Companheiros de Pensamentos

sábado, 19 de abril de 2014

Nada mudou!

(minha atual turma)
Nada mudou!
A paixão continua a mesma.
Como é emocionante acompanhar a descoberta do processo da leitura.
A primeira vez que tive uma turma de 1º ano foi em 1994, no Brasil. Uma turma com alunos muito carenciados, de famílias desestruturadas, sem nenhum apoio familiar.
Ainda hoje lembro, perfeitamente, quando um desses alunos começou a ler, num ritmo lento, algumas palavras soltas e eu … chorei.
Naquele momento, as lágrimas começaram a rolar e eu não as conseguia controlar.
Ele virou-se para mim e perguntou-me, com uma carinha triste: “ Estou lendo mal?”
Respondi-lhe que não, que ele estava a ler bem e ele, com uma cara agora muito espantada, perguntou: “Então porque estás chorando?” E, eu, simplesmente, respondi-lhe: “Não sei!”
Hoje, já saberia o que responder.
Sempre que tenho uma turma de 1º ano, sinto a mesma emoção daquele dia.
Acompanhar o início da descoberta da leitura das primeiras palavras é maravilhoso.
Todo o corpo da criança se mobiliza para “ler”. Um ato que para nós, adultos, é tão mecânico, para ela significa um enorme esforço.
As mãos apertam-se, as pernas “dançam”, a cabeça fica fixa na direcção do texto, a boca articula plenamente cada som e os olhos, (ah! Os olhos…), os olhos iluminam-se cada vez que uma palavra é falada, é compreendida.
É neste preciso momento que o “mundo” é descoberto. É neste preciso momento que a criança fixa-nos com um olhar iluminado e diz, com um sorriso enorme: “Eu sei ler!”
As crianças, na sua ingenuidade, transmitem uma grande verdade: SABER LER.
Saber ler é bem diferente do que saber decifrar os símbolos que são as letras. Decifrar as letras … é fácil. Mas, SABER LER…
Saber ler é a chave para um mundo de conhecimentos, de dilemas, de verdades e de mentiras.
Saber ler abre as mentes.
Saber ler faz-nos “crescer”.
Hoje, saberia responder-lhe: “Choro de alegria por ver-te “crescer”. Choro de alegria por “ver” o resultado do meu trabalho.”
Não há ministro de Educação que tire esta alegria de mim.
Não há burocracia que acabe com esta emoção que vivo cada vez que um meu aluno começa a ler.
Não há ROUBOS no salário que matem esta paixão.
A paixão por ensinar continua a mesma e as lágrimas só não rolam porque … faço uma enorme força para controlá-las.
Amo a minha profissão.
Amo os meus alunos.

domingo, 6 de abril de 2014

REGRESSO

(imagem tirada da net)
Faz hoje 15 anos que desembarquei no aeroporto de Lisboa.
Vinha do Brasil, terra onde vivi 23 anos. Antes disso, já tinha vivido 5 anos em Angola, portanto apenas os primeiros 8 anos de minha existência foram vividos em Portugal.
Mas o que ocasionou que voltasse a esta terra, já que tinha a minha vida bem estabilizada no Brasil?
Dois motivos:
1º A violência, a criminalidade no Brasil estava num grande crescendo.
2º O fato de meus pais sempre ficarem emocionados ao verem programas/notícias de Portugal.
Naqueles momentos, ao olhar suas lágrimas, no meu íntimo não entendia por quê toda essa comoção.
Saudades de uma terra onde sempre tiveram que batalhar pelo seu sustento?
Saudades de uma terra onde tiveram tantos desgostos?
Como isso é possível?
Enfim…
É possível, sim! Só percebi o que meus pais sentiam, naquele dia, há 15 anos, quando sobrevoava Lisboa. Ao ver a minha cidade natal, fui tomada pela emoção.
Voltava à minha terra. Ainda hoje não consigo explicar por palavras. Só sei que a partir daquele momento, compreendi exactamente como a nossa terra está enraizada em nosso coração, para sempre.
Vim viver numa aldeia onde encontrei pessoas fantásticas.
Durante estes anos, passei por momentos trágicos: o ataque cardíaco fulminante de meu pai, a doença repentina e morte de minha mãe e o falecimento de meus filhos. Em todos estes momentos, tive o apoio e acompanhamento dos habitantes desta localidade. Foram incansáveis!
Da mesma forma, que acompanharam as minhas alegrias e alegraram-se comigo nos bons momentos; nomeadamente com o meu casamento e com o meu trabalho.
Angola e Brasil sempre terão um lugar bem cuidado em meu coração, principalmente por causa das pessoas com quem convivi; mas Portugal é a terra que me viu nascer, aqui estão minhas raízes.

