Memorial

Companheiros de Pensamentos

terça-feira, 30 de março de 2010

Maternidade Alfredo da Costa


Na Maternidade Alfredo da Costa, não trabalham pessoas.
Já há muito tempo que tinha vontade de escrever sobre a minha “estadia” na Maternidade onde eu nasci.
Há seis anos que sinto uma vontade enorme de colocar cá para fora o que penso sobre aqueles com quem convivi 22 dias.
Há seis anos, encontrava-me grávida de gémeos.
Tudo corria bem, apesar de ser uma primeira gravidez, apesar de ter mais de 40 anos, apesar de ser uma gravidez de gémeos.
Era seguida e bem acompanhada pela minha médica, através de análises, ecografias, até amniocentese…
Até que… durante uma ecografia, só ouvimos um coraçãozinho.
Lembro, exactamente, o que minha médica disse, naquele momento: “Perdemos um.”
Segui, imediatamente, para a Maternidade Alfredo da Costa para tentar salvar o outro bebé, pois o Pedro já tinha falecido. (E não me venham falar que não posso dar um nome a um feto morto. Dentro da minha barriga, já era meu filho).
E então comecei a ter contacto com aqueles que não são pessoas.
Desde aquela enfermeira que aplicou as injecções com mãos de fadas; no bloco operatório, quando faziam cesariana; e na SALA 5, da Unidade dos Cuidados aos Prematuros. E foi, precisamente, na Sala 5, que constatei que ali não trabalhavam pessoas. Sim, só tive contacto com Anjos.
No bloco operatório, estava extremamente nervosa e toda a equipe trabalhou para acalmar-me, até conseguiram que eu risse (depois de ter tido uma crise de choro).
Não vi meu bebé, quando nasceu. O Henrique tinha 27 semanas e 630 gramas. Teve que ir logo para a famosa Sala 5, onde tudo acontece em cada minuto.
Foi incrível como os Anjos se dividiam. Enquanto uns cuidavam do Henrique, outros cuidavam de mim, dando-me força, apoio psicológico, ânimo. Sempre com um sorriso, um toque no ombro, uma palavra alegre.
O Henrique ficou na Sala 5, na cama 1, durante 22 dias. Lutou, cada minuto, durante esses 22 dias.
Durante 22 dias, vi aqueles Anjos a entrarem nessa luta de corpo e alma. As doutoras e as enfermeiras (os) estavam sempre atentas (os) a tudo e também tinham a paciência de me explicar tudo o que se passava com meu filho.
Até as voluntárias da Sala 5, eram especiais. Lembro de um dia, em que o Henrique lutava mais uma vez pela vida e que estava rodeado por uma equipa de médicos e enfermeiros. Ao ver aquilo, fiquei sem reacção. Surgiu logo uma voluntária para me apoiar. Com uma mistura de graça e seriedade, foi contando a situação e acalmando-me.
No dia seguinte, a situação estava estável, essa voluntária aproximou-se de mim, olhou-me bem nos olhos e disse: “Pois é. Ontem, o Henrique quis ir jogar bola com o irmão. Mas o irmão mandou que voltasse, pois ainda não havia vaga na equipa.”
Ao fim de 22 dias, o Henrique juntou-se à equipa do Pedro.
Lembro de todas as situações que vivi nesses dias mas lamento imenso não ter registado os nomes daqueles Anjos.
Não sei os seus nomes, mas nunca esquecerei como são dedicados, pacientes, sensivéis, profissionais e, acima de tudo, Verdadeiros Anjos.

sábado, 27 de março de 2010

Pode parecer estupidez...

Pode parecer estupidez ou até ingenuidade da minha parte mas... enfim... lá vai.
Hoje senti-me na "obrigação" de mandar um recado àqueles que costumam visitar o meu cantinho e àqueles que possuem espaços onde adoro passear.
Ando um bocado ausente por estas bandas por motivos profissionais. Se calhar, já deu para perceber que a minha profissão é Professora e esta altura é mais uma daquelas em que afogo-me em papéis e mais papéis.
Lamento imenso não ter tempo para visitá-los mas, em breve, retorno às minhas visitas.
Como seria bom fazer como esse gato (que deve ser meu vizinho). Esconder-me num lugar onde ninguém me chateia e onde posso descansar, relaxar e ouvir os pássaros. Apesar de ter uns paparazzis que não respeitam a minha provacidade.
Já agora, vou aproveitar para fazer uma pergunta.
Alguém pode-me explicar porque os meus cães ladram para uns gatos e não ligam nada a outros?

