Memorial

Companheiros de Pensamentos

quarta-feira, 21 de março de 2012

Vida após a Vida


(imagem tirada da net)
No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebés. O primeiro pergunta ao outro:
- Tu acreditas na vida após o nascimento?
- Certamente que sim. Algo tem de haver depois de nascermos! Talvez estejamos aqui, principalmente, porque precisamos de nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Tolice, não há vida após o nascimento. E se houvesse como seria ela? ...
- Eu cá não sei, mas certamente haverá mais luz lá do que aqui... Talvez caminhemos com os nossos próprios pés e comamos com a boca.
- Isso é absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca é totalmente ridículo! O cordão umbilical alimenta-nos. Estou convencido de que a vida após o nascimento não existe, pois o cordão umbilical é muito curto!
- Olha, eu penso de outro modo. Penso que há algo depois do nascimento, talvez um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui...
- Mas nunca ninguém voltou de lá, para nos falar sobre isso!? O parto é o fim da vida. E a vida, afinal, nada mais é do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exactamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamã e ela cuidará de nós.
- Mamã? Tu acreditas na mamã? E onde está ela?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela é que nós vivemos. Sem ela nada disto existiria!
- Eu não acredito. Nunca vi nenhuma mamã, pelo que não existe mamã nenhuma!
- Eu acredito. E sabes porquê? Porque às vezes, quando estamos em silêncio, ouço-a cantar e sinto como ela afaga o nosso mundo. E também penso que a nossa vida só será "real” depois de termos nascido. Nesse momento tomará nova dimensão. Aqui, onde estamos agora, apenas estamos a preparar-nos para essa outra vida...

(Autor anónimo, cidadão do Porto e apoiante da Associação Pro Vida)

sábado, 17 de março de 2012

Pai

(Já publiquei este post mas, com a proximdade do Dia do Pai e com certa melancolia que se acentua em determinadas datas, resolvi republicá-lo com algumas alterações)

Já ouvi muitas vezes as pessoas lamentarem o pouco tempo que passaram com determinado familiar ou amigo. Que deviam ter feito isto ou aquilo; que deviam ter feito mais companhia, ou conversado mais, ou brincado mais ou passeado mais; enfim...
Eu só lamento não ter tido mais tempo para continuar a fazer o que sempre fiz enquanto tive meu pai: viver intensamente a sua companhia, aproveitar ao máximo os seus ensinamentos, rir das suas palhaçadas.
Quando eu era criança, ele era o meu companheiro de brincadeiras.
Lembro, perfeitamente, que quando ele saía para o trabalho, eu ainda dormia e quando ele chegava do trabalho… eu já dormia. Mas havia o domingo. Ah, o domingo! Era o nosso dia! Começava logo cedinho, eu pulando para a cama dos meus pais para começar a “farra”, enquanto minha mãe preparava o pequeno-almoço. Depois, se o tempo estivesse agradável, íamos passear no Jardim da Estrela. Ou íamos ao Jardim Zoológico, a Museus, Palácios, Castelos. Como tudo era Grande aos meus olhos de criança, assim como eram Grandes esses passeios!
Mas, se chovesse? Nenhuma chuva estragava o nosso dia! Brincávamos com os jogos da "Majora", com os carrinhos (meu pai fazia caminhos pelo meio das almofadas e almofadões, móveis e tapetes, enquanto minha mãe sorria, divertida com as cenas que fazíamos).
Com meu pai, aprendi a soltar papagaio, a jogar ao pião, ao mikado, ao dominó e às damas.
Fui crescendo e meu pai foi tornando-se “aquele” que sabia muito.
Começamos a colecionar selos. E atrás de cada selo, havia sempre uma lição que aprendi sem perceber que aprendia: geografia, história, política, personagens famosas, etc. Esses momentos foram fazendo parte da nossa vida.
Desde cedo fui convivendo com os livros e começou a desabrochar, em mim, uma grande paixão: o prazer de ler; e como meu pai soube alimentar essa paixão. Paixão essa que se tornou em um amor eterno. Como ele foi “direcionando” os autores e os temas para que o “prazer” não se apagasse na primeira deceção.
Começou a fase de “quando crescer quero ser”… e eu quis ser: professora, cientista, veterinária, ativista do Green Peace… E meu pai nunca se divertiu com estas minhas ambições, pelo contrário, instigava-me a que descobrisse em que consistia cada atividade desejadas. Mas quando os amigos perguntavam-lhe o que ele gostaria que eu fosse (médica, advogada, engenheira,…); meu pai sempre respondia: “Quero que ela seja feliz na profissão que escolher, seja ela qual for.”
Meus pais já tinham passado dos 30 anos quando eu nasci. Sempre ouvi falar do “conflito de gerações”, mas nunca soube o que era isso.
Nunca tive discussões com meu pai? É claro que tive e não foram poucas. A grande maioria por caprichos meus, por causa do meu feitio (muito parecido com o dele, claro). Também houve umas poucas vezes em que ele esteve errado. Nessas alturas, sempre foi HOMEM suficiente para reconhecer o erro e pedir desculpas. Por incrível que pareça, nesses momentos, ele ainda tornava-se MAIOR aos meus olhos.
Quantas vezes cancelei saídas com colegas pois preferia passear à beira-mar com ele! E como conversávamos, sobre variados assuntos, nesses longos passeios...
Sempre foi o meu companheiro, o meu amigo, o meu conselheiro, a minha referência.
Ele ensinou-me que a maior lição está na “atitude” e não só nas palavras. Aquela frase “faça o que eu falo e não o que eu faço”, nunca teve serventia lá em casa.
O que meu pai “exigia” de mim, ele também praticava. Se eu tinha que dizer aonde ia, com quem e a que horas voltava; meu pai também tinha a mesma atitude com minha mãe; por exemplo.
O respeito sempre foi uma via com dois sentidos.
Aliás, o Respeito era algo levado muito a sério: respeitar o outro, respeitar a natureza, respeitar a nós próprios, respeitar os nossos sentimentos e os dos outros, independente de sexo, religião, partidos políticos, times de futebol, etc.
Meu pai sabia cativar os jovens, os velhos, as crianças. Como? Era tão simples: sabia ouvi-los.
Como é bom quando alguém nos ouve!
Enfim, podia escrever muito mais sobre o meu pai mas … por tudo isto e muito mais... sinto muito a tua falta, Pai...