No
entanto, lembro perfeitamente o dia do seu nascimento: 26 de março de 1927.
Será
que isto quer dizer que não me importo com a morte?
Não
será bem não me importar, mas uma das muitas coisas que aprendi com ele, é que
temos que valorizar cada dia da nossa VIDA.
E
por falar em coisas que ele me ensinou, ui, foram tantas, tantas frases,
pensamentos, respostas, que permanecem na minha memória e (por incrível que
possa parecer) vejo-me repetindo-as.
Apenas
para citar umas poucas:
-
Não nasceste rica. Terás que trabalhar, porém não escolhas a tua profissão porque
está na moda ou porque dá status ou porque é “fácil”. Isso não importa. Escolhe
aquela que irá dar-te o prazer de levantar a cada dia para ires trabalhar. A
pior coisa que pode existir, é ires para o trabalho já revoltada, com mau
humor. Escolhe aquela que, mesmo ficando cansada, te deixe feliz.
-
Não te vou dizer para não beberes. Só te peço duas coisas: não mistures bebidas
e NUNCA deixes o teu copo sozinho. (o
mais engraçado é que só bebia com meus pais e, agora, só bebo com meu marido)
-
O teu avô (paterno) morreu com enfizema pulmonar devido ao cigarro. Eu, apesar de
ver o seu sofrimento, fumo quatro maços de cigarros, por dia. Sim, sou burro.
Agora, cabe a ti, tomares uma atitude inteligente. (nunca fumei)
-
Nunca tenhas vergonha se te apontarem o dedo e dizerem “aquela é pobre”. Ergue
a cabeça, pois isso não é vergonhoso. Vergonha, seria, se dissessem que roubas,
enganas ou tens duas caras!
-
Não me importa se as tuas colegas vão ali ou acolá. Elas não são minhas filhas.
Tu és!
-
Não te exijo que sejas a melhor da turma. Exijo, sim, que sejas a melhor para
ti.
(quando eu andava na escola primária, um dia
perguntei-lhe o que ia ganhar se passasse de ano, pois minhas colegas iam
receber prendas de seus pais)
– Nada. A tua profissão é ser estudante. O
teu pagamento são as tuas notas. Da mesma forma, que vês como fico feliz ao
trazer, ao fim de cada mês, o meu salário, espero que fiques feliz ao passar de
ano, pois nós ficaremos.
(Verdade seja
dita que, mesmo nunca prometendo recompensas nem prendas, ao fim de cada ano,
eu sempre ganhava um livro em cuja dedicatória, escrita por meu pai, constava “Parabéns
pelas boas notas. Continua a ser essa aluna aplicada. Com orgulho, teus pais.)
(quando ainda era adolescente) - Minha
menina, espero que saibas que ainda és muito nova para namoros. Mais importante
que namoricos, é o estudo!
(Um diálogo algumas vezes repetido, até que
desisti de perguntar:)
-
Pai, o que significa (uma qualquer palavra)?
-
Procura no dicionário.
-
O pai não sabe?
-
Sei.
-
Então porque não diz logo?
-
Se eu disser, amanhã vais perguntar outra vez. Se tu procurares no dicionário,
para além de aprenderes como procurar, "essa" palavra nunca mais vais esquecer.
(Quando eu fazia parte de um grupo de
violões, no fim das atuações, meu pai nunca me aplaudia, enquanto que minha mãe
até ficava em pé. Perguntei-lhe o porquê dessa atitude dele.)
-
Não sou eu que tenho que aplaudir minha filha. Para mim, tocas muito bem. O
prazer é ver os outros aplaudirem-te.
-
Não esperes uma determinada data para mimares alguém. Sempre que puderes, dá um
miminho. Se quiseres elogiar alguém, elogia. Não esperes por um momento
especial. Faz tu, o momento especial.
E
tinha tantas, tantas mais mas, uma das que acredito que é muito importante, é que ele
fazia o que dizia. O seu discurso não era diferente das suas ações. Não eram apenas belas palavras da boca para fora, não. Para ele não existia "faz o que eu digo, não o que eu faço".
Precisamos de mais atitude e menos discurso!



