Companheiros de Pensamentos

domingo, 23 de maio de 2010

Pintassilgo



Meu marido, quando miúdo/adolescente gostava de ir aos ninhos, apanhar passarinhos para colocar em gaiolas.
Confesso que já tive passarinhos (já nascidos em cativeiro) em gaiolas mas, conforme fui crescendo, passei a apreciar mais os pássaros, e aves no geral, em liberdade (como as “minhas” andorinhas que regressam a cada Primavera).
Hoje, quando chegámos em casa, de um pequeno passeio, o nosso Tejo recebeu-nos com um ladrar diferente.
Sempre que passamos o portão da entrada (e depois de fechá-lo), os nossos cães correm sempre ao nosso encontro para as boas-vindas do costume. Mas, hoje, o Tejo passou por nós e correu directo para o portão, tentando mordê-lo.
Fui ver com atenção e lá estava um filhote de pintassilgo, agarrado ao portão. Felizmente, do lado de fora.
Afastei logo o Tejo e chamei o meu marido pois o passarito, que ainda não conseguia voar, dirigia-se para o meio da rua, assustado, tendo os pais a tentar protegê-lo.
Meu marido identificou logo que era um pintassilgo, foi logo pegá-lo, com os pais a voar em redor dele.
Por uma fracção de segundo, pensei, com tristeza, que ele ia trazê-lo para casa… Ele gostava muito de criar passarinhos…
O meu marido começou a observar as árvores e, quando encontrou o ninho, colocou o filhote nessa árvore. Os pais foram pousar no nosso telhado, a cantar.
Fiquei preocupada. Será que eles vão abandonar o filho? Tivemos que voltar a sair de casa e, quando regressámos, meu marido foi até à árvore e veio com a boa notícia: eles estavam a alimentar o filhote!

Uma vez perguntei ao meu marido porque não dizia mais vezes “eu te amo”.
Ele respondeu-me que preferia “mostrar” que me amava.
Agradeço a Deus, todo os dias, pelo marido que me destinou.
Um marido que, até pode ser de poucas palavras românticas, mas, sem dúvida, tem me “ofertado” muitos gestos de amor.
E este, foi mais um.
Noutros tempos, com certeza que o traria para casa e o colocaria numa gaiola. Hoje partilhou comigo a preocupação de colocar o filhote em segurança, junto à sua família. Sem hesitar. Com carinho. Com vontade. Com Amor.

Algumas (pequenas) notas sobre esta situação:
- Ainda bem que o filhote caiu da árvore, para o lado de fora do quintal… fora do alcance do Tejo…
- Será que os pais do “nosso” pintassilgo, depois do susto de pensarem que iam ficar sem o filho e vendo que ele estava a salvo, vieram agradecer-nos com o seu cantar, antes de irem ter com ele?

domingo, 16 de maio de 2010

Momento Mágico

Hoje fomos almoçar “fora”.
Colocámos uma mesa na garagem, dois bancos, toalha, pratos, copos, talheres, pão, vinho e … entremeadas e febras para QUATRO.
Para muitas pessoas, momentos como este são simples demais, até sem graça. Algumas pessoas chamariam de “saloice”, “que pobreza!”.
Para mim, são momentos adoráveis. Ver meu marido a assar, com os meus cães ao seu lado (para ver se CAI alguma coisa!), dá-me uma sensação de paz, de serenidade, de harmonia, de Vida.
É claro que gosto de ir a restaurantes mas, sinceramente, troco todos os restaurante do mundo por momentos mágicos, como este.

Dia da Espiga



O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.
O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.
A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:
Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz;
Videira – vinho e alegria e
Alecrim – saúde e força.
(fonte: Wikipédia)
E lá fui eu, com o maridão, para o campo, colher os elementos necessários para fazer o nosso raminho de espiga. Uma tradição saudável.
Gostei de ver, um ou outro avó, na companhia de seus netinhos, a fazer o mesmo.
Para muitos, momentos como este, não têm graça nenhuma. Para mim, é mais um momento para aproveitar a companhia de alguém que mora em nosso coração, admirar a Natureza, curtir a Vida.
(E com este post, cheguei ao 100º. Quem diria!!!)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É a vez do Tejo.


