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Mais uma grande perda... |
domingo, 20 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
Santo António
Desde pequena que minha mãe montava em casa, o trono de Santo António.
Meu pai, que não era católico, admirava a vida deste homem especial, a tal ponto que foi o escolhido para ser o meu padrinho de batismo. (A minha família tinha esse hábito: um dos padrinhos era da "terra" e o outro era do "céu".)
Desta forma, ainda mantenho a tradição (apesar de, também, não ser católica) e eis o meu trono.
Apesar do que possa parecer, não, não coleciono "Santo António".
Tive uma mãe de aluno que, a cada ano, oferecia-me um pintado à mão;
e como o primeiro ciclo é de 4 anos, ganhei mais quatro.
Os últimos dois, foram adquiridos por mim. E já vamos em 8.
O primeiro, e que já tenho desde a minha infância, é o que está dentro da bilha
(alusão à lenda associada ao santo). O da esquerda foi um dos oferecidos pela mãe do aluno.
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| Os maiores também foram oferecidos pela mãe do meu aluno. O menor foi adquirido por mim. |
| O segundo (que é o que está mais recuado) foi oferecido pela minha madrinha de casamento. O maior é outro dos que foi oferecido pela mãe do aluno. O menor, comprei por minha opção. |
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Um Adolescente Especial
No dia das mães, do ano passado, escrevi numa rede social o seguinte estado:
"É sempre o pior dia do ano...
Mãe devia ser imortal...
Filhos não deviam morrer antes da mãe..."
E, nessa mesma rede social, nesse momento, uma mãe de um ex-aluno partilhou-me o seguinte:
Eu: Qual publicação? (já imaginando que fosse sua...)
Como li algures: os filhos são o reflexo dos pais.
"É sempre o pior dia do ano...
Mãe devia ser imortal...
Filhos não deviam morrer antes da mãe..."
E, nessa mesma rede social, nesse momento, uma mãe de um ex-aluno partilhou-me o seguinte:
Hoje no caminho da escola para casa, deu-se o seguinte diálogo:
Filho: Mãe viste a publicação da professora?Eu: Qual publicação? (já imaginando que fosse sua...)
Filho: Uma em que ela escreve que os filhos não deviam morrer antes dos pais...
Eu: Sim, essa vi.
Filho: Fiquei a pensar porque terá ela escrito aquilo.
Eu: Porque foi no domingo o dia da Mãe e a Professora deve ter pensado que nem ela nem os seus filhos não tiveram a oportunidade de celebrar juntos este dia.
Filho: Ah pois, deve ter sido por isso... Coitada, deve ter ficado tão triste... Quando é o dia da Mãe para o ano?
Eu: Acho que é sempre no primeiro domingo do mês de Maio, porquê?
Filho: Porque para o ano quero dar-lhe um miminho nesse dia. Importas-te Mãe?
Eu: Não (Respondo já de nó na garganta)
Filho: Não é que a professora seja para mim como tu és, mas ela esteve sempre ao meu lado em alturas muito difíceis da minha vida, por isso acho que devo estar ao seu lado em datas como esta, que são especialmente difíceis para ela. Se eu a fizer sentir um bocadinho menos triste no próximo dia da Mãe, já fico muito contente por mim e por ela! O que achas Mãe?
Eu: Acho que fazes bem. (Respondi com dificuldade, mas cheia de orgulho do filho que tenho.)
Provavelmente para o ano vai-se esquecer do que hoje planeou, mas fique com a intenção e sincera vontade de a ver um bocadinho menos triste nesse dia...
Hoje, 5 de maio de 2014, a telefonista da escola liga para a minha sala e diz que tenho uma "visita". Já sei que quando dizem isso, estão a referir-se a algum ex-aluno. Por antecipação, fico logo muito feliz com essas visitas.
Era mesmo um ex-aluno, o Alexandre.
Lá vem ele com seu sorriso e diz-me: "Olá, professora, trouxe-te um miminho. É por causa daquilo que escreveste."