Quanto ao Sobreiro, é meu “porto seguro” e merece toda a minha gratidão.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

COPAN

Via uma reportagem sobre o edifício COPAN (Companhia Pan-Americana de Hotéis) na televisão e fui transportada para essa grande e complexa cidade: São Paulo.
Conheci essa grande metrópole pelas mãos de meu pai, em 1977. Algo deixava – me muito intrigada, o fato de meu pai amar essa cidade, logo ele que fugia do stress, das aglomerações… Quando perguntava-lhe como conseguia gostar daquela confusão, ele, simplesmente, respondia:
- Não é confusão. É movimento organizado!
Passados uns anos, mais precisamente em 1993, trabalhei nessa metrópole durante 6 meses e constatei que era mesmo um movimento organizado. Aliás, tinha que ser… com a população existente!
Foram seis meses de muito cansaço, stress, “garoa” mas de uma maravilhosa experiência.
Conheci pessoas fantásticas!
Estava “cedida” pela COSIPA ao Ministério de Infra-Estrutura (não sei se ainda tem o mesmo nome), desempenhando as funções de secretária (eu… que trabalhava num laboratório de análises clínicas…). Porém, tive a sorte de encontrar Grandes Profissionais: excelentes chefes, maravilhosos colegas. Aprendi imenso!
A par da experiência profissional, ao circular pelas suas avenidas, ruas, admirava aquele mundo:
- suas imensas vias;
- seu trânsito enérgico;
- seus edifícios que “arranhavam” os céus;
- o bairro da Liberdade;
- o parque do Ibirapuera; e, claro,
- o COPAN.
Este edifício destacava-se e alimentava minha imaginação. Tantas vidas num mesmo lugar, tantas pessoas tão próximas e tão distantes!

Apesar de entender que uma cidade como São Paulo é um centro de inúmeras experiências, oportunidades, culturas, artes, comunidades… enfim… prefiro a calma e a amplitude de uma paisagem alentejana!


(Para conhecer um pouco mais desse grandioso COPAN,
pode visitá-lo aqui.)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Abandono


Ao procurar casa, a selecção começava por saber, PRIMEIRO, se havia espaço suficiente e de qualidade, para o cão.

Férias? Acabaram! Ou se resumem a um fim de semana.

Quando tive uma cadela, nunca quis que tivesse filhotes, pois não teriam coragem de vê-los partir para outros tutores (muito menos, vendê-los).
A Boneca viveu 19 anos e nos seus últimos anos já estava cega, surda, com artrite, sofreu duas intervenções cirúrgicas e morreu de velhice.

Kibon veio para casa com a “certeza” que não passaria do tamanho mini e de 2 kilos. Hoje tem 13 anos e meio, pesa 12 kilos, tem insuficiência real e o tamanho… bem… não é nada mini.

Xixi no tapete???? SÓ no tapete????

E com respeito ao Tejo… bem… ele daria todos os motivos para que qualquer DES-humano o “despachasse”, mas… enfim… para se ter um animal deve-se pensar, primeiro, se se quer mesmo que a FAMÍLIA aumente.
Ah, pois! O animal passa a fazer parte do agregado familiar!

E o Tejo veio trazer muita alegria ao meu agregado familiar!


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sem PIO!!!!

É preciso ser visitada, outra vez, pela laringite/faringite para vir andar por estas bandas!
Mais uma vez, sem PIO. Isto, para a minha profissão, é um caos. Lá estou, novamente, a antibiótico!
Bem, por estas dias, vou aparecer mais!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio

(imagem tirada da net)
 
Este, sim, É e SEMPRE SERÁ O REI.

Na minha humilde opinião, Pelé foi grande graças à MARAVILHOSA e GLORIOSA equipa que teve: SANTOS FUTEBOL CLUBE; e aos GRANDES companheiros; Bellini, Gilmar, Djalma Santos, Didi, Zagallo, Garrincha, Nilton Santos, Jair, Coutinho, Amarildo, Pepe (só para citar alguns), que sabiam "entregar-lhe" a bola.

Eusébio FAZIA o jogo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Professora Conceição Neves Gmeiner

Para mim, o ano termina com uma triste notícia:
 
Faleceu neste sábado a professora Conceição Neves Gmeiner, professora de História da Filosofia na Universidade Católica de Santos (cidade do Estado de São Paulo, Brasil), onde ocupou, por dois mandatos, o cargo de Vice-reitora acadêmica. Ela lecionava também Filosofia na Faculdade de Direito da Universidade Santa Cecília.
Era mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutora em Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo. Era membro da Academia Santista de Letras da qual foi Presidente e do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Atualmente era vice-presidente do Instituto.
 