(Vamos lá colocar um post mais levezito.)
Como o Tejo é ciumento, ele também quer deixar aqui sua marca.

Já que o Kibon tem um nome referente a um lugar onde minha dona viveu muitos anos, eu tenho um nome referente ao país dos meus donos.
Sou o Tejo e tenho 5 anos mas, ao contrário do meu amigo Kibon, não sei de quem sou filho. Pela minha “cara”, dizem que tenho traços de labrador e perdigueiro.
A sobrinha do meu dono encontrou-me na rua, devia ter uns dois meses, e levou-me para casa dela.
Ela gostava de mim mas não podia ficar comigo. Já tinha 7 cadelitas e não convinha que vivesse com elas… entendem?
Um certo dia, ela encontrou o meu dono e falou-lhe de mim. Meu dono ficou todo entusiasmado, pois sempre gostou de cães grandes, mas quis conversar com a minha dona, antes de qualquer coisa.
Quando falou com a minha dona, ela quis logo ir ver-me, mas colocou uma condição: se o Kibon não me aceitasse, eu voltava para a casa da sobrinha do meu dono. (Na verdade, acho que ela não queria mostrar muito entusiasmo.)
E assim foi. Os meus donos gostaram logo de mim. Mostrei toda a minha vivacidade e eles trouxeram-me logo com eles. Vim ao colinho da dona e até adormeci no caminho.
O Kibon também me aceitou logo e passámos a dormir juntinhos, a comer juntos e a brincar muito. (A dona estava sempre por perto para que a nossa amizade fosse acontecendo, sem sobressaltos.) Se bem que a dona sempre diz que ele é o mais velho e merece respeito. E eu respeito-o muito. Nunca nos zangámos e já não conseguimos ficar separados, nem de brincadeira.
Houve um episódio que surpreendeu minha dona. Eu tinha chegado há poucos dias e o meu dono tinha regressado do trabalho e preparava-se para trocar de roupa. Quando ele tirou o cinto, eu fugi e encolhi-me todo, cheio de medo. Com certeza, lembrei de algum passado menos bom…
Minha dona ficou admirada e triste ao ver o meu comportamento. Ela é contra qualquer violência contra nós, animais. Bem, então ela começou a criar uma brincadeira com o cinto e eu perdi o medo.
Minha dona chama-me de “melga”. Não entendo. Eu sou bem grandinho, bem maior do que uma melga. Mas já percebi que ela chama-me disso quando estou a dar-lhes “beijinhos” e “festinhas”… Quero estar sempre a agradecer o facto de ter uns donos tão dedicados, uma casa, uma cama quentinha, comida e água.
Não gosto quando sai água dos olhos dela. O Kibon já me contou que isso acontece quando ela lembra de pessoas que já partiram e que eu não conheci. Então, nessas horas, fico bem quietinho, encostado às pernas dela, a olhar bem nos olhos dela. Aí, ela olha-me, passa a mão na minha cabeça e abraça meu pescoço. Eu fico quieto. Ela começa a sentir-se melhor e começo a provocá-la para a brincadeira. Ela ri e segue-me.
Minha dona também me chama de “maluquito”. Se calhar, deve ser por cauda das corridas rápidas que faço pela casa toda (até já parti um jarrão).
Também já deixei minha dona zangada. Comi um comando (controlo remoto) da televisão, estraguei uma boneca que minha dona tinha há 20 anos (nessa altura ela ficou muito triste).
Quando a minha dona fica zangada, ela fala tão sério que eu até, quando era mais novo, me descuidava (e fazia xixi). No fundo, tinha medo de ser devolvido à rua. Hoje já sei que isso não vai acontecer, por mais maluquices que eu faça.
A minha dona diz que adora a nossa companhia, mas ela também sabe que adoramos estar na companhia dela.

