Memorial

Companheiros de Pensamentos

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

E lá se vai mais um ano...



Tenho a mania de olhar para trás e ver o que acumulei ao longo dos anos.
Gosto de colocar numa balança as coisas positivas e negativas e ficar olhando qual o prato que pesa mais.
Já tive anos bem ruinzinhos e anos que trouxeram verdadeiros milagres:
- 1975: saí de uma terra onde vivia-se a felicidade, a alegria, a boa vizinhança, deixei de ver os pôr-do-sol fantásticos, deixei bons amigos, grandes colegas, dos quais perdi completamente o contacto, infelizmente.
- 1976: meu pai sofre um enfarte do miocárdio; os médicos não dão nenhuma chance e ele recupera.
- 1979: conheci uma amiga de loooooonga data (30 anos de amizade).
- 1982: concluo a minha formação em Patologia Clínica e começo a trabalhar em Laboratórios de Análises Clínicas. Conheci Bons Colegas de trabalho, mas também constatei que o ambiente de trabalho é bem diferente do ambiente de sala de aula, aliás, já tinha sido avisada pelo meu Professor Laurindo Chaves Neto.
- 1993: obtenho a minha Licenciatura em Pedagogia, juntamente com umas colegas fantásticas. Uma turma de lutadoras, de persistentes, de solidárias, onde a amizade nos unia. Graças à Internet, ainda mantenho contacto com elas.
- 1994: sou “contaminada” com o vírus do Ensino. Comecei a minha carreira de Professora e posso dizer que, apesar de tudo, ainda continuo apaixonada por esta profissão. E contrariando o que dizia o meu Professor Laurindo, tenho boas e grandes amigas nesta profissão.
- 1998: visitei a Expo 98. Um sonho realizado. Um reencontro com minha terra natal. Um reencontro com pessoas que não via há muito tempo. Um reencontro com um passado que guardava algumas feridas mas também algumas boas recordações. Neste ano também concluí a minha Pós-Graduação, onde conheci três irmãs maravilhosas que desde então vivem no meu coração.
- 1999: regresso de vez às minhas raízes e a algumas decepções.
- 2000: foi um ano muito triste e que gostaria que nunca tivesse existido. Perdi irmã, Pai, tio e tia. Mas também foi o ano onde “vi” a solidariedade dos vizinhos que nos conheciam há pouquíssimo tempo, foi o ano em que surgiram grandes amizades e que persistem até aos dias de hoje.
- 2002: perdi um tio muito querido.
- 2003: foi o ano em que recebi um grande presente, um Bom Marido. Um Marido que veio lembrar-me que o caminho é sempre para a frente; um Marido que tem uma sensibilidade “silenciosa” e uma valor “gritante”; um Marido que consegue “demonstrar” as palavras mais românticas deste mundo; um Marido que compartilha as tardes de chuva, os passeios mais inesperados, os bons petiscos…e as noites (claro); um Marido que conseguiu dar-me a força necessária para continuar a viver.
- 2004: outro ano para esquecer. Perdi minha mãe e meus filhos.
Todos os outros anos foram anos cheios de momentos felizes, com saúde e trabalho.
Este ano, que está quase a chegar ao fim, também foi um ano cheio de momentos muito felizes, com muita saúde e trabalho e com a grande oportunidade de cativar mais uma amizade.
E olhando bem para a balança, o que vejo?
Um dos pratos contêm todas as perdas que tive, todas as lágrimas que derramei, toda a revolta, mágoa, decepção que vivi.
O outro prato tem a saúde, o trabalho, o meu marido e os meus amigos e dá para perceber o quanto está pesado. Tão pesado que consegue levantar, facilmente, todas as tristezas sofridas. Graças a Deus… e que continue assim no Ano que vem (e com a companhia dos meus cãezitos).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL


Que a magia e o sentimento que se vive nesta época, possa estar presente todos os dias do próximo ano. É difícil mas não impossível. Basta querer.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Procurava-se (mais) um amigo


Não precisava ser homem ou mulher (mas é mulher), bastava ser humano, bastava ter sentimentos, bastava ter coração.
Precisava saber falar e saber calar, sobretudo saber ouvir.
Tinha que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e canção das liras.
Devia ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Devia amar o próximo e respeitar a dor que todos os passantes levam consigo.
Devia guardar segredo sem se sacrificar.
Não era preciso que fosse de primeira-mão, nem era imprescindível que fosse de segunda.
Podia já ter sido enganado, todos os amigos o são.
Não era preciso que fosse puro, nem que fosse de todo impuro, mas não devia ser vulgar.
Devia ter um ideal e medo de perdê-lo, e no caso de assim não ser, devia sentir o grande vácuo que isto deixa.
Tinha que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo devia ser o de ser amigo.
Devia sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Devia gostar de crianças, e de ter alegria delas terem nascido.
Procurava-se um amigo para gostar dos mesmos gostares, que se comovesse quando chamado de amigo.
Que soubesse conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e recordações.
Precisava-se de um amigo para não enlouquecer, para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Devia gostar de ruas desertas, de poças de chuva e de caminhos molhados, de beira de matos depois da chuva, de se deitar na relva.
Precisava-se de um amigo que dissesse que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tinha um amigo.
Precisava-se de um amigo para parar de chorar, para não se viver debruçado no passado, em buscas de memórias felizes.
Precisava-se de um amigo que acreditasse em nós.
Precisava-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se “Vive”.

