Memorial

Companheiros de Pensamentos

domingo, 15 de abril de 2012

Aquele Abraço

(Aí vai o texto que enviei para participar no concurso "AQUELE ABRAÇO" e que foi publicado como #15, apesar de não seguir a temática.)

Era o seu casamento. Uma cerimónia muito simples, na presença do representante legal do cartório, mais uma mão cheia de parentes; uns em comunhão com a sua alegria; outros, nem por isso…
Enquanto o senhor do cartório falava sobre a importância do “contrato” que se celebrava, muita coisa passava pela sua cabeça.
Ela já tinha perdido o seu pai. Já tinha sofrido imensas decepções de pessoas que julgava amigas.
Ela já tinha vivido uma guerra e inúmeras vezes foi forçada a adaptar-se a novas situações, diversas escolas, empregos, países.
Ela já tinha sofrido uma grande desilusão amorosa e, agora, casava com um homem, divorciado, e com o qual namorava há três meses.
Estaria a ser precipitada? Deveria conhecê-lo melhor? Depois de tanto tempo vivendo livre e independente, conseguiria partilhar o seu dia a dia?
No meio de tantos pensamentos, a cerimónia chega ao fim.
Trocam-se as alianças. Sela-se com um beijo. Começam os cumprimentos dos presentes.
A mãe dela, feliz e emocionada, abraça-a e diz-lhe ao ouvido: - Teu pai está feliz, por ti.
Uma das cunhadas faz uma subtil observação: - Vamos lá ver se é desta…
A certa altura uma criança, uma menininha de três anos, também lhe dá um abraço.
Ela sente-se protegida por dois bracinhos. Dois pequenos bracinhos que, através de um abraço, conseguem transmitir-lhe uma enorme paz, uma feliz harmonia, uma grande certeza que a vida pode oferecer-nos momentos muito felizes.
Hoje, mesmo já passados nove anos, ela lembra-se de como soube bem AQUELE ABRAÇO.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

No Mercado Persa; de Albert Ketelbey


O Maestro Antonio Manzione dava/dá as suas aulas para turmas com vários alunos. Ele não dava aulas individuais para ensinar a tocar violão.
Nas suas aulas não aprendíamos apenas a TOCAR violão. Aprendíamos a OUVIR música, a OUVIR diversos instrumentistas e, principalmente, a OUVIR o colega.
Um dia, ele trouxe um disco de vinil (LP) com obras de Ketelbey e colocou este tema para que percebêssemos os vários instrumentos que participavam na execução desta obra.
Nós, enquanto alunos, observámos que um dos nossos colegas, a meio do tema, adormeceu. Como havia sempre um espaço significativo entre nós (para que não atrapalhássemos o colega do lado, enquanto tocássemos) era impossivel "acordá-lo" sem que o professor notasse o nosso movimento.
E agora?
Com certeza que o Professor vai dar-lhe um valente raspanete...
Afinal, ele DORMIU na aula!!!
A música chega ao seu término e o Professor fez o que era o seu hábito: perguntar a cada um de nós, as nossas impressões. (Entretanto, o nosso colega já tinha acordado, ao ouvir a voz do Maestro.) E assim foi questionando cada um, ouvindo com toda a atenção, até que chegou ao nosso colega.
Porém, em vez de formular uma questão "aberta" (tipo: - Então, gostou?): formula uma questão bem específica.
Nosso pensamento foi geral: "danou-se!"
O colega engasga, baixa a cabeça, começa a gaguejar e o Professor diz:
- Não sabe, "né"? Você adormeceu!
E o aluno, todo envergonhado, pede desculpas.
E é no momento seguinte que o Professor Maestro Antonio Manzione dá, a todos nós, uma grande lição:
- Desculpa? Está a pedir desculpa por a música ter, VERDADEIRAMENTE, cumprido a sua missão?
A música tranquilizou-o. A música levou-o a um estado de tal relaxamento que até o fez transportar para outro plano. Esta é a missão da música: levar-nos para longe! Não peça desculpa! Você deixou que a música cuidasse de si.

O Professor Antonio Manzione não ensinava APENAS a tocar violão!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

100

(imagem tirada da net)

No dia 26 de Fevereiro de 2009, iniciei este meu cantinho e, naquele dia, não imaginava que hoje a Brown Eyes seria a minha 100ª "companheira de pensasentimentos".
Confesso que não tinha a verdadeira noção do que era manter um blog.
Ao longo deste tempo, tenho "passeado" por muitos países; tenho tido "contato" com inúmeros poetas, músicos, artistas; fui "levada" a grandes reflexões; fiz "festinhas" a muitos animais de estimação; aprendi muito; partilhei muito de mim.
Hoje, mais uma vez, agradeço a todos os meus "companheiros" pelas visitas, pelos comentários, pelas partilhas, pelos ensinamentos, pelas reflexões, pelo carinho.
Hoje já compreendo que um blog só sobrevive através da "PARTILHA".
Muito obrigada.

terça-feira, 10 de abril de 2012

"Caixinha de Música", de Isaías Sávio



Esta era a preferida de minha mãe e a única que toquei em "solo" para o público.
Quando o Maestro Antonio Manzione entregou-me a partitura de "Caixinha de Música", de Isaias Sávio, disse-lhe prontamente que não seria capaz de tocá-la. E ele respondeu-me, de uma forma muito própria:
"- Você acha que se não fosse capaz, eu a entregaria para você? Tenha santa paciência!"
(Tenho que ir tirar o pó ao meu violão... acho que ando muito saudosista...)