Uma Prenda

Mais um miminho para o meu coração.
Obrigada, Sonia.

sábado, 8 de maio de 2010

Mãe


Aqui, por estas bandas, o Dia da Mãe, foi no domingo passado, primeiro domingo de Maio. No Brasil, é no segundo domingo.
Confesso que, para mim, é o pior dia do ano, pois para "visitar" minha mãe e meus filhos, tenho que dirigir-me ao cemitério.
Acredito que minha mãe continua a guiar-me nesta vida, continuo a "sentir" seus sábios conselhos. Tenho o consolo de ter sempre dito e transmitido todo o meu amor por ela. Ela sempre soube o quanto era (e é) importante para mim.
Mas para todas as Mães, e para aqueles Pais que são verdadeiras Mães, desejo que todos os filhos retribuem todo o amor que vocês lhes dedicam.

Agradecimento

Resolvi criar um selo para oferecer a todos aqueles que visitam o meu blog, que deixam comentários, que demonstram carinho, que escrevem palavras tão doces.
Quando criei este meu cantinho, não fazia idéia que ia chegar a isto. Não fazia idéia que pessoas, de lugares tão diferentes, passassem por este espaço, deixando sua opinião.
Só lamento não visitar este "mundo" mais frequentemente, mas o trabalho teima em chamar minha atenção.
Por todo prazer que sinto ao receber as vossas visitas e também de visitá-los, dedico este selinho a todos vocês:
http://sonhosdeumprofessor.blogspot.com/ = "Coração de Professor";
http://nosilenciodepalavrasmudas.blogspot.com/ = "No silêncio de palavras mudas";
http://silnunesprof.blogspot.com/ = "Foi desse jeito que eu ouvi dizer";
http://valentinarosin.blogspot.com/ = "Diário de Valentina Rosin";
http://paraladaslentes.blogspot.com/ = "Para lá das lentes";
http://rita-bueno.blogspot.com/ = "Legalmente loira";
http://conversasdaquiedali.blogspot.com/ = "Conversas daqui e dali";
http://omeusofaamarelo.blogspot.com/ = "O meu sofá amarelo";
http://edupoisl.blogspot.com/ = "Uma página para dois";
http://deabrilemdiante.blogspot.com/ = "De Abril em diante";
http://annelieri.blogspot.com/ = "Menina voadora";
http://schsonia.blogspot.com/ = "Um vento na ilha";
http://sotepeco5minutos.blogspot.com/ = "Só te peço 5 minutos".
(a ordem é aleatória)

domingo, 2 de maio de 2010

Lindos Presentes



Só posso dizer que fiquei extremamente sensibilizada, emocionada, por receber estes dois selos de Sonia Silvino. Muito obrigada, de coração.
Vou tentar aprender com a Sonia e criar um selo para agradecer todo o carinho e atenção daqueles que me visitam.
Obrigada.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mentira


Existem pessoas que convivem muito bem com a mentira, com o cinismo, com a hipocrisia, com a falsidade.
Será que as pessoas têm noção de quando estão a mentir?
Será que as pessoas esquecem de qual é a verdade e, por isso, mentem?
Ainda me faz muita confusão quando as pessoas têm duas caras.
Por quê? Para quê?
Não consigo confiar em pessoas assim. E quando confiava, e chego à conclusão que essa pessoa não era transparente, aberta, sincera, com carácter, perco a confiança e, dificilmente, encontro-a novamente.
Pessoas assim, apenas provocam distância em mim.
Pessoas assim, quebram laços, cortam nós, destroem pontes.
Tenho pena mas aprendi a conviver com a verdade, mesmo quando é feia, mesmo quando é cruel.
Tenho pena...
Tenho verdadeiro horror à hipocrisia, não lido muito bem com a mentira, detesto a falsidade.
Lamento, mas não consigo mudar minha opinião.
Por quê mentir? Por quê esquecer a verdade?
Tenho pena mas perco, totalmente, a confiança.

domingo, 25 de abril de 2010

O que se passa pela cabeça do Kibon...

Visitando o blog da Verena, li o post Bichinhos - SACO MESMO É SER GATO !!!.
Achei muito bem feito, vou tentar escrever o que acho que se passa pela cabeça de um dos meus cães.

