Memorial

Companheiros de Pensamentos

domingo, 29 de março de 2009

Porquê?

Em muitos momentos de minha vida, fiz esta pergunta: Porquê?
Comecei, como todos, a perguntar porquê o céu é azul, o mal salgado, o gelo frio... perguntas de criança.
Depois, os Porquês foram ficando mais pesados.
Porquê o meu cão Pimpão ainda não voltou do doutor? Já se passou tanto tempo! Claro que não ia voltar...
Porquê a terra está a tremer? Porque S. Pedro está a mudar os movéis de lugar.
Porquê não conheci meu avô? Porque ele teve que ir fazer companhia a Deus.
Enquanto era criança, as respostas às minhas perguntas tinham uma certa lógica. Para quem acreditava em Pai Natal, em Anjo da Guarda e, principalmente, acreditava nas pessoas que davam a resposta, era natural que aceitasse essas respostas.
Mas cresci. Descobri que Pai Natal era um símbolo...
Descobri que nem sempre as respostas nos convencem, ou melhor, aliviam as nossas dores.
Porquê tive uma enorme decepção com alguêm que, simplesmente, idolatrava?
Porquê meu pai partiu quando, finalmente, tinha regressado à sua terra amada?
Porquê minha mãe foi embora quando eu tinha começado uma nova vida?
Porquê engravidei de gêmeos, se um morreu dentro de mim e o outro partiu depois de 22 dias?
Porquê?
É claro que já tratei de arranjar uma série de respostas possíveis:
-... chegou a hora. (essa é a que mais detesto)
-... para não sentir mais dores. (não me convence)
-... para não vir a ter problemas. (quem garante?)
-... porque Deus sabe o que é melhor. (???)
Não gosto muito de pensar nas respostas para estas perdas, pois começo a sentir um pouco de revolta.
Em vez disso, gosto de pensar no que tenho:
- Lembranças maravilhosas de tudo que vivi com meus pais.
- Pessoas amigas.
- O dia-a-dia da minha profissão e o prazer que tenho em exercê-la.
- Um marido que tem demonstrado ser um grande amigo, um óptimo companheiro, uma força que ajuda-me a não pensar em respostas para certas perguntas.
- E os meus câezitos, minhas sombras.
Não vou negar que ainda vou ter muitos dias em que vou olhar para o céu estrelado e fazer sempre a mesma pergunta: Porquê?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pai

Já ouvi muitas vezes as pessoas lamentarem, ao lado de um caixão, o pouco tempo que passaram com esse familiar ou amigo.
Só lamento não ter tido mais tempo para continuar a fazer o que sempre fiz: aproveitar sempre a companhia do meu pai.
Quando eu era criança, ele era o meu companheiro de brincadeiras.
Lembro, perfeitamente, que quando ele saía para o trabalho, eu ainda dormia e quando ele chegava do trabalho… eu já dormia. Mas havia o domingo. Ah, o domingo! Era o nosso dia! Começava logo cedinho, eu pulando na cama dos meus pais para começar a “farra”, enquanto minha mãe preparava o pequeno-almoço. Depois, se o tempo estivesse agradável, íamos passear no Jardim da Estrela, e eu brincava nos baloiços. Grandes passeios! Mas, se chovesse? Brincávamos com os carrinhos (meu pai fazia caminhos pelo meio das almofadas e almofadões, e móveis e tapetes e minha mãe … só sorria, divertida com as cenas que fazíamos).
Com meu pai, aprendi a soltar papagaio, a jogar ao pião, ao mikado, ao dominó e às damas.
Fui crescendo e meu pai foi tornando-se “aquele” que sabia muito.
Começamos a coleccionar selos. E atrás de cada selo, havia sempre uma lição que aprendi sem perceber que aprendia: geografia, história, política, personagens famosas, etc. Esses momentos foram fazendo parte da nossa vida.
Foi na adolescência que desabrochou em mim uma grande paixão: o prazer de ler; e como meu pai soube alimentar essa paixão. Paixão essa que se tornou um amor eterno. Como ele foi “direccionando” os autores e os temas para que o “prazer” não se apagasse na primeira decepção.
Começou a fase de “quando crescer quero ser”… e eu quis ser: professora, cientista, veterinária, activista do Green Peace… E meu pai nunca se divertiu com estas minhas ambições, pelo contrário, provocava-me a que descobrisse em que consistia cada actividade dessas. Mas quando os amigos perguntavam-lhe o que ele gostaria que eu fosse (médica, advogada, engenheira,…); meu pai sempre respondia: “Quero que ela seja feliz na profissão que escolher, seja ela qual for.”
Meus pais já tinham passado dos 30 anos quando eu nasci. Sempre ouvi falar do “conflito de gerações”, mas nunca soube o que era isso. Não sei o que é a “idade do armário”.
Nunca tive discussões com meu pai? É claro que tive e não foram poucas. A grande maioria por caprichos meus, por causa do meu feitio (muito parecido com o dele, claro). Também houve umas poucas em que ele esteve errado. Nessas vezes, ele sempre foi HOMEM suficiente para reconhecer o erro e pedir desculpas. Por incrível que pareça, nesses momentos, ele ainda crescia mais aos meus olhos.
Muitas vezes cancelei saídas com colegas porque preferia passear à beira-mar com ele.
Sempre foi o meu companheiro, o meu amigo, o meu conselheiro, a minha referência.
Ele ensinou-me que a maior lição está na “atitude” e não só nas palavras. Aquela frase “faça o que eu falo e não o que eu faço”, nunca teve serventia lá em casa.
O que meu pai “exigia” de mim, ele também praticava. Se eu tinha que dizer aonde ia, com quem e a que horas voltava; meu pai também tinha a mesma atitude com minha mãe; por exemplo.
O respeito sempre foi uma via com dois sentidos.
Meu pai sabia cativar os jovens, os velhos, as crianças. Como? Era tão simples: sabia ouvi-los.
Como é bom quando alguém nos ouve.
Enfim, podia escrever muito mais sobre o meu pai mas … por tudo isto e muito mais, sinto muito a tua falta, Pai.