Green Sleeves



Conta a lenda que Greensleeves foi composta pelo rei inglês Henrique VIII (1491 - 1547). A lenda refere que Henrique VIII a fez para a sua amante e futura rainha consorte Ana Bolena. Ana rejeitou as tentativas de Henrique de seduzi-la e esta rejeição é aparentemente a que se refere na canção, quando o escritor do amor "vazio". No entanto, Henrique não escreveu "Greensleeves", que provavelmente é do período Isabelino e é baseado num estilo italiano, cuja composição não chegou a Inglaterra até depois da sua morte.(fonte: Wikipédia)

O que é fato é que é uma das músicas que minha mãe adorava que lhe tocasse.

Tradução livre em português:

Ai, meu amor, você me leva aos erros,
Para me abandonar grosseiramente
Eu lhe amei tanto tempo,
Me aprazendo em sua companhia

Refrão:
Mangas-Verdes são toda minha alegria
Mangas-Verdes são o meu prazer
Mangas-Verdes são meu coração de ouro
E quem senão minha Dama-das-Mangas-Verdes

Seus votos foram violados como meu coração (quebrou)
Porque você me arrebatou?
Agora estou em um mundo diferente
Mas meu coração está em cativeiro

Refrão

Eu estava em suas mãos
E lhe concederia o que tu me pedisses
Eu havia apostado na vida e no mundo
Seu amor e bem estar para sempre

Refrão

Se tu pretendes assim desdenhar
Isso só vai me arrebatar mais
Logo, ainda sou
Um amante em cativeiro

Refrão

Meus empregados estavam vestidos de verde
E sempre esperaram alguma vez
Tudo isso foi tão galante
Mas tu ainda não me amas

Concurso do Tigre


O Tejo está prontinho para brincar com o Tigre!
Ele adora esse osso amarelo oferecido pelas Amigas do Brasil.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Páscoa

(nosso folar)

Páscoa!
Mudança!
Passagem!
Recomeço!
Renascimento!
Durante a nossa existência,
deparamo-nos com mudanças,
recomeços, passagens para novos desafios,
e em cada mudança, passagem, recomeço,
estamos sempre renascendo a cada dia!
A todos os meus companheiros de pensamentos
e a todos aqueles que passam por este meu cantinho,
desejo que, na vossa vida, tenham sempre
PÁSCOAS FELIZES!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Camerata e cidade de Santos - Desde 2007



E agora é para matar saudades da cidade onde vivi metade da minha existência.
Esta cidade é linda! A gente desta terra mora no meu coração.
 (todos os sons são produzidos apenas por violões; até o som do comboio/trem é feito com recurso ao violão)

História da Camerata Villa-Lobos


Sempre que visito o blog de Nuno, sinto uma grande melancolia pois lembro de uma vivência maravilhosa que faz parte desta história. Todos os ensaios, todas as apresentações sempre foram mágicas e inesquecíveis.

domingo, 1 de abril de 2012

Maestro Manzione ensinando Romance de Amor; de Antonio Rovira


Meu Maestro, Grande Professor, Grande Lutador! Quanta saudade!

Dia 1 de Abril

Nunca achei muita graça ao dia das mentiras.
KIBON
Meus pais também não eram amantes dessa prática. Lembro-me que a única partida que meu pai pregava à minha mãe era dizer-lhe que estava um gato a fazer xixi no vaso da roseira. Ela saía disparada para afastar o gato que NUNCA estava lá. O mais divertido era que meu pai pregava SEMPRE a mesma partida e minha mãe SEMPRE caía, ano após ano. Só quando ela percebia que afinal não havia gato e via que eu já estava a rebolar de tanta risada, é que ela dava conta que tinha caído, NOVAMENTE, na partida de meu pai.
Há 7 anos, meu marido pregou-me a primeira e última mentira de 1 de abril.
Ele acorda-me a dizer, muito rapidamente, que os nossos cães tinham escapado pelo potão. Levanto-me num rompante, visto um casaco por cima do pijama, pensando que caminho devia tomar para tentar ir ao encontro deles, rezando para que não fossem atropelados, que não se encaminhassem para a estrada nacional e quando estou a encaminhar-me para a porta... "tropeço" nos meus cães que vinham dar-me os bons-dias. Olho para o meu marido que desata a rir e a dizer "primeiro de abril".
TEJO
Eu, simplesmente, tiro o casaco, vou para o quarto, deito-me, calada, esperando que meu coração diminua o ritmo que tinha alcançado.
Meu marido aproxima-se, de mansinho, estranhando o fato de eu ter ficado tão calada.
- Então? Foi uma brincadeira de primeiro de abril!
Eu, calmamente, respondo:
- Nunca mais faça qualquer tipo de brincadeira que envolva os meus cães. Certo? Aliás, nunca mais faça "brincadeiras" de primeiro de abril que coloquem meu coração acelerado e uma dor de cabeça e na nuca.
Para mim, não foi brincadeira. Só a idéia de perder os meus cães...