Agradeci imenso, mas não perguntei a que ele se referia, pois (conhecendo-o como o conheço) deduzi que talvez não conseguisse controlar aquelas gotas que, às vezes, pulam dos olhos. Mas tive a impressão que talvez tivesse a ver com o dia das mães.
Quando cheguei em casa, a sua mãe contactou-me, através da mesma rede social, e relembrou-me o texto que transcrevi acima. Sinceramente, já não me lembrava mas
ELE NÃO ESQUECEU!
Hoje, 5 de maio de 2014, a telefonista da escola liga para a minha sala e diz que tenho uma "visita". Já sei que quando dizem isso, estão a referir-se a algum ex-aluno. Por antecipação, fico logo muito feliz com essas visitas.
Era mesmo um ex-aluno, o Alexandre.
Lá vem ele com seu sorriso e diz-me: "Olá, professora, trouxe-te um miminho. É por causa daquilo que escreveste."
Agradeci imenso, mas não perguntei a que ele se referia, pois (conhecendo-o como o conheço) deduzi que talvez não conseguisse controlar aquelas gotas que, às vezes, pulam dos olhos. Mas tive a impressão que talvez tivesse a ver com o dia das mães.
Quando cheguei em casa, a sua mãe contactou-me, através da mesma rede social, e relembrou-me o texto que transcrevi acima. Sinceramente, já não me lembrava mas
Como li algures: os filhos são o reflexo dos pais.
É uma enorme felicidade ter a oportunidade de conhecer "pessoas tão especiais".
sexta-feira, 25 de abril de 2014
LIBERDADE
Nasci
e cresci em regimes ditatoriais, em dois países: Portugal e Brasil.
A
Ditadura é um bom regime?
Ninguém
gosta de viver com o sentimento de que está constantemente a ser vigiado e
controlado.
Meu
avô paterno era monárquico e, até à sua morte (1961), sempre ostentou na lapela
de seu casaco o pin da monarquia. Frequentava os cafés de Lisboa, como
“Brasileira”, “Nicola”; e sempre manteve grandes diálogos, sobre assuntos como
música e política, mesmo tendo a plena consciência de que, na mesa ao lado, estariam
elementos da PIDE.
Meu
pai, por duas vezes, quis tentar “melhorar de vida”, saindo de Portugal. Na
primeira vez, foi chamado à PIDE para responder a várias questões: queria ir
para onde?; para quê?; por quê?
Após
responder a todas as questões e mais algumas, voltou a ser chamado para mais
uma série de questões. Pelo meio do interrogatório, meu pai olhou bem para o
agente e “atirou”:
-
O senhor sabe mais da minha vida do que eu próprio. Já sabe as respostas antes
de fazer-me as perguntas. Portanto, vamos parar de gastar o nosso tempo: ou
autoriza a minha saída, ou não.
(Meu pai nunca foi o exemplo de serenidade;
muito pelo contrário, manifestava-se sempre contra toda a atitude de
prepotência e injustiça.)
E
assim meu pai foi trabalhar 4 anos no Brasil.
Na
segunda vez, logo à primeira “entrevista”, meu pai “atirou” a mesma frase e
poupou-se muito tempo: foi para Angola, indo minha mãe e eu, passado pouco
tempo.
Será
que eles tinham sorte? Não sei.
Será
que nunca sofreram represálias por não terem filiação política?
Talvez.
Sei
que nunca alteraram a sua maneira de ser, a sua postura, as suas convicções no
que diz respeito a justiça e respeito ao outro e a si mesmo, enquanto
indivíduo.
Após
a revolução de cravos, já em 1975, decidimos ir para o Brasil, pois por estas
bandas, no auge da “tal” liberdade, impediam que todas as pessoas que voltavam
de Angola tivessem acesso ao emprego. Sim, inúmeras vezes estava tudo
encaminhado para meu pai preencher determinada vaga, ATÉ ele mencionar o seu
último emprego. AÍ, como magia, a vaga deixava de existir.