sábado, 20 de março de 2010

Cãomanidade


Cada dia que passa, concordo mais com a frase: "Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais".
O que encontro nos meus câes?
- Companhia;
- Carinho;
- Compreensão;
- Sinceridade;
- Lealdade.
Qualidades que até me dá vontade de qualificar como "qualidades animais". Faço um exame de consciência e reflicto: "Possuo todas essas qualidades que mencionei?"
Não. Não possuo todas.
- Sou duramente criticada por não fazer companhia.
- Sou carinhosa (q.b.).
- Faço um esforço ENORME para compreender a raça humana.
Mas há duas que sempre possui e vou continuar a praticá-las, mesmo que não agrade a muita gente:
- Sou sincera em actos e palavras.
- Sou leal aos meus princípios, às minhas amizades, às pessoas que realmente amo, à minha profissão (contudo que ela envolve) e aos meus animais.
Se vou tentar obter as outras qualidades?
Posso até tentar, mas nunca vou conseguir ser tão "cãomana" como os meus cães.
Continuarei a ser "humana".

domingo, 14 de março de 2010

Será que entendi bem?




Li no jornal "Correio da Manhâ", uma declaração do Director Regional de Educação sobre o caso do suicídio do Professor: "... as crianças (?) não podem carregar um sentimento de culpa que será muito negativo nas suas vidas..."

Eu não devo ter entendido bem. Os alunos de uma turma desrespeitam, maltratam, humilham, agridem um Professor ao ponto deste suicidar-se e, agora, o Professor falecido será o responsável pelo "sentimento de culpa" que esses alunos, por acaso, terão? E ainda por cima, vêm dizer que o Professor é que tinha uma "fragilidade psicológica"?

Não devo estar a perceber nada. Se, realmente, ele tinha essa fragilidade, não houve nenhuma ajuda? E se o Professor, à primeira falta de respeito, reagisse de "outra forma" pedagogicamente incorrecta, o que poderia acontecer? Quanto a isto, não há dúvidas: um processo disciplinar.

Meu Deus, em que mundo vivemos!

As "minhas" andorinhas


Meus "inquilinos" voltaram, trazendo o prazer que sinto ao vê-los.
Já arrumaram a casa e já a estão preparando para receber os filhotes.
A Primavera vem a caminho.

André Segóvia - o Pai do Violão Clássico



Segóvia orgulhava-se de "roubar os jovens aos Beatles".
Aqui executa uma obra de um grande compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos. Segóvia foi um fenômeno. Nesta actuação, ele dá-se ao luxo de afinar uma corda enquanto toca.
Simplesmente, ÚNICO.

sábado, 6 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher



Hoje, brincando com meu marido, disse-lhe:
- Olha, não te esqueças que dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. Tens que me levar a jantar, dar-me flores e uma jóia.
E ele, naturalmente, respondeu:
- Bem; não preciso de um dia específico para jantarmos fora nem para te dar flores. Quanto à jóia … já tens a mim!
Como diria a minha amiga Carla, “mais um dia para beneficiar o comércio”.
É necessário determinarmos um dia para lembrar a existência da Mulher?
E já agora, porque não há o Dia Internacional do Homem? (Alguns homens diriam que são todos os outros dias do ano!)
Há homens que são grandes e verdadeiros “lutadores”.
Conheço homens que lutam, todos os dias, para serem Pai e Mãe pois não podem contar com a figura daquela mulher que deveria ser a Mãe mas que, na realidade, apenas foi a progenitora.
Conheço homens que abrem mão dos seus sonhos para lutar, a fim de obter condições dignas para sustentar sua família (como foi o meu Pai).
Conheço homens que abafam sua própria dor enquanto dão todo o apoio para que sua mulher supere a sua dor (como meu Marido).
Todos os dias deveriam ser Dia da Criança, Dia da Mulher, Dia da Mãe, Dia do Pai, Dia da Avó, Dia dos Namorados, Dia do Animal… Natal.Todos os dias podem e devem servir para lembrar, respeitar, cuidar, amar.