Tenho quase 10 anos e chamo-me Kibon. Minha mãe era uma cocker spaniel e meu pai … bem… dizem que era um pinsher. Mas isso nunca importou para as minhas donas.
Pois é, quando vim para esta casa, havia duas donas: uma mais velha e outra mais nova. Depois percebi que eram mãe e filha. Sempre fui e sou muito mimado. Quando era criança, fiz muitas asneiras: acabei com chinelos e sandálias, camisolas, blusas, calças, tacos de madeira do chão do corredor, rodapés, arranquei plantas dos vasos, tapetes, destrui quatro ou cinco ou seis camas (perdi a conta), enfim… Eu tinha sempre a companhia da dona mais velha mas quando ela também tinha que ir a algum lugar… bem… eu tinha que me distrair.
Mas uma vez, apanhei bastante da dona mais nova, quando acabei com uma esponja de banho. Na hora não percebi porque estava a apanhar tanto no meu rabinho por ter estragado algo tão simples (já tinha destruído muita coisa e mais cara). Procurei entender e … aceitei. A esponja pertencia ao pai dela. Ele tinha falecido na altura que eu nasci. Aliás, sei que ele dizia que, quando tivessem um cão, gostaria que se chamasse “Kibon”. Sei que ele gostava muito das minhas donas mas ficou feliz ao ver que eu tomava conta delas.
Minha dona ainda sente a falta dele… (Ela também se arrependeu de me ter batido tanto. Naquela noite, fiquei no colo dela até adormecer. Ela não estava batendo em mim, mas na dor que tinha no peito…)
E assim fui crescendo com as duas, cheio de carinho, cuidados, boa comida, água sempre fresca, passeios, brincadeiras e muita companhia.
Depois chegou lá em casa, um homem. A dona mais nova deu-me logo a entender que ele também seria meu dono. Ok! Mais um para tomar conta. O mais importante é que ele se revelou muito porreiro. Quando faz petiscos… divide comigo. (Ai, se a minha dona sabe disto!) E trata-me muito bem. Também se não me tratasse, a minha dona não vivia com ele. Ah, pois não!
Um dia, a dona mais velha foi levada por umas pessoas de branco e … não voltou mais. Senti muito a falta dela, pois éramos muito companheiros. Eu sei para onde ela foi e sei que ela está bem.
Sempre que a minha dona mais nova chora (apesar dela ser muito brincalhona, às vezes fica triste), sento-me bem pertinho dela, coloco meu focinho na perna e tento, com o meu olhar, dizer-lhe isso. Acho que ela entende, acalma-se.
Ora bem, um certo dia, meus donos trouxeram outro cão.
No início, fiquei um pouco desconfiado. Será que eles iam trocar-me?
Não, pelo contrário. Queriam dar-me um companheiro.
Desde o início, ensinaram aquele “maluco” que eu sou o rei da casa. Apesar de ele ser um pouco “cabeça-dura”, entendeu.
Tornámo-nos grandes amigos, inseparáveis.
Mas há coisas que não entendo.
Às vezes, os meus vizinhos fazem-nos perguntas estranhas:
- Tua corrente é comprida?
O que é corrente?
- Aquela coisa que te colocam no pescoço e te prendem a um lugar.
Mas… não temos nada no pescoço e andamos pelo quintal e pela casa toda!
- Conseguiste dormir esta noite com o frio que fez, com a trovoada?
Claro, como todas as noites. Como posso sentir frio dentro da casa dos meus donos?
- Vocês não têm medo dos carros?
Não. Sempre que vamos sair, nossos donos põem-nos umas coisas que eles chamam de peitorais e guiam-nos de forma segura.
- Ó velhote! Então a tua dona já te trocou por um mais novo? Ela já não te liga, pois não?
Minha dona continua na mesma. Trata-me da mesma forma e continua a chamar-me de “meu Kibon lindo”.
Sinceramente, não entendo.
Então os donos não são todos iguais aos meus?