Hoje, faz um ano que conheci alguém que tem contribuído muito para uma bela Amizade. Alguém que tem uma Família linda, com a qual meu marido e eu gostamos muito de conviver. Alguém que tem tudo a ver com este poema, que não é de minha autoria mas onde fiz umas “alteraçõezinhas”. Desejo, de coração, que este seja apenas o primeiro de muitos anos de Amizade. Obrigada, Carla, por existires e por fazeres parte daquele grupo, muito especial, que tenho a honra e o prazer de chamar de “AMIGOS”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

NATAL TODO O DIA

Um clima de sonho se espalha no ar.
Pessoas se olham com brilho no olhar.
A gente já sente chegando o Natal.
É tempo de amor, todo o mundo é igual.
Os velhos amigos irão se abraçar.
Os desconhecidos irão se falar.
E quem for criança vai olhar para o céu.
Fazendo um pedido para o velho Noel.
Se a gente é capaz de espalhar alegria,
Se a gente é capaz de toda essa magia,
Eu tenho certeza que a gente podia,
Fazer com que fosse Natal todo dia.
Um jeito mais manso de ser e falar,
Mais calma, mais tempo para a gente se dar,
Me diz porque só no Natal é assim?
Que bom se ele nunca tivesse mais fim.
Que o Natal comece no seu coração.
Que seja para todos sem ter distinção.
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for.
O melhor presente é sempre o amor.

(Maurício Gaetani)

Natal



Gosto muito do Natal.
E por quê?
Por algo que aprendi quando era bem criancinha. Todo o nascimento é motivo de alegria.
Para mim, nunca teve a ver nada com a oferta de prendas, pois meu pai era da opinião que toda a hora, todo o dia é apropriado para ofertar algo a alguém.
Porque temos que esperar até AQUELE dia para oferecer alguma coisa que vimos, que relacionámos com alguém e que tivemos a condição de adquirir? Por quê temos que esperar para ver seus olhos iluminarem-se ao abrir o presente?
Não; Natal, para mim, é muito mais.
Também não compreendo porque algumas pessoas só resolvem ser solidárias, "boazinhas" nesta altura. Sempre é altura para sermos solidários e "bonzinhos". (Pelo menos foi isso que sempre ouvi em minha casa.)
Não; Natal, para mim, é muito mais.
Outra coisa que nunca entendi é o facto de algumas famílias nunca se falarem durante o ano inteiro e quando chega o Natal... resolvem encontrar-se. Não eram família no resto do ano? Ou não tinham telefone, telemóvel, etc, nos outros dias, meses?
Não; Natal,para mim, é muito mais.
Para mim, é mais um momento, como muitos outros, para guardar boas recordações:
- o trabalho que minha mãe tinha ao montar nosso presépio (agora sei bem o que custava);
- a emoção de meu pai ao chegar-se perto do Menino Jesus e ficar uns momentos calado, ao mesmo tempo, que algumas lágrimas apareciam em seus olhos;
- (e como tudo era motivo para comer "coisinhas doces") as rabanadas, o pão-de-ló, o bolo-rei, as filhoses, tudo feito pela minha mãe;
- sempre depois do almoço de Natal, meu pai dizia à minha mãe (como dizia, igualmente, muitas e muitas vezes): "Que Deus te dê muita saúde e muitos anos de vida, como me soube bem esta comida!" E minha mãe sorria.
- e a magia... magia que sempre quis que continuasse todos os dias... mas que, infelizmente, não é assim.
Natal, para mim, é isso. Um momento de alegria e mais um momento em que faço força para acreditar que a Magia, que os Sonhos, que a Esperança, podem existir todos os dias...

"Quentes e boas"

Como foi um susto pequenino, já tudo voltou ao normal.


Gosto muito de castanhas e meu maridão, apesar de não ser um grande apreciador, lá se propôs a assar algumas.


Acredito que a vida é feita de pequenos prazeres e da arte de transformar pequenos momentos em momentos alegres e que possam deixar boas recordações. E assim foi. Mais um simples momento que foi recheado de risos, alegria e, claro, com a companhia dos meus anjos caninos.


O Kibon provou e aprovou logo a nova iguaria e até colocou-se de guarda para controlar quantas eu comia e quantas castanhas lhe eram oferecidas.


Já o Tejo... De início, rejeitou mas como começou a ver que todas as castanhas rejeitadas, eram aproveitadas pelo Kibon, resolveu provar uma. E também aprovou. De tal forma, que parecia impaciente com a demora do dono em descascá-las.
Com certeza que este texto não é um apelo filosófico, nem uma reflexão sociológica, muito menos um tratado de literatura.
É apenas a minha forma de pensar que se pode ser feliz com "muito pouco".
É apenas a minha forma de pensar que, apesar de tudo o que já passei, tenho o direito de reservar-me momentos alegres e de apreciar tudo de bom que a vida me ofereça... nem que seja umas belas castanhas assadas por um grande e bom marido, na companhia de dois cães únicos e especiais (pelo menos, para mim).