Bem,
se aqui tínhamos a PIDE, lá no Brasil, tínhamos o DOPS (Departamento de Ordem
Política e Social). Desde o momento que fomos ao Consulado do Brasil para pedir
a autorização de entrar no país, até a receber, passaram 4 meses. Meu pai,
tendo nascido lá, teve que esperar que o DOPS pesquisasse toda a sua vida,
principalmente se tinha envolvimentos de ordem política.
Sim,
o regime ditatorial é controlador.
Agora
vivemos com LIBERDADE!
Liberdade
essa que manipula a forma como se ensina; liberdade essa que força recém
licenciados a sair de seu país; liberdade que “usurpa” direitos adquiridos, à
custa de muita luta; liberdade que “deixa” manifestar-te à vontade para, a
seguir, premiar-te com a “NÃO RENOVAÇÃO” do teu contrato de trabalho ou,
melhor, “promove-te” para um outro lugar bem mais distante da tua residência;
liberdade que “rouba” os nossos salários e obriga-nos a trabalhar mais tempo.
Se
calhar, os CAPITÃES DE ABRIL, lá no seu íntimo, devem estar a perguntar-se: FOI
PARA ISTO ?
E
agora surge a questão: - Prefiro viver numa ditadura ou numa democracia?
Desejo
viver num regime político onde todos tenham a liberdade para ter acesso a um
sistema público de saúde eficiente e de qualidade; onde todos tenham a
liberdade para ter acesso a um ensino público de ensino onde se respeite o
ritmo de aprendizagem de cada indivíduo e valorize-se as suas capacidades e
competências; onde todos tenham a liberdade de ter acesso a um trabalho com
condições e salário dignas; onde todos tenham a liberdade de ir e vir em
segurança; onde todos tenham a liberdade de ter acesso a um serviço de justiça,
verdadeiramente, imparcial; onde todos tenham a liberdade de poder desejar
envelhecer pois sabem que terão uma velhice com qualidade.
Neste
momento, sinto que vivo num regime muito pior do que a ditadura…
terça-feira, 22 de abril de 2014
Pedaço de Mim - Chico Buarque
Deixei de ser filha só porque os
meus pais morreram?
Não continuo a dizer que meu pai gostava disso ou minha mãe costumava dizer aquilo?
Então continuo a SER mãe, mesmo
de filhos mortos.
Há dez anos, encontrava-me
grávida de gémeos.
Tudo corria bem, apesar de ser
uma primeira gravidez, apesar de ter mais de 40 anos, apesar de ser uma
gravidez de gémeos.
Era seguida e bem acompanhada
pela minha médica, através de análises, ecografias, até amniocentese…
Até que… durante uma ecografia,
só ouvimos um coraçãozinho.
Lembro, exatamente, o que a minha
médica disse, naquele momento: “Perdemos
um.”
A pressão arterial teve uma
subida abrupta que causou uma tensão placentária, impedindo o desenvolvimento
dos meus bebés.
Segui, imediatamente, para a
Maternidade Alfredo da Costa para tentar salvar o outro bebé, pois o Pedro já
tinha falecido. (E não me venham falar que não posso dar um nome a um feto
morto. Dentro da minha barriga, já era
meu filho).
Através de uma cesariana, nasceu
o Henrique com 27 semanas e 630
gramas .
Não me deixaram ver o Pedro e nem
o Henrique que seguiu, de imediato, para a Sala 5.
O Henrique lutou, cada minuto,
durante 22 dias.
Durante 22 dias, vi Anjos (na
forma de enfermeiras/os e médicas) entrarem nessa luta de corpo e alma. As
doutoras e as enfermeiras/os estavam sempre atentas a tudo e também tinham a
paciência de explicar-me tudo o que se passava com o meu filho.