Já tinha colocado aqui um texto sobre alguns Professores que tive, do qual vou transcrever o que se referia a esta Senhora Professora:
 
"... há uma Professora que sempre se destacou para mim: Professora Doutora Conceição Neves Gmeiner.
Destacou-se pela sua enorme cultura, grande sabedoria e pela grande Pedagoga que é.
Ensinou-me que o fato de ser autoridade não tem nada a ver com ser autoritária.
Ensinou-me que a verdadeira Professora conhece, a fundo, seus alunos e deve ter o cuidado de direccionar suas aulas para TODOS eles.
Ensinou-me que o bom humor deve estar presente nas aulas mas que não deve ser vulgar.
Ensinou-me que nós somos o que pensamos.
Ensinou-me que a discussão é enriquecedora quando baseada em argumentos válidos.
Ensinou-me que sempre devemos reflectir no que queremos, realmente, para nossas vidas.
Ensinou-me que, na vida, há sempre prioridades e devemos saber classificá-las.
Ensinou-me que a verdadeira Professora toma conhecimento dos problemas de seus alunos (quaisquer que sejam) e tenta apontar para possíveis soluções.
Lembro quando ela obteve o seu Doutoramento em Filosofia com nota máxima e menção honrosa.
Nós, enquanto alunas, ficámos a saber, não por ela... e quando ela apresentou-se para a aula, nós dissemos-lhe: "- Agora temos que passar a tratá-la por Doutora!"
E ela, parou imediatamente na entrada da sala de aula, virou-se para nós e disse: "- Antes de ser Doutora, fui, sou e sempre serei Professora."
Uma Professora que deixou-me uma profunda marca."
 
Sim, deixa uma grande marca.
Foi minha Professora nas disciplinas de Filosofia da Educação e História da Educação.
O primeiro dia de aula que tive com ela coincidiu em ser o primeiro dia das aulas na faculdade. Ela inicia a sua aula, dando-nos o cronograma com as datas para a entrega dos trabalhos a realizar e a lista dos livros a ler, naquele ano, nas duas disciplinas: 22. Exatamente, apenas 22 livros para ler; e só para citar um exemplo: Odisseia, de Homero. (E não adiantava procurar "resumos", pois ela abordava TODO o livro.
Sim, para ela, o estudo não era brincadeira.
O curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade Católica de Santos era para formar PEDAGOGOS. Não era um curso para aqueles que "apenas" queriam um curso superior. Não.
Era um Curso exigente, trabalhoso, árduo e ela levava isso bem a sério, bem como fazia com que nós também o levássemos. (Só uma nota: o curso iniciou com 61 alunos e terminou, 4 anos após, com 22.)
Era uma excelente Professora. Exigia o máximo de nós, pois sabia do potencial que tínhamos para desenvolver.
Não tinha paciência para a irresponsabilidade, para a falta de empenho ou para o desrespeito. Simplesmente, não perdia tempo com isso.
Conhecia bem os seus alunos. Sabia "tocá-los".
Deixa muitas saudades... mas o seu exemplo é inesquecível.
 
(imagem tirada da net)
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Retratospet- Mª João Justo

Comecei a usar o facebook para ter um contato mais rápido com meus amigos do Brasil e, através dessa rede social, "esbarrei" com o perfil de Maria João Justo.
Vi seus retratos e, apesar da grande desconfiança do mundo virtual, resolvi encomendar uns retratos para oferecer às minhas amigas quando viessem a Portugal. Quando os recebi, fiquei encantada. Por acaso, tive a oportunidade de conhecer a Artista e vi-a "em ação". Estes foram os primeiros que encomendei:

 
 
Minhas amigas gostaram tanto que resolveram encomendar um outro retrato, só que este "voaria" até ao Brasil. Fiquei apreensiva. Será que chegaria em condições? Mas a Artista sabe bem o que faz e embalou-o perfeitamente. Foi este simpático casal de gatitos que chegou em plenas condições ao destino:
 
 
 
É claro que não podia deixar de "homenagear" os meus CÃOpanheiros e lá solicitei mais duas encomendas.
Aqui estão:

 
 
A Maria João Justo também faz outros trabalhos, com outros materiais. Vale mesmo a pena visitar Retratospet - Ilustração de Animais.
 
Que bom, quando neste mundo virtual, encontramos Pessoas de Valor e Grandes Artistas!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Feliz Natal

Ando um pouco afastada do meu "cantinho" mas a inspiração é pouca e o desânimo é muito; porém não podia deixar votos de um Feliz Natal a todos os "companheiros" de Pensasentimentos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Presépios

 E tudo começa assim:

Desembrulhar peça a peça.







Tudo desembrulhado.

A "base" está pronta.
 
E, após 3 horas, está pronto!
Um presépio com 63 anos.
 
 

Detalhe I

Detalhe II

Detalhe III
 
Outros Presépios
 
 
Adquirido por minha mãe.
Oferta de um aluno.
Comprado em 2000.

O de barro foi feito por uma aluna e o de vidro,
oferecido por uma colega.


O "meu" presépio oferecido por meus pais
quando nasci: 1962.