sábado, 14 de março de 2009

AVISO - Para quem visitar a minha casa:

"Preste Atenção!!!
Se não quiser ser recebido por patas e rabinho "dançante", não entre... porque um cão vive aqui.
Se não gosta de nariz gelado e língua molhada, não entre... porque um cão vive aqui.
Se não quiser tropeçar nos brinquedos espalhados, não entre... porque um cão vive aqui.
Se acha que uma casa deve estar sempre cheirando a perfume, não entre... porque um cão vive aqui.

Mas se não se importa com nada disso, você será muito bem recebido em meu lar e muito amado também...

1. Seja bem-vindo.
2. Lembre-se de que meu cachorro vive aqui. Você não.
3. Se você não quer pêlos de cachorro em suas roupas, fique longe dos móveis.
4. Sim, os cachorros têm hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E daí?!
5. CLARO que ele cheira a cachorro. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 400 vezes mais sensível que o seu e sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar.
6. É da natureza dele tentar cheirar você. Por favor, sinta-se à vontade para cheirá-lo também.
7. Se existisse algum risco do cachorro mordê-lo, eu não o deixaria se aproximar de você. Porém, não posso impedi-lo de responder a agressões, as quais podem ocorrer até em pensamento, seja para com ele, seja para comigo a quem devota fidelidade. Os cachorros percebem, tenha certeza.
8. Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cachorro tentar lambê-lo é porque aprova sua presença e quer demonstrar isso carinhosamente a você; e lembre-se que cachorros não mentem ou fingem.
9. Aqui cachorro recebe devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos.
Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos, e a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza nos são transmitidas por outros humanos.
10. Há diversas situações nas quais cachorros são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente em sua fidelidade e sinceridade.
11. Para alguns ele é um simples cachorro. Para mim é um filho adotivo que anda de 4 e não fala tão claramente. Eu não tenho problema em nenhum desses pontos. E você?
12. Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo. Até pelo cachorro. Eles são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza verdadeiros amigos de pessoas falsas."
"Existem pessoas que não gostam de cães, estas, com certeza, nunca tiveram em sua vida um amigo de quatro patas. Ou, se tiveram, nunca olharam dentro daqueles olhos para perceber quem estava ali."

Desconheço o autor mas, com certeza, assinaria este texto.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A minha prima sugeriu e aí vai:

Só conheci a minha prima há 10 anos. E ela continua a surpreender-me.
A força dela em determinadas situações delicadas… não me surpreende.
Algumas atitudes que, por vezes, não entendo, e fico surpreendida, ela esclarece-me.
Nestes anos, nem sempre tivemos de acordo em todos os assuntos… mas sempre conversámos (mesmo quando eu não estava com vontade de falar, ela insistia em resolver qualquer mal-entendido).
A vida não lhe sorriu sempre (a mim também não). A infância não teve só cor de rosa…
Atrevo-me a dizer que… a minha mãe entendia-a perfeitamente… Por quê? Por tanta coisa… mas talvez a principal… foi a semelhança de uma história de amor. Não é, Primana Rita?
E, já agora… Por quê tratamo-nos por “primana”?
Ah, é uma longa história! Mas, resumindo: já que não tivemos muita sorte nos irmãos que a Natureza nos ofereceu, estas primas transformaram-se em irmãs => prima + mana = primana. Simples? Não, não é simples. Todos os irmãos (os irmãos de verdade) discutem, amuam, magoam-se, reconciliam, amam-se e fazem surpresas.
E gostaria de partilhar esta surpresa que a minha primana Rita fez: o texto que se segue.
(Muito obrigada, primana Rita. Eu também GOSTO mesmo muito de ti.)