Até as voluntárias da Sala 5,
eram pessoas especiais. Lembro de um dia em que o Henrique lutava mais uma vez
pela vida, rodeado por uma equipa de médicos e enfermeiros. Ao ver aquele
alvoroço, fiquei sem reação. Surgiu logo uma voluntária para apoiar-me. Com uma
mistura de graça e seriedade, foi contando a situação e acalmando-me.
No dia seguinte, essa voluntária
aproximou-se de mim, olhou-me bem nos olhos e disse: “Pois é. Ontem, o Henrique
quis ir jogar à bola com o irmão, mas o irmão mandou que voltasse, pois ainda
não havia vaga na equipa.”
Ao fim de 22 dias, o Henrique
juntou-se à equipa do Pedro.
Hoje, os meus filhos fariam 10
anos.
Sim, os meus filhos.
É claro que não perco tempo a
acompanhar os seus trabalhos de casa, a fazer-lhes a comida, a levá-los à
escola, ao futebol…
É claro que não perco tempo nas
consultas médicas, nas reuniões de pais, nas festas de aniversários para os coleguinhas…
Mas… alguém já pensou no que faço
para preencher todos esses espaços vazios?
Alguém, por acaso, pensa que ao
enterrar-se um filho, ele desaparece de nosso coração, de nossa memória?
Por favor, não digam que tenho
mais disponibilidade porque não tenho filhos.
Eu não tenho filhos por opção
profissional ou pessoal.
Eu tenho filhos e, apesar
de não ter a experiência que muitas mães têm nas atividades que desenvolvem com
os seus, acreditem que tenho uma experiência que pouquíssimas têm: o de
levá-los ao cemitério para serem lá depositados.
Há 10 anos tenho ouvido muitas
frases, acredito, que com as melhores intenções para o meu consolo; porém,
depois de sermos mães (mesmo de filhos falecidos), ficamos com a sensibilidade
mais aguçada. Não quero compaixão. Quero compreensão!
("PEDAÇO DE MIM" foi composta para uma peça teatral, “A ÓPERA DO MALANDRO”, na qual a
personagem perde um filho, após nove meses de gestação e mostra todo o sofrimento
da mãe na perda do filho-, o grande sinónimo do poema é a saudade e a dor
incontroláveis.Vale a pena prestar atenção na letra deste tema de Chico Buarque.)
Oh,
pedaço de mim
Oh,
metade afastada de mim
Leva
o teu olhar
Que
a saudade é o pior tormento
É
pior do que o esquecimento
É
pior do que se entrevar
Oh,
pedaço de mim
Oh,
metade exilada de mim
Leva
os teus sinais
Que
a saudade dói como um barco
Que
aos poucos descreve um arco
E
evita atracar no cais
Oh,
pedaço de mim
Oh,
metade arrancada de mim
Leva
o vulto teu
Que
a saudade é o revés de um parto
A
saudade é arrumar o quarto
Do
filho que já morreu
Oh,
pedaço de mim
Oh,
metade amputada de mim
Leva
o que há de ti
Que
a saudade dói latejada
É
assim como uma fisgada
No
membro que já perdi
Oh,
pedaço de mim
Oh,
metade adorada de mim
Lava
os olhos meus
Que
a saudade é o pior castigo
E
eu não quero levar comigo
A
mortalha do amor
sábado, 19 de abril de 2014
Nada mudou!
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| (minha atual turma) |
Nada
mudou!
A
paixão continua a mesma.
Como
é emocionante acompanhar a descoberta do processo da leitura.
A primeira vez que tive uma turma de 1º ano foi em 1994, no Brasil. Uma turma com alunos muito carenciados,
de famílias desestruturadas, sem nenhum apoio familiar.
Ainda
hoje lembro, perfeitamente, quando um desses alunos começou a ler, num ritmo lento, algumas palavras soltas e eu …
chorei.
Naquele momento, as lágrimas começaram a rolar e eu não as conseguia controlar.
Ele virou-se para mim e perguntou-me, com uma carinha triste: “ Estou lendo mal?”
Naquele momento, as lágrimas começaram a rolar e eu não as conseguia controlar.
