo" sem que o professor notasse o nosso movimento.
E agora?
Com certeza que o Professor vai dar-lhe um valente raspanete...
Afinal, ele DORMIU na aula!!!
A música chega ao seu término e o Professor fez o que era o seu hábito: perguntar a cada um de nós, as nossas impressões. (Entretanto, o nosso colega já tinha acordado, ao ouvir a voz do Maestro.) E assim foi questionando cada um, ouvindo com toda a atenção, até que chegou ao nosso colega.
Porém, em vez de formular uma questão "aberta" (tipo: - Então, gostou?): formula uma questão bem específica.
Nosso pensamento foi geral: "danou-se!"
O colega engasga, baixa a cabeça, começa a gaguejar e o Professor diz:
- Não sabe, "né"? Você adormeceu!
E o aluno, todo envergonhado, pede desculpas.
E é no momento seguinte que o Professor Maestro Antonio Manzione dá, a todos nós, uma grande lição:
- Desculpa? Está a pedir desculpa por a música ter, VERDADEIRAMENTE, cumprido a sua missão?
A música tranquilizou-o. A música levou-o a um estado de tal relaxamento que até o fez transportar para outro plano. Esta é a missão da música: levar-nos para longe! Não peça desculpa! Você deixou que a música cuidasse de si.

O Professor Antonio Manzione não ensinava APENAS a tocar violão!