Memorial

Companheiros de Pensamentos

quinta-feira, 12 de abril de 2012

No Mercado Persa; de Albert Ketelbey


O Maestro Antonio Manzione dava/dá as suas aulas para turmas com vários alunos. Ele não dava aulas individuais para ensinar a tocar violão.
Nas suas aulas não aprendíamos apenas a TOCAR violão. Aprendíamos a OUVIR música, a OUVIR diversos instrumentistas e, principalmente, a OUVIR o colega.
Um dia, ele trouxe um disco de vinil (LP) com obras de Ketelbey e colocou este tema para que percebêssemos os vários instrumentos que participavam na execução desta obra.
Nós, enquanto alunos, observámos que um dos nossos colegas, a meio do tema, adormeceu. Como havia sempre um espaço significativo entre nós (para que não atrapalhássemos o colega do lado, enquanto tocássemos) era impossivel "acordá-lo" sem que o professor notasse o nosso movimento.
E agora?
Com certeza que o Professor vai dar-lhe um valente raspanete...
Afinal, ele DORMIU na aula!!!
A música chega ao seu término e o Professor fez o que era o seu hábito: perguntar a cada um de nós, as nossas impressões. (Entretanto, o nosso colega já tinha acordado, ao ouvir a voz do Maestro.) E assim foi questionando cada um, ouvindo com toda a atenção, até que chegou ao nosso colega.
Porém, em vez de formular uma questão "aberta" (tipo: - Então, gostou?): formula uma questão bem específica.
Nosso pensamento foi geral: "danou-se!"
O colega engasga, baixa a cabeça, começa a gaguejar e o Professor diz:
- Não sabe, "né"? Você adormeceu!
E o aluno, todo envergonhado, pede desculpas.
E é no momento seguinte que o Professor Maestro Antonio Manzione dá, a todos nós, uma grande lição:
- Desculpa? Está a pedir desculpa por a música ter, VERDADEIRAMENTE, cumprido a sua missão?
A música tranquilizou-o. A música levou-o a um estado de tal relaxamento que até o fez transportar para outro plano. Esta é a missão da música: levar-nos para longe! Não peça desculpa! Você deixou que a música cuidasse de si.

O Professor Antonio Manzione não ensinava APENAS a tocar violão!

10 comentários:

João Roque disse...

Gosto muito de música, mas não tenho qualquer aptidão para tocar qualquer instrumento ou cantar.
Penso que pertenço a um enorme grupo de pessoas deste tipo e que perante perguntas tais como, se gosta de música clássica, de ópera ou de jazz, diz de imediato, que não.
E diz que não, porque desconhece...
Uma das formas mais conseguidas de um professor de música ter sucesso nas suas aulas, não é pôr os alunos a tocar algo; mas sim, ensiná-los a gostar de música. E como? Fazendo que eles a oiçam e gostem dela.

PEPI disse...

Aprecio boa música, amiga
E ela me acalma, sempre
Lindo vídeo!!
Tenha uma boa noite e bom descanso
Beijinhos afetuosos de
Verena e Bichinhos

Anónimo disse...

OI GENTE,AMEI ESSE BLOG,MAS PARTICIPA DESSE AQUI,ELE É SUPER SINCERO COM SUAS PALAVRAS,É MUITO LINDO E FALA TUDO SOBRE O MUNDO E OS SENTIMENTOS FEMININOS....

http://umarealidadevirtual.blogspot.com.br/

acácia rubra disse...

Há sempre grandes ensinamentos que recebemos. É preciso percebê-los e, muitas vezes, estamos distraídos...

Beijo

Fê-blue bird disse...

Que grande professor e que grande ensinamento.
Não admira seres uma boa apreciadora e decerto "tocadora" de música.

beijinhos

Anne Lieri disse...

Rosa,uma história muito bonita e quanto temos a aprender!Bjs e bom final de semana!

nunoanjospereira disse...

A música revela/estimula estados de alma.
Lia eu Luiz Sepulveda quando eu dos personagens, o velho que lia romances de amor, questionava outro personagem qq "Quê?! Tu saber ler, tens essa capacidade, e não a aproveitas?!" - era mais ou menos assim.

Maria disse...

Amiga Rosa a música é um bálsamo para a alma.
Bom restinho de sabado e um domingo maravilhoso.
Beijinhos
Maria

Sandra mitsue Valente disse...

Oi Rosa...
Grande professor...grandes ensinamentos...Adorei o post...
Você já conhece o Meu Cantinho no Japão???
Ótimo Fim de Semana!
Beijos!
San...

SONINHA disse...

Muito bom!!!
Na minha primeira sessão de acupuntura quase cochilei. rsrsrs Relaxei...
Beijocas, amada!