“Como te disse os teus comentários ao diário, não eram importantes. Apenas um conjunto de palavras, apenas uma amálgama de letras...Letras e palavras que correctamente organizadas eram somente um conjunto de elogios á tua pessoa. Portanto nada de importante...e porquê?Porque rapidamente os recuperarás! Rapidamente surgirão novos testemunhos de como és uma grande mulher, uma excelente educadora e amiga. Uma pessoa humilde, perspicaz e discreta mas atenta!!!Eu sei-o!!! Eu sei-o pelo que sinto quando estou contigo...quando te leio. Já te disse várias vezes que lamento não seres professora da minha filha. Nas tuas mãos... sei que estaria preparada não só para a escola, como para a vida. Contigo aprenderia a ser sem dúvida uma pessoa humilde, prática e positiva.Ainda me lembro do dia em que te conheci, visualizei uma pessoa longe de ser uma top model… achei que deverias sentir-te um pouco frustrada... no entanto aprendi rapidamente contigo que longe de seres um espanto de mulher bonita eras no entanto espantosamente feliz! Essa foi a primeira de muitas lições. Irradiavas alegria e já na época a tua melhor característica era sem dúvida a gargalhada solta, o saber fazer piada com o que de menos bom nos acontecia… Bolas e como acontecia... a nossa família passava sucessivamente por desgostos, afastamentos e perdas...Perdemos irmãos...pais...e filhos. Eu, voltei a ter essa alegria...tu, o destino não deixou. Mas ainda assim na tua, força interior encontraste forças...sabe Deus como... Dedicaste -te ainda mais aos teus alunos, chegando mesmo a dar-lhes a educação que tantos não tinham na escola, bem como o afecto que lhes faltava em casa. Resignada e contra todas as expectativas, aceitaste que, se calhar, era porque não era para ser... deste sem dúvida darias...uma educadora melhor, uma amiga mais dedicada, uma esposa mais extremosa... e sem dúvida uma dona persuasiva!Por tudo isto e porque continuo a admirar a tua capacidade de ver o lado mais positivo, o teu lado simples da vida de quem sabe que viver muito não é viver melhor!!... e digo isto porque ninguém melhor do que eu, sabe o quanto temos ambas uma forma de nos dedicarmos ao nosso mais que tudo...o mundo pode parar, até explodir desde que estejamos bem ao lado deles... Por isso, mais uma vez te peço...continua assim, porque eu, no meu egoísmo preciso de te ver a sorrir, gargalhar, para me sentir assim... feliz!Um beijo enorme para ti Primana. ADORO-TE MUITO! “

quarta-feira, 4 de março de 2009

O vaso da velha chinesa


Recebi este texto de uma amiga "defeituosa" e, como achei muito bonito, resolvi colocá-lo aqui. Obrigada, amiga, por lembrares dos meus "defeitos".



O VASO DA VELHA CHINESA:


Uma chinesa velha tinha dois grandes vasos, cada um suspenso naextremidade de uma vara que ela carregava nas costas.Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Todos os dias ela íaao rio buscar água, e ao fim da longa caminhada do rio até casa o vasoperfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meiovazio.Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegandoa casa somente com um vaso e meio de água.Naturalmente o vaso perfeito tinha muito orgulho do seu próprioresultado – e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, deconseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.Ao fim de dois anos, reflectindo sobre a sua própria amarga derrota deser 'rachado', durante o caminho para o rio o vaso rachado disse àvelha:'Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho faz-meperder metade da água durante o caminho até à sua casa...’A velhinha sorriu: 'Reparaste que lindas flores há no teu lado do caminho, somente no teulado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto planteisementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias,enquanto voltávamos do rio, tu regava-las.Foi assim que durante dois anos pude apanhar belas flores paraenfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se tu não fosses como és, eunão teria tido aquelas maravilhas na minha casa! ‘Cada um de nós tem o seu defeito próprio: mas é o defeito que cada umde nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante egratificante.É preciso aceitar cada um pelo que é ... e descobrir o que há de bom nele !

terça-feira, 3 de março de 2009

Meus Anjos Caninos.


Desde que me entendo por gente, lembro de ter sempre a companhia de "anjos" peludos: meus cães.

De que raça eram?

Todos eram de uma raça meiga, companheira, cúmplice, vigilante, alegre.

Essa é a raça de que sempre foram os cães que tive e, também, aqueles que tenho agora.

Não consigo perceber como conseguem ser tão desumanos para com seres que só querem dedicar-se a nós... Entendo e aceito que não gostem de cães ou de gatos ou de iguanas ou de pássaros, etc. Mas não entendo que os maltratem.

Quando olho para aqueles olhos tão expressivos; quando recebo um "carimbo" na minha roupa, mesmo na hora que vou sair; quando sinto os dedos dos pés adormecerem sob o peso daquele corpo que ronca enquanto trabalho na minha secretária; quando minha companhia é solicitada para a brincadeira; sinto uma sensação que estou realmente viva e que "alguém" realmente depende de mim.

Os meus cães gostam de mim de qualquer jeito, com qualquer humor, com qualquer roupa, com qualquer penteado, com qualquer peso ou altura.

Bem que os humanos deviam aprender muita coisa com eles, não?