Memorial

Companheiros de Pensamentos

terça-feira, 21 de agosto de 2012

GUGA

GUGA

Numa altura em que surgiram algumas notícias sobre “cães perigosos”, gostava de dizer algo sobre a “Guga”.
Guga” era uma cadela, da raça Rottweiler, uma raça considerada perigosa que pertencia a uma prima.
Sempre que visitava a minha prima, eu seguia sempre o mesmo ritual que adopto quando entro em casas que tenham cães (sejam de que tamanho forem), o qual consiste, simplesmente, em “dar um tempo ao cão”. Um tempo para ele aproximar-se de mim, cheirar-me, começar a perceber que não faço mal a nenhum membro da “sua” família.
Depois desse tempo, começavam as festinhas, as brincadeiras e os “abusos” (sempre consentidos por mim).
Provocava a “Guga”, batendo com as mãos no meu peito, para que ela ficasse em pé, nas patas traseiras, enquanto se apoiava com as patas dianteiras na minha cintura. Esta brincadeira, a “Guga” só fazia a mim, à dona e a mais uma pessoa.
Os “abusos” aconteciam quando sentava-me no sofá para conversar com a minha prima. A “Guga” ia-se aproximando, devagarinho, colocava o focinho na minha perna; depois uma pata; a seguir outra; tudo bem devagar, até estar com todo o seu corpo (nada pequeno) no meu colo.
E a “Guga” era assim! Brincalhona, paciente com as filhas de minha prima.
Mas o mais curioso, e o que gosto de salientar, foi o seu comportamento numa certa visita à minha prima.
Entrei na casa, seguiu-se o ritual e lá vou eu, como gostava de fazer, provocar a “Guga” para ficar em pé. Só que ela não se ergueu nas patas de trás.
Insisti, ela ameaça erguer-se mas … senta-se à minha frente. Insisto mais uma vez e ela permaneça sentada. Perguntei à minha prima o que ela tinha, ao que ela respondeu que não sabia. Aí… minha mãe, com toda a sua sensibilidade, respondeu:
- Então, filha, estás grávida! Ela não quer te magoar.
Minha prima e eu olhámo-nos, duvidosas. Será? Talvez… Pode ser…
Sentámo-nos no sofá para uma amena conversa e a “Guga”, como sempre fazia, foi-se aproximando de mim, bem devagarinho; colocou o focinho na minha perna e… SÓ.
Naquela tarde, apenas ficou pelo focinho. Estava confirmado: ela não queria magoar-me; apesar da minha gravidez, na altura, contar APENAS 3 meses.
A gravidez seguiu o seu curso. O tempo passou.
Quando retornei à casa da minha prima, já depois de uns largos meses, quis fazer o teste e lá vou eu provocar a “Guga”. Será que ela aceita a provocação e “abraça-me” pela cintura? Claro que sim e sem hesitação.
Pois é. Aquela cadela, era tão PERIGOSA, que teve a sensibilidade de perceber que dentro de mim, havia mais alguém que precisava de cuidados.
PERIGOSA? De forma nenhuma. Muito pelo contrário: meiga, paciente, inteligente, brincalhona, cuidadosa, sensível.
Não há RAÇAS PERIGOSAS. Há DONOS PERIGOSOS.

12 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Essa também é a minha teoria, Rosa. Alguns cães funcionam como armas para os seus proprietários e creio que os cães também sentem isso.

Blog da Pink disse...

Eu adorei e me emocionei com o post. Os animais percebem nossas emoções e nos respeitam muito. Eu sempre entro nas casas que têm cachorros em silêncio deixando que os cães me cheirem e aceitem e sempre fui bem recebida, até mesmo pelos cães grandes. Eu também acho que tudo depende do carinho e dedicação dos donos! A Guga é linda!
Beijos
Laís

Sônia Silvino (Crazy about Blogs) disse...

Perigosos são os humanos, quase sempre desumanos!
Linda partilha, Aninha!
Aproveito a minha visita para fazer um convite especial.
Participe do meu agregador de links e divulgue seu(s) blog(s) de forma rápida, fácil e grátis:
http://soniasilvino38.blogspot.com.br
Beijocas, muitas!

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom dia amada !!!!
Post muito instigante que nos faz sentir os mesmos sentimentos dos animais...
bjssssssssssssssssssss

Maria João disse...


Minha amiga,

O assunto tem pano para muitas mangas.
A perigosidade de um animal existe sempre, seja qual for o animal de que falemos... reacção, gera reacção.
Há cães perigosos em terminadas circunstancias, sendo que as diferentes formas e códigos de comunicação com outros animais são uma delas.
Há donos perigosos, conscientemente perigosos, que usam outros animais ( também os cães ) para se revelarem mais perigosos ainda.
Há quem não saiba nada disto... nem de comunicação, sensibilidade ou instinto dos cães, nem da perigosidade dos donos. Para esses, sim... tudo isto é muito perigoso.

Mas não são os cães que têm culpa, ai isso não são.

Um beijinho

Regina Rozenbaum disse...

Concordo com o final,mas tenho que confessar que apesar de adorar cães (e ter um "neto" poodle) tenho medo de certas raças...DOBERMAN então? Nem te conto...trauma de outras vidas...quando perseguiam povos.
Beijuuss n.a.

CLEMENTE GERMANO MULLER disse...

Boa noite minha querida amiga Rosa Carioca. Ufa, quanto tempo sem vir até aqui... coisas da net... ou melhor... da falta dela... mas tudo bem, não esquento a cabeça não... viver é muito mais do que uma internet né? Belo texto, os cães realmente sentem muito mais do que nós... ainda dizem que são animais irracionais... ora... só não conseguem falar... mas com o tempo a gente aprende a conhecer e amar esses animais com todo e o maior AMOR do mundo. Foi bom vir até aqui e matar a saudades. Um grande beijo, fique com DEUS, tenha uma ótima e abençoada semana.

Fê-blue bird disse...

De acordo amiga Rosa, perigosos são os donos que os incitam a ter comportamentos agressivos.
Uma cadela muito sensível e linda!


beijinhos

Giancarlo disse...

Vacanze finite per me!! Spero che le tue vacanze siano state belle come le mie! un abbraccio...ciao

Pepi,Xixo,Juja,Jujuba disse...

Querida amiga Rosa,
Me emocionei com a sua postagem
É isso aí...perigosos e insensíveis são certos humanos, não?
Um beijo carinhoso para ti e uma boa noite
Afagos para Tejo e Kibom
Com Carinho de
Verena e Bichinhos

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

É verdade.

Cada pessoa
inspira o animal
que lhe acompanha
a vida,
para o bem ou
para o mal.

Que suas palavras
encantem o mundo.

Graça Sampaio disse...

Ora bem! Uma das minhas cunhadas teve, durante anos, uma cadela (cadelona...) dessa raça que foi sempre a maior querida para os meus sobrinhos, especialmente a mais nova. Nunca atacou ninguém, nem perto disso.