Ele virou-se para mim e perguntou-me, com uma carinha triste: “ Estou lendo mal?”
Respondi-lhe
que não, que ele estava a ler bem e ele, com uma cara agora muito espantada,
perguntou: “Então porque estás chorando?”
E, eu, simplesmente, respondi-lhe: “Não
sei!”
Hoje,
já saberia o que responder.
Sempre
que tenho uma turma de 1º ano, sinto a mesma emoção daquele dia.
Acompanhar
o início da descoberta da leitura das primeiras palavras é maravilhoso.
Todo
o corpo da criança se mobiliza para “ler”. Um ato que para nós, adultos, é tão mecânico, para ela significa um enorme esforço.
As mãos apertam-se, as pernas “dançam”, a cabeça fica fixa na direcção
do texto, a boca articula plenamente cada som e os olhos, (ah! Os olhos…), os
olhos iluminam-se cada vez que uma palavra é falada, é compreendida.
É
neste preciso momento que o “mundo” é descoberto. É neste preciso momento que a
criança fixa-nos com um olhar iluminado e diz, com um sorriso enorme: “Eu sei ler!”
As
crianças, na sua ingenuidade, transmitem uma grande verdade: SABER LER.
Saber
ler é bem diferente do que saber decifrar os símbolos que são as letras.
Decifrar as letras … é fácil. Mas, SABER LER…
Saber
ler é a chave para um mundo de conhecimentos, de dilemas, de verdades e de
mentiras.
Saber ler abre as mentes.
Saber ler faz-nos “crescer”.
Saber ler abre as mentes.
Saber ler faz-nos “crescer”.
Hoje,
saberia responder-lhe: “Choro de alegria
por ver-te “crescer”. Choro de alegria por “ver” o resultado do meu trabalho.”
Não
há ministro de Educação que tire esta alegria de mim.
Não há burocracia que acabe com esta emoção que vivo cada vez que um meu aluno começa a ler.
Não há ROUBOS no salário que matem esta paixão.
A paixão por ensinar continua a mesma e as lágrimas só não rolam porque … faço uma enorme força para controlá-las.
Não há burocracia que acabe com esta emoção que vivo cada vez que um meu aluno começa a ler.
Não há ROUBOS no salário que matem esta paixão.
A paixão por ensinar continua a mesma e as lágrimas só não rolam porque … faço uma enorme força para controlá-las.
Amo
a minha profissão.
Amo os meus alunos.
Amo os meus alunos.
domingo, 6 de abril de 2014
REGRESSO
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| (imagem tirada da net) |
Faz
hoje 15 anos que desembarquei no aeroporto de Lisboa.
Vinha
do Brasil, terra onde vivi 23 anos. Antes disso, já tinha vivido 5 anos em
Angola, portanto apenas os primeiros 8 anos de minha existência foram vividos
em Portugal.
Mas
o que ocasionou que voltasse a esta terra, já que tinha a minha vida bem
estabilizada no Brasil?
Dois
motivos:
1º
A violência, a criminalidade no Brasil estava num grande crescendo.
2º
O fato de meus pais sempre ficarem emocionados ao verem programas/notícias de
Portugal.
Naqueles
momentos, ao olhar suas lágrimas, no meu íntimo não entendia por quê toda essa
comoção.
Saudades
de uma terra onde sempre tiveram que batalhar pelo seu sustento?
Saudades
de uma terra onde tiveram tantos desgostos?
Como
isso é possível?
Enfim…
É
possível, sim! Só percebi o que meus pais sentiam, naquele dia, há 15 anos,
quando sobrevoava Lisboa. Ao ver a minha cidade natal, fui tomada pela emoção.
Voltava
à minha terra. Ainda hoje não consigo explicar por palavras. Só sei que a
partir daquele momento, compreendi exactamente como a nossa terra está
enraizada em nosso coração, para sempre.
Vim
viver numa aldeia onde encontrei pessoas fantásticas.
Durante
estes anos, passei por momentos trágicos: o ataque cardíaco fulminante de meu
pai, a doença repentina e morte de minha mãe e o falecimento de meus filhos. Em
todos estes momentos, tive o apoio e acompanhamento dos habitantes desta
localidade. Foram incansáveis!
Da
mesma forma, que acompanharam as minhas alegrias e alegraram-se comigo nos bons
momentos; nomeadamente com o meu casamento e com o meu trabalho.
Angola
e Brasil sempre terão um lugar bem cuidado em meu coração, principalmente por
causa das pessoas com quem convivi; mas Portugal é a terra que me viu nascer,
aqui estão minhas raízes.
Quanto
ao Sobreiro, é meu “porto seguro” e merece toda a minha gratidão.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
COPAN
Via
uma reportagem sobre o edifício COPAN (Companhia
Pan-Americana de Hotéis) na
televisão e fui transportada para essa grande e complexa cidade: São Paulo.
Conheci
essa grande metrópole pelas mãos de meu pai, em 1977. Algo deixava – me muito
intrigada, o fato de meu pai amar essa cidade, logo ele que fugia do stress,
das aglomerações… Quando perguntava-lhe como conseguia gostar daquela confusão,
ele, simplesmente, respondia:
-
Não é confusão. É movimento organizado!
Passados
uns anos, mais precisamente em 1993, trabalhei nessa metrópole durante 6 meses
e constatei que era mesmo um movimento organizado. Aliás, tinha que ser… com a
população existente!
Foram
seis meses de muito cansaço, stress, “garoa” mas de uma maravilhosa
experiência.
Conheci
pessoas fantásticas!
Estava
“cedida” pela COSIPA ao Ministério de Infra-Estrutura (não sei se ainda tem o
mesmo nome), desempenhando as funções de secretária (eu… que trabalhava num
laboratório de análises clínicas…). Porém, tive a sorte de encontrar Grandes
Profissionais: excelentes chefes, maravilhosos colegas. Aprendi imenso!
A
par da experiência profissional, ao circular pelas suas avenidas, ruas,
admirava aquele mundo:
-
suas imensas vias;
-
seu trânsito enérgico;
-
seus edifícios que “arranhavam” os céus;
-
o bairro da Liberdade;
-
o parque do Ibirapuera; e, claro,
-
o COPAN.
Este
edifício destacava-se e alimentava minha imaginação. Tantas vidas num mesmo
lugar, tantas pessoas tão próximas e tão distantes!
Apesar
de entender que uma cidade como São Paulo é um centro de inúmeras experiências,
oportunidades, culturas, artes, comunidades… enfim… prefiro a calma e a
amplitude de uma paisagem alentejana!
(Para conhecer um pouco mais desse grandioso COPAN,
pode visitá-lo aqui.)
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Abandono
Ao procurar casa, a selecção
começava por saber, PRIMEIRO, se havia espaço suficiente e de qualidade, para o
cão.
Férias? Acabaram! Ou se
resumem a um fim de semana.
Quando tive uma cadela,
nunca quis que tivesse filhotes, pois não teriam coragem de vê-los partir para
outros tutores (muito menos, vendê-los).
A Boneca viveu 19 anos e nos
seus últimos anos já estava cega, surda, com artrite, sofreu duas intervenções
cirúrgicas e morreu de velhice.
Kibon veio para casa com a
“certeza” que não passaria do tamanho mini e de 2 kilos. Hoje tem 13 anos e
meio, pesa 12 kilos, tem insuficiência real e o tamanho… bem… não é nada mini.
Xixi no tapete???? SÓ no
tapete????
E com respeito ao Tejo… bem…
ele daria todos os motivos para que qualquer DES-humano o “despachasse”, mas…
enfim… para se ter um animal deve-se pensar, primeiro, se se quer mesmo que a
FAMÍLIA aumente.
Ah, pois! O animal passa a fazer parte do agregado familiar!
E o Tejo veio trazer muita
alegria ao meu agregado familiar!
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